Bitcoin valoriza 700% e ganha espaço no mercado

Letycia Cardoso e Patricia Valle
·4 minuto de leitura

O Bitcoin, principal moeda digital, está vivendo um novo boom e já valorizou cerca de 700% em relação ao dólar em um ano, com grandes empresas anunciando que vão aceitar a moeda para compras. Por isso, muitos investidores resolveram apostar no ativo para ganhar dinheiro. Embora as notícias recentes sejam positivas, especialistas orientam a ter cautela na aplicação.

No fim de março, o homem mais rico do mundo e diretor executivo da Tesla, Elon Musk, anunciou que é possível comprar veículos da fabricante de carros elétricos nos Estados Unidos com a criptomoeda. A decisão de uma das maiores empresas do mundo legitima o valor de compra da moeda e mostra que ela pode ganhar espaço cada vez mais.

— Por ser uma moeda, grande parte do seu valor é a expectativa de que ela virá a ser um meio de troca, para compras comuns, no futuro. E sempre que empresas anunciam que a aceitarão, seu valor sobe — afirma João Marco Cunha, gestor de portfólio da Hashdex, que possui fundos de criptoativos.

A questão é que o caráter especulativo da moeda digital a leva tanto a uma alta forte quanto a uma queda. Num único dia em que Musk publicou em redes sociais que a moeda tinha se valorizado demais, sua cotação caiu cerca de 18%. Para especialistas, isso é uma mostra de que investidores muito grandes como ele podem manipular o mercado. Por isso, é um mercado ainda muito arriscado.

— Depois que o Musk falou que a moeda parecia estar inflacionada, houve uma corrida e ela já despencou nos outros dias. O bitcoin não tem valor intrínseco, ainda é extremamente volátil em função de discursos e os movimentos de subida e descida não têm explicação racional — diz Luiz Fabbrine, líder de finanças da consultoria Bip.

Como em outras apostas arriscadas da vida, pode dar muito certo ou muito errado. E neste caso, a recomendação é apenas investir um dinheiro que não vai fazer falta.

— Quem puder investir pode ter muito ganho, mas tudo pode virar pó também. Então, nada de colocar mais que 3% do portfólio ou um dinheiro que não possa perder— afirma o educador financeiro Fabrizio Gueratto.

As carteiras digitais seguem ganhando espaço mundo afora. De acordo com a terceira rodada do Visa Covid-19 Consumer Sentiment, estudo sobre as preferências dos consumidores durante a pandemia na América Latina e no Caribe, 20% dos consumidores afirmam usá-las nos pontos de venda e 25% dizem estar dispostos a experimentar o uso de criptomoedas.

Vários países já demonstram interesse em criar suas próprias moedas digitais. À frente de grandes potências, as Bahamas pretendem lançar o chamado “dólar de areia” em outubro. O ativo, que terá o mesmo valor da moeda local, é uma solução financeira para cidadãos das ilhas remotas.

A China e os Estados Unidos também planejam implementar a inovação. O país asiático, porém, deve sair na frente e fazer o anúncio até 2022.

De olho nesse movimento, a Visa já está atuando no mercado de moedas digitais, trabalhando com empresas como Zro Bank e Ripio em um modelo de carteira digital com um cartão de débito. Assim, é possível converter criptomoedas em reais na hora de fazer alguma compra no comércio. Além disso, numa parceria com a Alter, a operadora oferece frações de bitcoins como cashback nas compras realizadas no cartão Altercard Visa.

— A ideia é disponibilizar aos usuários formas mais rápidas e fáceis de gastar a moeda digital, aumentando assim o valor oferecido. Já faz um tempo que trabalhamos para avançar e evoluir a nossa estratégia. Hoje, 35 criptoplataformas já escolheram emitir com a Visa — conta Eduardo Abreu, VP de Novos Negócios da Visa do Brasil.

Antes de pensar em investir em criptomoedas é preciso considerar que é um ativo muito arriscado, mais do que investir em ações na bolsa de valores. Isso porque as moedas digitais não são reguladas, então, não há uma defesa para o pequeno investidor por parte da Comissão de Valores Imobiliários (CVM), por enquanto. Além disso, não há divulgação de resultados que possam dar uma expectativa da valorização futura.

Mas se o investidor tem o perfil arrojado e quer arriscar para tentar ganhar com a valorização do Bitcoin, a recomendação dos especialistas é que a aplicação seja feita via fundos de investimento. Dessa forma, um gestor profissional irá diversificar o investimento em diversas criptomoedas e saberá avaliar o melhor momento de comprá-las e vendê-las. Além disso, o resgate poderá ser feito a qualquer momento e de forma simplificada.

E cada vez mais gestoras estão abrindo fundos que investem em criptomoedas. A XP já lançou fundos e recentemente o banco BGT pactual também, com um com o objetivo de democratizar esse investimento. Além disso, no dia 22 de abril está previsto para estrear na bolsa de valores o primeiro ETF (fundo de índice com cotas vendidas na bolsa), do Brasil. O fundo seguirá o índice Nasdaq Crypto Index (NCI) e será gerido pela gestora Hashdex. Seu código na B3 será HASH11,e promete tornar possível a aplicação para os pequenos investidores.