Biografia dos Titãs é relançada 20 anos depois; autores destacam episódios com drogas e saídas inesperadas de integrantes

Não são 15 minutos de fama nem um sucesso de uma semana. São 40 anos de banda e de glória! Para celebrar a data redonda e a trajetória dos Titãs, uma série de comemorações está programada. A reunião dos sete integrantes da formação histórica (Marcelo Fromer, que morreu em 2001, é o único ausente) já foi anunciada numa turnê concorrida para 2023, e uma data extra no Rio foi confirmada ontem. Além disso, a biografia “A vida até parece uma festa: a história completa dos Titãs” (Globo Livros — R$ 69,90) é relançada agora, com atualizações importantes.

A primeira versão da obra, escrita pelos jornalistas Hérica Marmo e Luiz André Alzer, foi lançada em 2002, quando a banda completava 20 anos e Nando Reis tinha acabado de deixar a trupe. A seguir, os autores destacam curiosidades que leitores e fãs podem conferir na nova versão.

À prova do fim

Para dar conta desses 20 anos que sucederam o primeiro livro, a dupla escreveu mais cinco capítulos com inúmeras novidades de bastidores de uma banda sólida e com trabalhos ininterruptos desde o seu início.

— Eles falaram em acabar com a banda uma única vez. Foi por conta do problema de excesso de drogas do Paulo Miklos (o que ocorreu por volta de 2006), que estava consumindo todos por igual — conta Hérica.

Essa passagem é um dos destaques da biografia revisitada. A obra original, que foi editada até 2008, passou a ser peça rara, praticamente só encontrada em sebos.

— Essa é uma das partes mais fortes da atualização. Desde a origem, com exceção do Charles (Gavin, baterista), os Titãs sempre foram uma banda que usou drogas. Todos pegaram muito pesado, mas pararam, foram largando, cada um no seu momento — relata Alzer, adicionando: — Mas o Paulo não conseguiu. A droga o consumiu demais como ser humano, ele passou a ficar violento e agressivo, atrasando e faltando aos compromissos. Em um show, Charles levou a filhinha pequena ao camarim, e o Paulo tinha acabado de destruir tudo. Então Tony (Bellotto, guitarrista) escreveu um e-mail, e todos concordaram com a decisão de que ou ele iria se tratar, ou a banda acabaria ali.

O inesperado

Paulo então conseguiu tratamento adequado e se recuperou. Anos depois, no entanto, deixou a banda, episódio que é contado em detalhes no livro. Foi um momento de susto para o grupo, já que o músico anunciou sua saída em um jantar, em meio à bem-sucedida turnê do álbum “Nheengatu”, que passava pelos Estados Unidos. O encontro que trataria do projeto seguinte, a ópera rock “Doze flores amarelas”, ganhou então uma nova pauta.

— O baque da saída do Paulo foi forte. Tem uma frase que o (Sérgio) Britto disse: “Eu não estou a fim de acabar com a banda porque o Paulo quer sair. A prerrogativa de terminar é de quem está na banda” — destaca Hérica.

E a recuperação do grupo foi rápida. Na manhã seguinte, eles já haviam convidado o músico Beto Lee para tocar guitarra com eles. O rapaz manteve segredo sobre isso por meses e só contou para a mãe, Rita Lee.

— Ele ficava esperando a hora em que seria testado. Não acreditava que estaria na banda — frisa Hérica.

Histórias além dos palcos

Para os novos capítulos dessa história, os jornalistas entrevistaram quase 80 pessoas, entre elas Marisa Monte (também ex-namorada de Nando Reis), o produtor Liminha, o ex-jogador Casagrande, membros da equipe e as mulheres dos integrantes, incluindo as atrizes Malu Mader (casada com Tony Bellotto) e Angela Figueiredo (casada com Branco Mello).

Malu, aliás, esteve no centro de outra passagem importante.

— Em 2005, eles gravaram o DVD “MTV ao vivo”. Foram dois dias de gravação em uma fortaleza de Santa Catarina. Na véspera do primeiro dia, Malu teve uma crise convulsiva. De todas as mulheres, ela é a que vai a todos os shows, é fã de carteirinha, gosta muito de acompanhar. Mesmo quando estava gravando novela, buscava uma brecha — conta Alzer, que revela: — O primeiro dia de gravação foi uma desgraça. Estava todo mundo abatido. Aproveitaram muito pouco dele na edição. Para o segundo, ela já estava em um hospital no Rio e já se sabia que o caso não tinha sido tão grave. Então tudo fluiu melhor.

O reencontro

Os autores ressaltam que as últimas gerações de fãs não tiveram a oportunidade de ver a formação clássica do grupo no palco. Eles destacam também que tudo pode sair deste encontro (até novas canções). E alguns sucessos serão inéditos para alguns integrantes.

— Britto lembrou que Arnaldo Antunes nunca esteve num palco apresentando “Epitáfio”. Acho que vai ser um show de grandes sucessos, mas eles são imprevisíveis — aponta Alzer, dando seus pitacos: — Eles deveriam gravar esse show em DVD ou para o streaming. O encontro de 30 anos nunca foi lançado.