Bitcoins: o que é a 'cruz da morte' que assusta investidores da criptomoeda

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Bitcoin em celular
"Cruz da morte" pode antecipar perdas muito maiores no preço do bitcoin

O valor do bitcoin caiu para menos de US$ 30 mil (R$ 148 mil) na última terça-feira (22/06), zerando todos os ganhos que a criptomoeda havia acumulado no ano.

Essa nova queda — com a cotação momentaneamente em torno de US$ 29 mil — significa uma perda de mais de 50% do valor desde que seu preço atingiu o recorde de US$ 64,8 mil em abril deste ano.

Porque isso é importante? Porque essa queda pode, em tese, desencadear um fenômeno conhecido como "cruz da morte", que ameaça todo o mercado de criptomoedas.

A cruz da morte é um sinal que aparece nas análises gráficas, usadas por muitos investidores para identificar tendências futuras. O nome é sinistro porque sugere perdas muito maiores no futuro.

A cruz de morte acontece quando o preço médio dos últimos 50 dias cai abaixo do preço médio dos últimos 200 dias. Quando essa combinação ocorre, analistas costumam ficar pessimistas sobre o futuro.

"É muito ruim que haja uma cruz da morte, porque no fim das contas o que se tem é uma confirmação de que a tendência de longo prazo é de baixa", diz Hugo Osorio, vice-gerente de Estratégias de Investimento da empresa de serviços financeiros Falcom Asset Manager à BBC News Mundo (serviço de notícias em espanhol da BBC).

"A cruz é um padrão de comportamento que todo mundo que faz análise técnica vê. E como todo mundo vê, isso ganha peso", acrescenta.

É como uma espécie de profecia autorrealizável. Baseadas nessa cruz da morte, muitas pessoas podem vir a se livrar de seus bitcoins e investir em outro ativo menos arriscado. Como resultado, isso aceleraria a queda do preço da moeda digital.

Terminal Bloomberg
Este gráfico mostra a "cruz da morte". A linha rosa é o preço médio do bitcoin nos últimos 50 dias, enquanto a linha amarela é o preço médio dos últimos 200 dias

É importante notar que a análise técnica não inclui apenas uma variável, portanto, quando se trata de antecipar o caminho que o preço da moeda tomará, os especialistas usam a cruz como mais um elemento em sua caixa de ferramentas, entre tantos outros.

Por exemplo, em março de 2020, quando a pandemia sacudiu os mercados, essa cruz também se formou, pouco antes de o preço subir mais de 1000% em um ano, contradizendo as previsões.

No entanto, o contexto era diferente. Naquela época o mercado de ações estava em derrocada e quando conseguiu se recuperar, o valor do bitcoin também subiu. Isso faz com que a cruz não seja infalível, nem os cálculos matemáticos que tentam antecipar o que está por vir.

Apesar da queda acentuada, a moeda digital se recuperou ligeiramente, atingindo cerca de US$ 34 mil na quinta-feira (24/06).

O fator China

A queda da moeda ocorreu depois que o Banco Popular da China emitiu um comunicado proibindo expressamente os bancos do país e as plataformas de pagamento de realizar transações e participar de atividades comerciais relacionadas ao comércio de criptomoedas.

O argumento do banco, cujas decisões seguem estritamente as diretrizes do governo Xi Jinping, é que a medida visa "combater a especulação de bitcoins e outras moedas digitais", bem como "garantir a segurança dos cidadãos e manter a segurança e estabilidade financeira".

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A China continua a endurecer suas políticas contra o uso de criptomoedas. Em maio, o país proibiu suas instituições financeiras de fornecer serviços de criptomoeda, causando outra queda no bitcoin.

E na semana passada o gigante asiático ordenou o fechamento de vários centros de "mineração" de criptomoedas, como são chamados os locais onde essas moedas são geradas. A "mineração" na China alimenta quase 80% do comércio global de criptomoedas.

Por isso, as restrições que o governo impôs neste ano preocupam o mundo financeiro.

"O que a China fez foi tentar acertar com força as criptomoedas e buscar por todos os meios possíveis que elas não sejam aceitas como meio de pagamento", disse Osorio.

"A China está em uma cruzada muito forte contra o bitcoin", acrescenta o analista. "É preciso ver se isso vai funcionar ou não."

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