Black Friday: saiba como evitar compras por impulso

Camilla Muniz
Nas lojas, o ambiente e o poder de convencimento dos vendedores aumentam o risco de comprar por impulso

Estamos às vésperas da Black Friday, a liquidação mais esperada do ano. Em promoções de grande apelo, os consumidores são influenciados psicologicamente pelos altos descontos anunciados, pelo medo de perder uma ótima oportunidade de negócio e pelo “efeito manada”— imitação do comportamento dos demais. O perigo disso é fazer compras por impulso. Para driblar o risco, algumas estratégias podem ser adotadas para evitar que você compre itens desnecessários e se endivide.

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Há cerca de dois anos, a jornalista e empreendedora Denise Wasserman, de 54 anos, deixou os tempos de pouco autocontrole para trás e passou a comprar de forma mais consciente. Segundo ela, o segredo é avaliar bem as oportunidades, pois o que parece uma superoferta, muitas vezes, é um blefe. Denise integra o time de “caçadores de ofertas” do “Qual oferta”, plataforma dos jornais O GLOBO, EXTRA e Expresso que reúne no impresso e no digital as melhores promoções de supermercados, drogarias e lojas de departamento de Rio e Grande Rio.

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“Nós vivemos um momento incerto na economia, então é preciso segurar mais a onda. A Black Friday é uma boa chance de comprar barato, mas acho que as pessoas só devem comprar o que estão precisando. Para mim, não se deve comprar algo só porque o preço está mais baixo. Há vários períodos de promoção durante o ano, não é só este", aconselha Denise.

Lista de desejos

De acordo com a especialista em Economia Comportamental Flávia Ávila, para evitar as compras por impulso na Black Friday, a primeira coisa a se fazer é organizar uma lista com tudo aquilo que se quer e precisa comprar. Separar uma quantia para ser gasta na liquidação também é importante, porque estabelece um limite.

"Caso a pessoa já tenha feito alguma compra no passado da qual se arrependeu, o melhor é deixar o cartão longe ou com alguém de confiança. Outra possibilidade é colar um recado divertido no celular para ajudar a evitar o impulso e acabar comprando algo de que não precisava ou usando o crédito sem ter dinheiro para pagar a fatura lá na frente", diz Flávia Ávila, sócia da consultoria InBehavior Lab.

Lojas físicas x lojas online

O risco de descontrole é maior nas compras pela internet, devido à facilidade de finalizar negócio com apenas alguns cliques. A dica é não cadastrar o cartão nas lojas online. A especialista em Economia Comportamental afirma que o simples fato de sair da frente da tela para pegar o cartão de crédito na carteira possibilita a reflexão sobre a real necessidade da aquisição.

Em lojas físicas e shoppings, no entanto, outras variáveis entram em ação: o ambiente e o poder de convencimento dos vendedores. Para não agir impulsivamente, vale usar a famosa frase “eu vou pensar um pouco e depois volto” e até deixar o cartão de crédito no carro.

Arrependimento e devolução

Quando a compra é feita pela internet, o consumidor pode exercer o direito de arrependimento no prazo de sete dias após a aquisição ou o recebimento do produto. A desistência permite a devolução do item e o ressarcimento do valor integral pago por ele. Não é preciso justificar o desfazimento do negócio — ou seja, quem agiu por impulso e repensou a compra depois pode utilizar o recurso.