"Big Brother Brasil": por que a gente não enjoa dele?

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Elenco do
Elenco do "BBB 22" reunido (Foto: Reprodução/Globo)

No último dia 17, estreou a 22ª edição do "Big Brother Brasil" (Globo) e, daqui até abril (quando o programa deve acabar), querendo ou não, alguma notícia do reality show vai chegar em você. Mesmo que você não o assista.

"Eu não vejo há uns 15 anos e ainda assim tenho informação do que acontece dentro da casa", conta Gabriela Malzyner, psicóloga e psicanalista do Centro Meniá de Prevenção, em São Paulo.

Vigiar a vida do outro

Por que isso acontece? "O lugar de voyeur, de vigiar a vida do outro, sempre existiu na vida do ser humano. Antes era o binóculo que espiava a casa do vizinho. O Big Brother é esse olhar ampliado", reflete a especialista.

Para Gabriela, mesmo que as redes sociais se prestem a dar acesso à vida alheia atualmente, o BBB, em teoria (sempre há a discussão da edição, por exemplo), mostraria a vida como ela é.

"A pessoa na piscina, na cozinha, nas intrigas. É um lugar de vulnerabilidade para o sujeito. Como é que funciona a vida dele, sem a possibilidade que Facebook e Instagram dão de só mostrar cenas bonitas, com filtros."

Primeira prova do líder do
Primeira prova do líder do "BBB 22" (Foto: Reprodução/Globo)

A força do BBB

A psicóloga e psicodramatista Marina Vasconcellos é ela mesma um exemplo da força do programa. Mesmo sem gostar e assistir ao reality show, já teve de sucumbir e ter de se inteirar do programa.

"No ano passado, duas pacientes falavam muito sobre uma participante nas sessões. Tive de procurar na internet sobre a pessoa, para entender porque elas estavam tão interessadas", revela.

Segundo a psicóloga e psicodramatista, a atração dá ao público a oportunidade de viver coisas que a maioria dos mortais não vai poder viver na vida real ou mesmo ter coragem. "A pessoa se projeta ali, vivendo uma fantasia e curtindo de alguma maneira."

Calmaria dentro do caos

Ainda de acordo com Marina, o Big Brother Brasil é um entretenimento fácil, que não exige esforço para ser consumido. "O reality afasta mesmo as pessoas da densidade dos acontecimentos do cotidiano", concorda Gabriela Malzyner, mas ela tem ainda um outro palpite sobre a trajetória de sucesso da atração.

"Há uma certa previsibilidade no Big Brother e nós estamos presos, há dois anos, na imprevisibilidade da pandemia", diz ela. Enquanto aqui fora, vamos em ondas como a Covid-19 – tem vacina, não tem vacina, novas cepas –, na casa mais vigiada do Brasil, a vida segue em meio a festas, tretas, romances e provas do líder. "Dentro do caos, um lugar de aconchego e calmaria. Algo que parece acontecer desde sempre", diz a psicóloga e psicanalista.

Vale lembrar que, em 2020, os participantes estavam na casa sem saber que o mundo vivia uma pandemia. "É quase um ambiente protegido das adversidades do mundo", finaliza Gabriela.

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