BlackWin quer viabilizar rodadas de investimentos em startups com negros dos dois lados do balcão

A economista brasileira Luana Ozemela tem usado a experiência que acumulou na estruturação do financiamento de negócios de impacto social em vários países no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e como líder de uma consultoria de negócios internacionais para atuar como mentora de empreendedores negros.

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Entre os muitos projetos que desenvolveu nos últimos anos nesse sentido está um laboratório para preparar mulheres e homens negros à frente de negócios promissores para conquistar investidores em rodadas financeiras. Para quem lidera uma startup, o aporte vindo de um investidor-anjo é o que pode fazer a diferença entre viabilizar ou não uma boa ideia.

Não faltam indicadores, mas nem é preciso citá-los para constatar que, entre as startups mais capitalizadas no país há poucos negros na liderança. Mas Luana — ao acordar numa manhã após um sonho em que se via numa sala de reuniões com outras mulheres negras falando sobre investimentos —, teve um estalo: também há pouquíssimos negros do outro lado do balcão, entre os investidores. E como as mulheres são minoria no mundo dos investimentos, ela chegou a uma conclusão óbvia: falta presença feminina e negra nesse jogo.

Foi assim que surgiu a ideia de criar a BlackWin, uma plataforma digital que pretende conectar empreendedores negros e investidoras-anjo negras e que sai do papel nesta segunda-feira. A partir de hoje, empreendedores negros em busca de capital poderão se inscrever para apresentar seus negócios para um grupo de 20 mulheres negras que têm habilidades e condições financeiras de viabilizar cheques de R$ 100 mil em rodadas que poderão ser decisivas para startups promissoras.

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Nesta nova empreitada, Luana se juntou a Jéssica Rios, fundadora da Vox, um dos primeiros fundos de investimentos de impacto social no Brasil. Elas passaram meses se reunindo com mulheres negras bem-sucedidas como elas para chegar às 20 investidoras da plataforma interessadas em unir o útil ao agradável: ajudar a viabilizar negócios de empresários negros e descobrir que podem ganhar dinheiro com esse tipo de investimento de risco. A economista é taxativa: não há nada de filantropia na BlackWin.

— Temos uma tese de investimentos, vamos focar em negócios na área de tecnologia. Avaliamos cada empresa da mesma maneira que qualquer investidor avalia empresas lideradas por empresários brancos. Fazemos todo o due diligencie (espécie de auditoria dos números e fundamentos), numa análise tão rigorosa quanto as análises do mercado. Ao mesmo tempo, a prioridade é promover a mobilidade e a ascensão social de pessoas negras dos dois lados — explica Luana.

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Gestores de investimentos e outros grupos de investidores poderão participar das rodadas, aumentando o potencial de investimento nas empresas. Luana diz que essa ideia veio das evidências de que empreendedores negros têm mais dificuldades de convencer investidores brancos do potencial do seu negócio. Já mulheres negras familiarizadas com o mundo dos investimentos não têm a mesma barreira estrutural. Ao contrário, ela frisa:

— Acreditamos que há um número grande de empreendedores negros com negócios que são passíveis de alcançar alta rentabilidade, mas que não estão recebendo investimentos. Com nosso olhar, temos melhores condições de enxergar o potencial desses negócios. E aí temos uma vantagem competitiva.

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