Transtorno bipolar é coisa séria

A bipolaridade anda muito na moda e na boca do povo nos últimos tempos. Hoje em dia qualquer peão é bipolar. É só acordar todo cheio de bom humor, amar as plantas e os animaizinhos, e à noite cometer um grande genocídio que o sujeito é bipolar. Mas, acima de tudo, é preciso saber que nem todo serial-killer ou mulher histérica é um bipolar.

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Denominado até pouco tempo como “psicose maníaco-depressiva”, o transtorno bipolar é muito mais que uma simples variação de humor. Identificar uma pessoa com os sintomas do transtorno bipolar até é possível, mas se autodiagnosticar de fato é impossível.

Quem pode fazer o diagnóstico é apenas um médico psiquiatra ou um psicólogo experiente, pois não existem exames capazes de oferecer um resultado certo quanto à doença. “Existe uma falsa ideia que qualquer pessoa que muda muito de humor é bipolar, mas não é tão simples assim”, aponta Paulo André Issa, diretor médico da Clínica PNAP Neurociência & Psiquiatria.

De onde vem a bipolaridade?
Há os que dizem que bipolaridade é coisa de gente rica e excêntrica, mas a verdade é que esta doença não vê classe social. Como qualquer doença que envolve a psiquiatria, a bipolaridade também sofre de alguns mitos populares. Mas existe explicação para o “surgimento” desta doença.

“A bipolaridade, como a maioria dos transtornos psiquiátricos, é um somatório de uma vulnerabilidade genética herdada a princípio, em maior ou menor grau, e a expressão da doença pode depender do grau de estresse emocional que a pessoa sofre. Porém nem sempre este processo é tão evidente”, explica Paulo André.

Como se trata?

Não existe tratamento eficaz sem o uso de medicamentos tarja-preta. Segundo Paulo André, até existem tratamentos paralelos ao convencional, mas que são complementares. “A psicoterapia não envolve remédios tarja-preta, mas sim de receituário controlado branco comum, mas é preciso lembrar que existe um mito em torno da 'tarja-preta', ou dos remédios controlados, mas o perigo não está no seu uso e sim no seu abuso, sem supervisão médica principalmente”, explica o médico psiquiatra.

Os efeitos colaterais dos medicamentos irão variar de acordo com cada substância utilizada e cada organismo. “Dependendo da dosagem pode haver ganho de peso ou enjôo e em casos mais graves até mesmo intoxicação para quem usa lítio como tratamento. Por isso, é dosada regularmente a taxa sanguínea desta substância nos pacientes que utilizam essa terapêutica, que até hoje continua sendo uma das mais eficazes”, explica. A eletroconvulsoterapia (ECT) ou eletrochoque também é uma forma de tratamento segura e eficaz quando realizada em centro cirúrgico, na presença de um anestesista.

E é sempre bom lembrar que as bebidas alcóolicas potencializam os remédios e também os sintomas. Ou seja, a combinação pode trazer consequências graves, como crises depressivas ou maníacas para quem sofre do transtorno. Mas a melhor dica mesmo é: em casos constantes de depressão ou distúrbios maníacos, deve-se procurar por um psiquiatra urgentemente. Afinal, apesar de uma piadinha aqui ou ali, bipolaridade é coisa séria.

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