Para amenizar repercussão, Bolsonaro defenderá que vídeos não convocam ataques

Debora Álvares
Presidente em julho de 2018, durante a campanha eleitoral. 

Depois de compartilhar vídeos com convocação de manifestações para 15 de março, o presidente Jair Bolsonaro vai se apoiar no argumento de que nenhum deles faz menção direta a ataques a outros poderes para tentar reduzir a repercussão negativa do episódio. Além disso, decidiu solicitar que seus ministros evitem comentar e, especialmente, comparecer aos atos. 

O convencimento do mandatário se deu, desta vez, pelas mãos do general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo da Presidência, que tomou a frente da persuasão do mandatário até para que Bolsonaro falasse sobre o tema no Twitter esta manhã. 

Ramos tem sido procurado por parlamentares desde a noite de terça (25) e ouvido reclamações sobre o apoio do presidente aos atos. 

Entre os recados que chegam pelos congressistas estão que as atitudes de Bolsonaro “elevam muito a temperatura” e que, se assim continuarem, o acordo costurado nas últimas semanas em torno dos vetos presidenciais ao Orçamento pode não ser cumprido, segundo dois deputados que conversaram com o ministro. 

Esse acordo, porém, já vem sendo posto em xeque desde as declarações, na semana pré-Carnaval, do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, que acusou o Congresso de “chantagear” o governo. O áudio foi captado pelo jornal O Globo durante uma cerimônia.

O presidente compartilhou ao menos dois vídeos pelo WhatsApp que chamam a população às ruas em seu favor. Segundo justificou nesta quarta-feira (26), tratam-se de mensagens privadas. Ao se explicar, porém, não desmentiu os vídeos e tampouco tratou de tentar amenizar o clima das redes sociais. 

Por lá, há inúmeras mensagens em tom mais elevado por parte de bolsonaristas e aliados seus, que falam em ataques contra o Congresso e o Judiciário, e também na participação de militares nos atos.

No Planalto, apesar das orientações para que os ministros do governo não comentem ou apoiem publicamente as...

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