Blackout Tuesday: Spotify, Amazon, Apple e YouTube anunciam apoio à campanha

Rafael Arbulu

As empresas de streaming de música anunciaram seu apoio à campanha “Blackout Tuesday” (“Blecaute de Terça-feira”, na tradução literal), um movimento alavancado nas redes sociais em meio aos protestos que vêm ocorrendo nos Estados Unidos desde o último final de semana. Os protestos em si são motivados pela luta de cidadãos negros contra a violência policial exercida contra eles por autoridades brancas.

O episódio específico que serviu de estopim para os protestos e, consequentemente, o apoio de parte das empresas do mundo foi o assassinato de George Floyd, capturado em vídeo por pedestres. Na ocasião, Floyd (46 anos, afro-americano), que estava sendo acusado de tentar fazer uma compra com uma nota falsa, estava imobilizado, rendido e desarmado, com o policial (branco) Derek Chauvin apoiando seu joelho sobre o pescoço do homem durante uma média de nove minutos. Floyd não resistiu e acabou morrendo momentos depois.

O Spotify anunciou que fará um “momento de silêncio” em playlists e podcasts selecionados da plataforma. O “momento” terá duração de 8 minutos e 46 segundos — o tempo de duração do vídeo que mostra o assassinato de George Floyd.

O Apple Music, por sua vez, cancelou a programação normal de sua rádio — a conhecida Beats 1 Radio —, promovendo uma estação que celebra músicas e composições feitas por artistas negros. Além disso, sua aba de músicas recomendadas conta com a seção “For Us, By Us” (“Para Nós, Por Nós”, na tradução literal), uma playlist que também contém especificamente faixas de compositores afro-descendentes. Por fim, uma intermissão (uma espécie de banner sem links ou propaganda de produto, geralmente usado para veicular mensagens específicas) contendo uma mensagem de apoio ao movimento #BlackLivesMatter vem sendo exibida para alguns usuários.

(Imagem: Reprodução/9to5Mac)

O Amazon Music tuitou seu apoio ao movimento #BlackLivesMatter (após o Amazon Prime Video e a Netflix, conjuntamente, declararem seu apoio, também), ressaltando que fará uma pausa de 24 horas de todas as redes sociais. Finalmente, o YouTube Music tuitou seu apoio ao movimento, além de prometer uma doação de US$ 1 milhão (R$ 5,37 milhões na cotação da manhã de 2 de julho de 2020) ao Centro de Policiamento da Igualdade (Center for Policing Equity).



Todas as ações são ordenadas pela ação “Blackout Tuesday”, idealizada pela chefe de marketing da gravadora Atlanta Records, Jamila Thomas; e uma ex-funcionária da empresa, Brianna Agyemang, que levantaram a hashtag “#TheShowMustBePaused” (“O Show Tem que Pausar”, na tradução livre). A emissora CBS e sua empresa subisidiária Viacom também prometeram um “momento de silêncio” de 8 minutos e 46 segundos.

“O dia 2 de junho é o dia do ‘Black Out Tuesday’, um dia voltado à desconexão coletiva do trabalho, como intuito de ajudar as pessoas a refletirem e se unirem em apoio à comunidade negra”, disse a Spotify, em um post em seu blog oficial. “Neste dia — e todo dia — o Spotify vai apoiar os nossos funcionários, amigos, parceiros, artistas e criadores na luta contra o racismo, desigualdade e injustiça. Nós estamos usando o poder de nossa plataforma para nos levantarmos junto dos criadores negros, amplificar as suas vozes e acelerar a conversa sobre uma mais do que necessária mudança. Como resultado, você vai perceber algumas mudanças a partir da meia noite de terça-feira”.

O Spotify também prometeu ausência das redes sociais por 24 horas, além de substituir títulos e imagens de podcasts e playlists com uma imagem obscurecida, além de promover com mais ênfase artistas e podcasters negros com playlists especialmente curadas, bem como maior veiculação de seu hub “Black History Is Now”. Doações feitas por funcionários da empresa de streaming também serão dobradas pela própria companhia, direcionadas a organizações de apoio à luta das pessoas negras.

Fonte: Canaltech