Ministra alemã quer pressão a firmas tecnológicas para proteção de dados

Berlim, 4 mai (EFE).- A ministra alemã de Justiça, Katarina Barley, advogou nesta sexta-feira a pressionar as grandes empresas tecnológicas como Facebook no âmbito que "dói mais", normalmente "o dinheiro", para que protejam melhor os dados de seus usuários e a liberdade de expressão na internet.

Ao discursar no Congresso para bloggers e especialistas em redes sociais "Re:publica", que é realizado nesta semana em Berlim, Barley afirmou que é preciso melhorar a proteção para os que denunciam as práticas abusivas de certas companhias.

Segundo a ministra, uma das soluções para que as empresas tecnológicas reajam perante escândalos como o da Cambridge Analytica - acusada de obter de forma fraudulenta dados pessoais de 87 milhões de usuários do Facebook - é "mexer onde mais dói, que normalmente costuma ser o dinheiro".

A ministra indicou que, "quando os ingressos por publicidade retrocedem ou a cotação em bolsa afunda", todas as grandes empresas são obrigadas a reagir.

"A minha impressão é que o Facebook já está atualmente sob muita pressão", disse Barley, que acrescentou que o controle "tem que ser ampliado a outros atores envolvidos".

Durante o ato, no qual também participou o ex-ministro alemão de Interior Gerhart Baum, Barley se mostrou a favor de que o debate sobre o novo mundo digital inclua a melhoria das proteções para "whistleblowers", que são os que denunciam práticas abusivas, como o caso da ex-soldado americana Chelsea Manning e do ex-analista dessa mesma nacionalidade Edward Snowden.

Na mesma linha, Baum aproveitou para criticar que no caso de Snowden "o Governo alemão olhou tudo sem atuar" e qualificou de "escândalo" que o Facebook esteja tentando evitar com diversas táticas a nova regulação europeia sobre proteção de dados.

Entre essas estratégias está o anúncio da empresa tecnológica de transferir seu domicílio legal da Irlanda - onde está localizada sua filial europeia - aos Estados Unidos, o que lhe permitiria evitar o novo marco de privacidade aprovado pela União Europeia.

No encontro, no qual também foram discutidos os limites da liberdade de expressão nas redes sociais, Barley destacou que as tentativas de resistir às mensagens de ódio contra refugiados com medidas, como o aumento de mensagens a favor, se mostraram até agora "contraproducentes" e os "radicalizaram mais". EFE