Black Friday, Dia do Solteiro e dos supermercados: novembro será mês das promoções. Entenda

Num cenário de poder de compra reduzido e produtos mais caros, três datas prometem mobilizar os consumidores em novembro em busca de preços mais atrativos: além da já tradicional Black Friday, este ano realizada no dia 25, o Dia do Solteiro, no dia 11, e o Dia dos Supermercados, no dia 12, devem impulsionar as vendas. O mês das promoções terá ainda descontos para quem está negativado regularizar as dívidas.

– Ter três datas num único mês é interessante, mesmo que uma delas ainda não tenha uma cultura consolidada, mas que pode ganhar força ao longo dos anos. Sem dúvida pode levar a um aumento substancial de vendas e boas oportunidades para o consumidor – avalia Marcos Caiado, da Escola de Negócios da PUC-RJ.

Um levantamento encomendado pelo Google ao Instituto Ipsos, divulgado em setembro, apontou que depois de dois anos com medidas de distanciamento social, a expectativa é que sete em cada dez brasileiros irão às compras na Black Friday de 2022, principal evento de preços reduzidos do ano no Brasil.

Roupas e acessórios aparecem em primeiro lugar (47%), seguidos por livros e itens de papelaria (43%), antecipando compras de material escolar. Calçados (38%) e celulares (36%) seguem a lista, além de eletroportáteis (33%), o que sinaliza que os entrevistados querem equipar a casa para a Copa do Mundo e Natal.

Coordenador do Núcleo de Varejo da FGV Rio, Ulysses Reis analisa que as três datas devem mobilizar as varejistas, aumentando as vendas. Segundo ele, quem puder deve antecipar as compras de fim de ano, já que no período natalino os preços tendem a subir.

– A partir de 15 de novembro temos o pagamento da primeira parcela do 13º e em dezembro, lojistas de shopping pagam um aluguel dobrado. Com mais custos, não tem jeito, o lojista sobe os preços – explica.

Reis também orienta que consumidores que preferirem as lojas físicas devem ficar atento a chamada “desova“ dos estoques, quando os lojistas reduzem os preços de produtos parados antes da Black Friday – e que podem ter preços mais vantajosos.

Mas é preciso cuidado: com quase 40% da população adulta negativada, como mostrou pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), antes de ir às compras e acabar cedendo aos impulsos de descontos atrativos, consumidores precisam se planejar e avaliar bem o que é ou não necessário para evitar ainda mais endividamento.

A data que estimula pessoas solteiras a comprar presentes é uma oportunidade para comprar roupas, calçados, acessórios e pequenos objetos de decoração, por exemplo, mas também smartphones e até drones.

O dia é uma tradição na China há quase três décadas, mas foi a partir de 2009 que se tornou o maior evento de compras do mundo, com o impulso do conglomerado Alibaba. Dados do setor apontam que, em 2021, o Dia do Solteiro chinês teve um faturamento 2,8 vezes maior que a Black Friday dos Estados Unidos.

Um das marcas do grupo Alibaba, a gigante do e-commerce AliExpress trouxe a data para o Brasil no ano passado. Nesta segunda edição, a empresa promete descontos de até 90%, além de iniciativas para impulsionar ainda mais as vendas, como live-ecommerces (vendas ao vivo) em português, descontos progressivos, cashback e frete grátis.

Mas a AliExpress não está sozinha. O dia 11 vai coincidir com o Dia Shopee de novembro, dia que concentra, uma vez ao mês, as maiores promoções da plataforma de vendas. A Black Friday antecipada do marketplace terá descontos de até 50% e cupons de frete grátis.

Já a Shein também vai celebrar a data dupla, que acontece nos mesmos moldes da Shopee, até o dia 14, antecipando ofertas da Black Friday. Os descontos começaram em 22 de outubro, e até o fim da campanha, chegam a 90% em peças selecionadas. Além disso, a empresa vai distribuir cupons de frete grátis, cartões presente de R$ 800 e sortear 99 clientes para um pedido totalmente gratuito.

Apesar da deflação de setembro, terceira queda consecutiva do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado pelo IBGE, a inflação dos alimentos continua pesando no bolso das famílias, com a alimentação em casa acumulando alta de 13,28% nos últimos 12 meses.

Neste cenário, a "Black Friday dos Supermercados" pode ser uma boa oportunidade para encher o carrinho e se preparar para as festas de fim de ano.

A data, criada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para aquecer o consumo em meio a alta dos preços, acontece pela primeira vez em 2022 e será celebrada anualmente no segundo sábado de novembro.

Segundo a entidade, segmentos da indústria, como de bebidas, carnes e laticínios, estão antecipando ofertas do fim do dia 25 para impulsionar os descontos no dia 12. Ainda segundo a Abras, redes como a catarinense Top, o grupo Muffato, do Paraná, e a Nordestão, do Rio Grande do Norte, aderiram à data.

No Rio, no entanto, o movimento ainda é tímido. O Intercontinental, com 20 unidades na Região Metropolitana, planeja promoções em diversos segmentos de produtos no dia 12, mas os percentuais de desconto ainda não foram definidos.

Já outras redes vão focar em descontos apenas na Black Friday tradicional. É o caso das redes Mundial, Pão de Açúcar e Mercado Extra, que planejam promoções no fim de semana da Black Friday. Já o Prezunic prep

A já tradicional Black Friday encerra o mês com os descontos focados em eletrônicos e eletrodomésticos, principalmente nas vendas online. Mas ainda faltando quase duas semanas para o dia 25, grandes varejistas como Magalu, Americanas e Via Varejo, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, já estão em ritmo de esquenta, com promoções antecipando a data.

Historicamente como produto mais procurado pelos consumidores, segundo o setor as televisões devem bater recorde de vendas este ano por conta de uma coincidência inédita: a Copa do Mundo começa no dia 20, cinco dias antes da Black Friday.

Representante do Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Economia Digital (camara-e.net), Gerson Rolim explica que o setor está aquecido, com um crescimento de 4,3% no segundo trimestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

– O segundo semestre costuma ser maior em vendas do que o primeiro por conta das sazonalidades do Dia das Crianças, Black Friday e Natal, mas esse ano é mega atípico com a Copa. As pessoas querem ver os jogos numa tela maior, de melhor resolução e com um bom sistema de som. Estamos muito otimistas. A expectativa é de descontos de pelo menos 20% a 50% – afirma.

Além das TVs, as vendas de celulares também devem aumentar por conta do torneio – com consumidores investindo em celulares turbinados para assistir os jogos mesmo quando estiverem distantes de uma televisão – assim como o segmento de vestuário e acessórios esportivos, como camisas da Seleção Brasileira, chuteiras e bolas de futebol.

Os descontos não ficarão restritos a hora de comprar roupas, calçados, eletrodomésticos e eletrônicos: quem está com o nome sujo também terá neste mês oportunidades de renegociar débitos e se preparar para começar 2023 com mais tranquilidade.

A Serasa já iniciou o Feirão Limpa Nome, que reúne 260 empresas dos segmentos de telefonia, bancos, varejo e universidades, entre outros. Os descontos podem chegar a 99% da dívida, com negociação em até três minutos e baixa da negativação em até 24 horas.

O Feirão vai até o dia 5 de dezembro. A negociação pode ser feita no site da iniciativa (serasalimpanome.com.br), no aplicativo da Serasa (disponível no Google Play e App Store), por telefone (no 0800 591 1222), pelo WhatsApp (11 99575-2096) ou presencialmente em qualquer agência dos Correios.

Dívidas com bancos também podem ser renegociadas no Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e Orientação Financeira, que reúne instituições bancárias e financeiras de todo o país. A iniciativa é uma ação conjunta da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), do Banco Central do Brasil (BCB), da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e dos Procons de todo o país.

Podem participar pessoas físicas com dívidas sem bens dados como garantia e com parcelas de empréstimos e financiamentos em atraso. A negociação pode ser feita através dos canais oficiais dos bancos (meubolsoemdia.com.br/Materias/mutirao-da-negociacao) ou no site da Senacon (consumidor.gov.br).

Antes de ir às compras, o consumidor deve avaliar o que realmente é uma prioridade, fugindo de ofertas tentadoras, mas desnecessárias. Além disso, é importante analisar o orçamento e entender se aquela compra cabe nas finanças da família, para evitar não se endividar e acabar nos cadastros de devedores.

Assessor jurídico da Área de Relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), David Douglas Guedes defende que o planejamento deve estar aliado à pesquisa de preços: ganha mais quem se organiza para as datas promocionais.

– A Black Friday, por exemplo, nos dá muitas opções de consumo e é muito esperada por aqueles que se planejam para comprar itens mais caros. É um período bacana nesse aspecto – avalia.

Uma pesquisa feita pelo Mercado Livre, com base nos 10,5 mil usuários do banco digital da plataforma, o Mercado Pago, mostrou que 80% dos brasileiros pretende gastar até R$ 2 mil na Balck Friday. Com o ticket médio elevado, 85% pretendem parcelar as compras.

Para Guedes, pagar a vista é a melhor opção para não precisar comprometer o orçamento por mais tempo. E mesmo quem se planejou deve reavaliar o gasto na hora da compra:

– O planejamento é importante porque a pessoa já quer e precisa daquele item, consegue avaliar durante um tempo essa necessidade. Mas ainda assim precisa fazer aquele julgamento: Eu preciso disso? É importante? Vai comprometer meu orçamento nos próximos meses, caso o pagamento seja parcelado?

Seja no mercado, nas lojas de roupas e calçados ou na hora de comprar uma nova TV na black friday das grandes varejistas, quem quiser garantir bons descontos precisa, antes de tudo, pesquisar os preços dos produtos desejados para não cair em nenhuma oferta "pela metade do dobro".

Sites como Zoom, Buscapé e BondFaro, que comparam preços, são boas ferramentas para o acompanhamento das preços, além dos Procons e o site Reclame Aqui, onde é possível consultar a reputação da empresa, se ela cumpre suas obrigações e como lida com problemas com o consumidor.

Outro cuidado deve ser com a segurança nas compras online: detalhes como a presença do "https" no início do endereço do site, o cadeado no canto direito da barra de navagação e selos de segurança indicam que o portal é confiável.

– Temos muitas fraudes nesse período. Muitas pessoas mal intencionadas usam nomes muitos parecidos aos de grandes varejistas para cometer fraudes. É preciso estar atento – orienta David Douglas Guedes, do Idec. A entidade reúne em seu site (idec.org.br/blackfriday) uma página com dicas e recomendações para que o consumidor não caia em pegadinhas.

Quem encontrar alguma oferta falsa, deve prestar queixa ao Procon. Já se for vítima de fraude, o consumidor precisa registrar um boletim de ocorrência numa delegacia.

Antes de ir às compras, o consumidor deve avaliar o que realmente é uma prioridade, fugindo de ofertas tentadoras, mas desnecessárias. Além disso, é importante analisar o orçamento e entender se aquela compra cabe nas finanças da família, para evitar não se endividar e acabar nos cadastros de devedores.

Assessor jurídico da Área de Relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), David Douglas Guedes defende que o planejamento deve estar aliado à pesquisa de preços: ganha mais quem se organiza para as datas promocionais.

– A Black Friday, por exemplo, nos dá muitas opções de consumo e é muito esperada por aqueles que se planejam para comprar itens mais caros. É um período bacana nesse aspecto – avalia.

Uma pesquisa feita pelo Mercado Livre, com base nos 10,5 mil usuários do banco digital da plataforma, o Mercado Pago, mostrou que 80% dos brasileiros pretende gastar até R$ 2 mil na Balck Friday. Com o ticket médio elevado, 85% pretendem parcelar as compras.

Para Guedes, pagar a vista é a melhor opção para não precisar comprometer o orçamento por mais tempo. E mesmo quem se planejou deve reavaliar o gasto na hora da compra:

– O planejamento é importante porque a pessoa já quer e precisa daquele item, consegue avaliar durante um tempo essa necessidade. Mas ainda assim precisa fazer aquele julgamento: Eu preciso disso? É importante? Vai comprometer meu orçamento nos próximos meses, caso o pagamento seja parcelado?