Blecaute no Amapá mobiliza governo, mas retomada total de energia pode demorar

Por Luciano Costa
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Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque
Ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque

Por Luciano Costa

(Reuters) - O governo do presidente Jair Bolsonaro mobilizou autoridades e técnicos do setor de energia para buscar restabelecer o fornecimento de eletricidade no Amapá após um blecaute registrado no Estado da região Norte ainda na noite de terça-feira, um problema que continua impactando a região.

Apesar dos esforços, a retomada total do suprimento elétrico no Amapá ainda pode levar dias, e no momento equipes buscam recuperar ao menos entre 60% e 70% da carga local de forma mais imediata, talvez ainda nesta quinta-feira, disse o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Em paralelo, o governo pretende levar geradores para garantir a segurança energética local, acrescentou ele, ao falar com jornalistas no Amapá, para onde foi após sua pasta ter criado um gabinete de crise para cuidar do caso.

A falha no fornecimento foi causada por um incêndio em uma subestação que atingiu transformadores de energia e levou à interrupção de 250 megawatts em carga, afetando a capital Macapá na noite de terça-feira, segundo o Operador Nacional do Sistema (ONS).

"Temos uma perspectiva de reparos de um dos transformadores ainda no dia de hoje. O que, se for bem sucedido, resulta na retomada de 60% a 70% da carga do Estado do Amapá", disse Albuquerque.

O Amapá tem cerca de 862 mil habitantes, sendo que a grande maioria (513 mil) vive na capital, a área mais afetada pela queda de energia.

"Estamos desencadeando outras ações para que em um prazo de até 30 dias todos os transformadores necessários para dar total segurança energética ao Estado estejam totalmente restabelecidos", acrescentou o ministro.

Ele disse que, em paralelo, ações têm sido tomadas para levar transformadores substitutos ao Estado para garantir o fornecimento, provavelmente com equipamentos que hoje estão no Amazonas.

"Prioridade número 1 que foi dada pelo presidente Bolsonaro é restabelecer o fornecimento de energia para a população do Amapá. Estamos trabalhando para que isso ocorra na maior brevidade possível. Temos expectativa de que possa ocorrer ainda no dia de hoje. Se não, vamos continuar trabalhando para que isso possa acontecer amanhã ou depois de amanhã."

O secretário de Energia Elétrica do ministério, Rodrigo Limp, explicou aos jornalistas que três transformadores foram impactados pelo incêndio, mas um deles já passou por reparos e será submetido a testes ainda nesta quinta-feira.

"Os testes estão sendo feitos... a partir daí nossa expectativa é poder recompor boa parte do sistema", afirmou ele.

"Essa é a solução de mais curto prazo. Temos mais duas soluções, em termos de transformadores, para médio prazo", apontou ele.

Essas medidas envolvem o transporte e montagem de transformadores substititutos para a subestação atingida, o que pode levar cerca de 20 dias, explicou.

Apenas a hidrelétrica de Coaracy Nunes não depende de transformador de energia no Estado, o que ajuda a explicar a dificuldade para a retomada do fornecimento, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto, acrescentando que o Estado também depende de importação de eletricidade via "linhão".

Além do secretário e do ministro, diretores da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do ONS também foram ao Amapá.

O governador do Estado, Waldez Góes, escreveu no Twitter que a chegada dos técnicos "é fruto da articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP)".

O presidente do Senado chegou a gravar um vídeo na véspera ao lado do ministro Albuquerque para afirmar que buscava soluções para o blecaute.

O irmão de Alcolumbre, Josiel, é candidato à prefeitura da capital Macapá. Procurado, o senador não respondeu de imediato a pedidos de comentário.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)