Big techs são alvo de processo contra efeito de redes sociais em jovens nos EUA

O distrito escolar de Seattle, nos Estados Unidos, entrou com ação contra Big Techs sob a acusação de que elas deixam os jovens viciados em redes sociais. Esse é o primeiro movimento judicial do gênero feito por um distrito escolar nos Estados Unidos. O argumento é que, com a dependência, os alunos não conseguem atingir seus objetivos acadêmicos na escola por estarem sofrendo de doenças psicossociais, como depressão e ansiedade.

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Gigantes das redes sociais como a Alphabet, dona da Google, Meta, dona de Facebook e Instagram, Snapchat e ByteDance, dona do TikTok, são responsáveis por capturarem a atenção dos jovens em suas plataformas e gerar uma crise de saúde mental, segundo a queixa protocolada na última sexta-feira na corte federal de Seattle. Apenas no distrito, são mais de cem escolas e cerca de 50 mil crianças matriculadas.

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O distrito afirma ter ocorrido um crescimento expressivo no número de suicídios e de atendimentos ligados a problemas de saúde mental em prontos-socorros. Eles citam ainda trecho do discurso do Estado da União, feito pelo presidente americano Joe Biden, em que cita a questão da saúde mental e afirmam: "Os jovens da comunidade do autor estão passando pela mesma crise de saúde mental observada nacionalmente".

Na ação, pedem que o juiz responsável pelo caso na corte federal de Seattle avalie que as big techs criaram um distúrbio público nas crianças e determine o pagamento de indenizações e financiamento de programas de prevenção e tratamento dos danos de uso excessivo de redes sociais.

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Outro movimento de escolas agindo contra os efeitos de desenvolvimentos tecnológicos na vida das crianças aconteceu em Nova York na última semana. O sistema público de ensino local, o maior dos Estados Unidos, proibiu os estudantes de acessar o ChatGPT, programa de inteligência artificial usado para gerar texto.

Do lado das big techs, a linha de frente usada pelas defesas é um trecho de uma lei federal americana de 1996 que concede às plataformas, na internet, uma vasta imunidade em casos de alegações envolvendo conteúdo sensível publicado por usuários na rede. A lei foi tão utilizada para blindar as empresas do setor que parlamentares conservadores e republicanos querem mudanças no texto.

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O entendimento que as redes sociais devem ser responsabilizadas pelos potenciais danos causados em usuários jovens veio à tona no final de 2021, quando a ex-funcionária da Meta, Frances Haugen, revelou documentos referentes a operações internas da empresa. Entre as alegações, Haugen disse que a big tech estava, deliberadamente, se aproveitando da vulnerabilidade de jovens para turbinar seus lucros.

Depois que as alegações vieram à tona, o Congresso americano realizou audiências sobre o caso e alguns procuradores geras de estados abriram investigações.

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O porta-voz da Google, Jose Castaneda, afirmou, em e-mail enviado à Bloomberg, que a empresa investe bastante para "criar experiências seguras para crianças dentro das nossas plataformas e introduzimos proteções fortes e recursos dedicadas para priorizar o bem estar delas" em e-mail enviado à Bloomberg. "Por exemplo, através do Family Link, nós oferecemos aos pais a possibilidade de definir lembretes, limitar tempo de tela e bloquear tipos específicos de conteúdo em aparelhos sob supervisão".

Meta, Snap e TikTok não responderam aos questionamentos feitos pela Bloomberg. Anteriormente, as empresas disseram estar trabalhando para proteger seus usuários mais jovens, inclusive ao oferecer recursos ligados à saúde mental e melhorando a proteção para interromper a divulgação de conteúdo malicioso.