'Bixa travesti', criticado por presidente da Petrobras, não teve patrocínio da estatal — e ainda levou calote

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RIO — O documentário “Bixa Travesty” (2018) não recebeu patrocínio da Petrobras, ao contrário do que sugeriu o presidente da estatal, Roberto Castello Branco, na quinta-feira. Durante uma conferência, Castello Branco disse que a petroleira não iria mais patrocinar filmes “de qualidade mais que sofrível, como ‘Bixa Travesty’ e ‘Lasanha Assassina’”. Dirigido por Kiko Goifman e Claudia Priscilla, o longa é estrelado pela atriz e cantora Linn da Quebrada, e foi premiado no Brasil e no exterior.

— Estou me sentindo perseguido. Com certeza absoluta, o senhor Castello Branco não viu o filme. Ele pegou pelo título, “Bixa Travesty”, para insultar o nosso filme, que mostra a história de uma pessoa que sofreu a vida toda e que tem uma força imensa. Vamos entrar na Justiça — afirma o diretor Kiko Goifman. — Esses caras não podem achar que podem pegar a metralhadora do ódio deles e apontar para todo lado. Agora faremos questão de levar o filme para o maior número de pessoas possível. Não vamos ficar calados.

Para a sua produção, “Bixa Travesty” recebeu verbas do Fundo Setorial do Audiovisual, da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo-Sul. A informação foi confirmada pelos diretores do filme. Depois de pronto, o filme deveria ter recebido um prêmio de R$ 200 mil da Petrobras, mas acabou recebendo metade desse valor.

Em 2018, a Petrobras patrocinou o Festival de Cinema de Brasília, onde “Bixa Travesty” recebeu o prêmio de melhor documentário por escolha do público. Pelo regulamento da premiação, o filme deveria receber R$ 200 mil, que seriam usados em sua distribuição em cinemas. Entretanto, no ano seguinte, a estatal comunicou que não iria mais entregar o dinheiro prometido aos filmes premiados no Festival e em outras duas mostras.

Segundo Claudia Priscilla, a Petrobras só pagou metade do valor previamente acordado com o Festival após uma ação coletiva movida pelas equipes contempladas pelos prêmios.

— Não cabe ao presidente da Petrobras citar o filme nessa situação. “Bixa Travesty” não foi produzido com recursos da Petrobras. Além de um insulto, é uma apropriação indevida. Quando a gente ganhou o prêmio popular de Brasília, o filme obviamente já estava pronto — critica Claudia.

Até o momento, "Bixa Travesty" já foi indicado a mais de 20 prêmios e recebeu troféus importantes, como o de melhor documentário LGBTQ+ no Festival de Berlim, melhor direção de documentário em Cartagena e melhor documentário no Pestival Chérie-Chéris, mostra internacional de cinema LGBT&+ de Paris, todos em 2018. O filme também concorre ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro deste ano, em três categorias: melhor documentário, melhor trilha sonora e melhor montagem de documentário.

Procurada, a Petrobras não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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