Biografia de Gil do Vigor entra na lista de livros mais vendidos; confira trechos

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Contrato com a TV Globo e com um dos maiores banco do país, bolsa de PhD num universidade americana - e agora nome na lista de livros mais vendidos do Brasil. Dois meses depois de sair do "Big Brother Brasil 21", Gilberto Nogueira, o Gil do Vigor, se firma como um dos participantes do reality show com a melhor carreira pós-programa. Nesta quinta-feira, sua biografia, "Tem que vigorar" (Globo Livros) chegou ao mercado já com um grande feito: é o 23º livro mais vendido do dia da Amazon até a publicação desta matéria, um grande feito para o mercado editorial no país.

"Contei como me aceitei, passei a me amar e a buscar os meus sonhos em “Tem que vigorar!", disse Gil, no Instagram. "Acredito muito na importância de compartilharmos nossas histórias, então espero que a minha inspire e encoraje vocês."

Da pobreza à fama

Na obra, Gil conta detalhes sobre a infância permeada pela pobreza e violência, com um pai usuário de drogas e a mãe, Jacyra, se desdobrando para criar sozinha ele e as irmãs, Janielly e Juliana. O economista relata também o papel fundamental da educação em sua formação e o sonho de viver BBB. Detalhes sobre o programa, claro, não ficam de fora, com direito até a glossário dos bordões que o colocaram no hall de participantes inesquecíveis da história do programa.

O livro traz ainda depoimentos tocantes da mãe, Jacyra, e de ídolos que agora são fãs de Gil, como Xuxa e Deborah Secco.

Trechos

Abaixo, confira alguns trechos do livro "Tem que vigorar":

Sem dinheiro ou comida

"Muitas vezes, nossa única refeição era na casa de alguém onde ela fazia faxina. Se faltava dinheiro para comer, imagine para se deslocar. Não havia dinheiro para ônibus ou metrô. Nessas — em um desses ataques de fúria de meu pai e sem dinheiro para o aluguel —, ficamos sem ter para onde ir. Perdemos a casa e ficamos na rua. Me lembro de ter que pedir dinheiro, comida, qualquer coisa para que pudéssemos matar a fome. Eu era pequeno, estava com Janielly, mas me lembro perfeitamente da vergonha que sentia. Recordo exatamente de compreender aquilo como uma situação constrangedora. Eu não queria pedir nada. Mas o fato é que nunca houve garantia de que teríamos comida na mesa no dia seguinte. E ficar na rua, pedindo alimento, foi mais uma daquelas cenas que marcaram minha infância."

Primeiro beijo

"Me lembro de, um dia, minha mãe pedir para que eu comprasse algo muito longe de casa — era uma ladeira enorme. Desci chateado, revoltado, e encontrei meu amigo Alex (que dizia que eu era “bicha”). Me bateu um negócio inexplicável. Marquei um esquema e combinei de encontrá-lo mais tarde. Seria eu, ele e um casal de amigas. Na minha cabeça — em negação —, queria pelo menos poder dizer que gostava de meninos e de meninas. Então, no encontro falei:

— Se a Denise me beijar, eu beijo o Alex.

Ela me beijou. Eu beijei Alex. E, quando eu o beijei, entendi o que era bom. Fã da Britney Spears, Alex colocou música dela para tocar e, a partir daí, ela entrou para a trilha sonora da minha vida. Me apaixonei — por Britney e por Alex."

Identidade

"Mas é isso, deixo aqui, registrado para o mundo: sou uma bicha preta e nordestina. Quando entrei no BBB 21, vi muitos pretos ali e pensei: “Que bom! Vão olhar para mim e se identificar”. Mas, entre eles, disseram que eu não era preto. Isso — que só fui saber depois, ao sair da casa e assistir a alguns vídeos, pois falaram pelas costas — me machucou muito. E me senti muito mal. Sei quem eu sou, levei muito tempo para me aceitar. E não posso negar quem sou, meu sangue, minhas feições, minha pele."

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