Democratas concluem argumentação em julgamento de impeachment de Trump

Chris Lefkow, Sebastian SMITH
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Os congressistas democratas envolvidos no julgamento de impeachment de Donald Trump concluíram seus argumentos nesta quinta-feira (11), instando o Senado a condenar o ex-presidente americano por encorajar o ataque ao Capitólio de 6 de janeiro.

"Pedimos humildemente que condenem o presidente Trump por um crime do qual ele é totalmente culpado", afirmou Joe Neguse, um dos membros da Câmara dos Representantes que atuam como promotores no julgamento em andamento no Senado.

"Porque se não o fizerem, se fingirmos que isso não aconteceu, ou pior ainda, se deixarmos sem resposta, quem pode garantir que não vai acontecer de novo?", concluiu.

Os advogados de Trump terão 16 horas a partir desta sexta-feira para apresentar sua defesa.

A Câmara dos Representantes, cuja maioria é democrata, abriu uma ação contra Trump em 13 de janeiro por "incitar a insurreição" durante a passagem de poder na sede do Congresso.

O caos ocorrido em 6 de janeiro deixou cinco mortos, incluindo uma mulher que foi baleada após invadir o Capitólio e um policial morto por uma multidão de apoiadores de Trump que buscavam impedir a certificação da vitória eleitoral de Biden em 3 de novembro.

Biden disse que as evidências chocantes apresentadas desde terça-feira contra seu antecessor podem pesar contra Trump entre alguns republicanos que ainda são leais ao ex-presidente.

Mas não há indícios de que os democratas estejam perto de garantir uma maioria de dois terços para uma condenação no Senado, que tem 100 membros e no qual os democratas têm 50 cadeiras.

"Esta insurreição pró-Trump não surgiu do nada", afirmou Jamie Raskin, à frente da acusação democrata, defendendo ser imperativo que o Senado condene Trump e o proíba de concorrer novamente à Casa Branca.

"Se ele voltar ao cargo e isso acontecer novamente, não teremos ninguém para culpar a não ser a nós mesmos".

- "Deve prestar contas" -

A congressista Diana DeGette, outra democrata na acusação, argumentou que Trump foi diretamente responsável pela tentativa de seus partidários de impedir a certificação do Congresso da vitória eleitoral de Biden.

"O líder deles, o homem que os incitou, deve ser responsabilizado", afirmou.

"Este não foi um crime escondido. O presidente disse a eles para irem", ressaltou.

Biden disse que não acompanhou as audiências ao vivo, mas assistiu à cobertura sobre a apresentação do caso, na qual líderes políticos fugiram para um local seguro ao mesmo tempo em que uma multidão enfurecida alimentada pela retórica de Trump se espalhava pelos corredores.

"Suponho que algumas opiniões podem mudar", afirmou Biden a jornalistas no São Oval.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, declarou que Biden - que tem tentado evitar que o julgamento ofusque seus esforços para aprovar um enorme pacote de ajuda econômica e sua atuação contra a covid-19 - não tinha a intenção de prever o resultado.

O senador republicano, Bill Cassidy, da Louisiana, afirmou que o vídeo de quarta-feira foi "poderoso", mas "ainda não se sabe como isso influencia as decisões finais".

Outros senadores republicanos claramente já se decidiram e não pretendem romper com Trump, que mantém um forte controle sobre a base eleitoral republicana.

"O voto de 'Não culpado' está crescendo depois de hoje", explicou a senadora republicana Lindsey Graham, da Carolina do Sul, no Twitter.

"Acho que a maioria dos republicanos achou a apresentação" do impeachment democrata ofensiva e absurda.

O senador republicano Josh Hawley, do Missouri, amplificou o argumento dos advogados de defesa de Trump de que é inconstitucional julgar um ex-presidente.

"Você não receberá nada além da minha lamentação pelo que ocorreu àqueles criminosos no Capitólio em 6 de janeiro", declarou Hawley à Fox News.

"Mas isso não torna o julgamento mais legítimo do que é, o que é totalmente ilegítimo, sem base na Constituição".

Os democratas devem encerrar sua apresentação na sexta-feira e abrir caminho para os advogados de Trump, que terão 16 horas nos próximos dois dias para apresentar sua defesa.

- Vídeo perturbador -

os congressistas democratas que atuam como promotores entregaram provas concretas na quarta-feira, exibindo horas de imagens de câmeras de segurança, câmeras da polícia, imagens dos noticiários e vídeos feitos em celulares gravados pelos próprios manifestantes.

Em um dos vídeos, o vice-presidente Mike Pence é evacuado às pressas por agentes de segurança. Em outros, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, é visto esquivando-se por pouco de uma multidão pró-Trump.

O motim estourou depois que Trump realizou um comício massivo para repetir suas infundadas acusações de que Biden roubou sua reeleição, e que Pence tinha que fazer algo para impedir a confirmação do resultado.

Em outro, a multidão invade o escritório de Nancy Pelosi, a presidente da Câmara dos Representantes e líder democrata, também um alvo frequente da retórica inflamada de Trump.

"Nancy, onde está você, Nancy?", gritavam os manifestantes, enquanto oito dos funcionários de Pelosi se mantinham escondidos em um escritório próximo.

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