Biografia de Gilberto Braga iniciada por Artur Xexéo será terminada por Mauricio Stycer

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No dia 18 de julho, um domingo, o jornalista Mauricio Stycer, recebeu um telefonema inesperado. Do outro lado da linha, uma voz inconfundível disse: “Mauricio, aqui é o Gilberto”. Stycer soube na hora que não era trote. Era Gilberto Braga, autor de novelas como “Dancin’ Days”, “Vale Tudo” e “Celebridade”. O telefonema foi para convidá-lo a assumir a biografia de Braga na qual o dramaturgo e jornalista Artur Xexéo trabalhava antes de morrer, em 27 de junho.

Quem indicou o nome de Stycer, repórter especializado na cobertura televisiva, foi o viúvo de Xexéo, Paulo Severo. Autor de “Topa tudo por dinheiro”, perfil biográfico de Silvio Santos publicado pela Todavia, Stycer afirma que a biografia será uma homenagem dupla: ao primeiro biógrafo, Xexéo, e ao biografado, Braga, que faleceu nesta terça-feira (26), aos 75 anos, após não resistir a uma infecção sistêmica provocada por uma perfuração no esôfago.

— Disse ao Gilberto que seria uma honra enorme continuar o trabalho do Xexéo, que reuniu um material incrível para a biografia — conta Stycer. — Eu já estava muito envolvido emocionalmente com o trabalho por conta do Xexéo, que eu conheci quando comecei minha carreira, em 1985, 1986, e com quem troquei muita figurinha sobre televisão. Eu o respeitava muito. Ele era uma daquelas pessoas a que eu sempre queria agradar. Agora, o livro ganha uma mais uma carga emotiva devido à notícia muito triste e inesperada da morte do Gilberto.

Ainda sem título, a biografia será publicada no ano que vem pela Intrínseca. Segundo Stycer, Xexéo deixou cerca de 80% do livro pronto. Além de mais de 15 horas de conversas gravadas com Braga e entrevistas com mais de 20 pessoas que conviveram com ele, entre familiares, diretores (Denis Carvalho, Daniel Filho) e atores (Fernanda Montenegro, Malu Mader, Cláudia Abreu), Xexéo deixou um capítulo quase pronto, o esboço de outro e um valioso arquivo intitulado “tarefas que faltam”, no qual listou os próximos passos do trabalho.

Stycer não teve tempo de marcar conversas mais longas com Braga, apenas de tirar algumas questões que surgiram enquanto se familiarizava com o material reunido por Xexéo. A biografia, diz ele, vai esclarecer dúvidas sobre o processo criativo de Braga, recuperar os bastidores de cada uma de suas novelas e contar histórias de sua infância.

— O Xexéo também resgatou a passagem do Gilberto pelo GLOBO. Ele foi crítico de teatro do jornal no início dos anos 1970 e assinava Gilberto Tumscitz. Virou Gilberto Braga quando foi para a TV. Como crítico, ele estava na contramão. Era uma época de teatro experimental, mas ele era mais pé no chão, gostava de montagens mais clássicas — conta Stycer, que elege “Vale Tudo”, novela que apresentou o Brasil à vilã Odete Roitman, e a minissérie “Anos Rebeldes”, de 1992, que retratou a luta contra a ditadura militar, como suas obras preferidas de Braga. — “Vale Tudo” é uma novela incontornável na história da teledramaturgia brasileira e “Anos Rebeldes” teve muito impacto por ter sido transmitida na época do impeachment do Collor.

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