Bienal do Livro do Rio anuncia programação: 'Essa edição será descrivellizada', diz secretário de Educação

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Por que realizar a 20ª Bienal do Livro do Rio apesar do coronavírus? Segundo Tatiana Zaccaro, diretora da GL Events, parceira do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) na realização do maior evento literário do país, a própria pandemia deu algumas razões.

— A missão da Bienal é incentivar o hábito da leitura para mudar o país. Com a pandemia, todo mundo ficou fechado em casa, vendo a vida pela janela. Foi aí que os livros entraram e, através deles, as pessoas puderam visitar o mundo — diz Zaccaro. — É esse tipo de experiência que a Bienal proporciona.

A Bienal será realizada no entre os dias 3 e 12 de dezembro, no Riocentro, na Barra da Tijuca, em formato híbrido. Pela primeira vez, a programação será comandada por um coletivo de curadores que trabalharam ao redor do tema “que histórias queremos contar a partir de agora?” Para responder a essa pergunta, foram convocados autores como Thalita Rebouças, Conceição Evaristo, Itamar Vieira, Aílton Krenak, Gabriela Prioli, Pastor Henrique Vieira, Teresa Cristina, Luiz Antonio Simas, Lulu Santos e Antônio Fagundes, entre outros. Nomes internacionais de peso também já confirmaram presença, como o português Valter Hugo Mãe, a argentina Mariana Enriquez e a americana Julia Quinn, autora dos livros que inspiraram a série “Bridgerton”.

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (4) no Rio, Renan Ferreirinha, secretário municipal de Educação, ressaltou que o evento será bem diferente do de 2019, marcado pela perseguição do prefeito Marcelo Crivella a uma HQ de super-heróis que mostrava um beijo entre dois homens.

— A gente precisa entender que o tempo de trevas ficou pra trás. Fiquem tranquilos que essa Bienal será 100% “descrivellizada”. A gente vai ter a Bienal representando cultura, diversidade e educação. Isso é a cara do Rio de Janeiro — disse Ferreirinha, ressaltando o apoio financeiro da prefeitura ao evento. — Estamos investindo um total de R$12 milhões nessa parceria. Vamos levar mais de 40 mil estudantes com transporte, alimentação e um valor de R$20 pra comprar um livro de sua escolha. Todos os nossos servidores da Educação, que são mais de 47 mil, receberão também um valor de R$ 200 como incentivo à leitura e formação. Por fim, todas nossas escolas, mais de 1.500, serão contempladas com valores entre R$1.000 e R$1.600 para atualizar o acervo das salas de leitura.

A programação completa foi divulgada nesta quinta-feira (3) e está disponível no site da Bienal. A venda de ingressos será exclusivamente on-line e já começou. Cerca de 80 editoras já confirmaram presença. A visitação estará limitada a até 70% da capacidade do Riocentro. Será obrigatório o uso de máscaras e a apresentação do comprovante de vacinação para maiores de 12 anos. Toda a programação será transmitida ao vivo pela plataforma Bienal 360°, que estreou em fevereiro.

— A Bienal é a grande festa do livro e é muito marcante que esse seja um dos primeiros eventos culturais de grande porte neste momento de transição para dias melhores — afirma Marcos da Veiga Pereira, presidente do SNEL. — Estamos muito felizes em poder continuar ampliando a representatividade do evento junto ao público, à comunidade e à indústria editorial, levando adiante a leitura como instrumento fundamental para o fomento da educação, da cidadania e da pluralidade de vozes no país.

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