Blinken na Jordânia para consolidar o cessar-fogo em Gaza

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O secretário de Estado americano, Antony Blinken, terminou o dia de compromissos nesta quarta-feira (26) na Jordânia, onde se reuniu com o rei Abdallah II, na última etapa de sua viagem pelo Oriente Médio para consolidar o cessar-fogo entre Israel e o movimento palestino Hamas.

O diplomata americano se reuniu mais cedo com o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sissi, cujo país desempenhou um papel importante para silenciar as armas em Gaza, antes de ir para a Jordânia, onde metade dos 10 milhões de habitantes é de origem palestina.

"O cessar-fogo era importante", ressaltou Blinken aos jornalistas logo após a reunião com o rei jordaniano. "Mas vemos o cessar-fogo não como um fim, mas como o início de algo que deve ser construído", afirmou.

"Nossas entrevistas hoje no Cairo e em Amã, na verdade toda esta viagem, refletem uma realidade fundamental", ressaltou.

"Se quisermos evitar o retorno da violência nas últimas semanas, os países da região devem se ajudar e apoiar uns aos outros", acrescentou Blinken.

Por sua vez, o rei Abdallah II observou em comunicado do palácio real "a necessidade de preservar o estatuto histórico e jurídico de Jerusalém e não afetar os seus lugares sagrados", administrados pela Jordânia, país vinculado a Israel por um tratado de paz.

A reunião anterior com o presidente egípcio Sissi durou aproximadamente uma hora e meia. Também estiveram presentes o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Shukri, e o chefe dos serviços de Inteligência egípcios (GIS), Abas Kamel. Ambos desempenharam um papel discreto, mas ativo, nas negociações.

Antes de seguir para o Egito, Blinken se reuniu nesta quarta-feira pela manhã com o presidente israelense, Reuven Rivlin, a quem parabenizou no Twitter por sua "promoção da coexistência, da tolerância e da paz".

Em um comunicado, Blinken confirmou que os Estados Unidos estavam "em processo de fornecer" mais de US$ 360 milhões em ajuda para os palestinos, incluindo US$ 38 milhões em ajuda humanitária.

O Catar anunciou nesta quarta-feira uma ajuda de US$ 500 milhões para a reconstrução da Faixa de Gaza.

- Ajuda econômica -

O secretário americano disse ainda que está "trabalhando com o Congresso dos Estados Unidos" para fornecer US$ 75 milhões em ajuda econômica e de desenvolvimento. Além disso, está prevista uma ajuda emergencial de US$ 5,5 milhões para a Faixa de Gaza, gravemente afetada pelos bombardeios israelenses.

O empobrecido e densamente populoso enclave chega a quase 15 anos sob um rígido bloqueio israelense e é governado pelo Hamas.

O chefe do gabinete político do Hamas em Gaza, Yahya Sinouar, afirmou nesta quarta-feira que "nem um centavo" da ajuda internacional será desviado.

A ajuda americana não deve passar por este movimento islamita, "que não trouxe nada além de miséria e desespero para Gaza", frisou Blinken em seu comunicado.

Na terça-feira (25), Blinken conversou em Jerusalém com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e depois com o presidente palestino, Mahmud Abbas, em Ramallah.

Nessas conversas, garantiu que deseja reconstruir a relação dos Estados Unidos com os palestinos, reconhecendo o "direito" de Israel a se defender.

Blinken afirmou, ainda, que é "possível retomar os esforços para alcançar uma solução de dois Estados", israelense e palestino, a qual foi deixada de lado por Donald Trump.

Nesse mesmo sentido, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab, destacou em Londres "a urgente necessidade de se fazer progressos reais para um futuro mais positivo para israelenses e palestinos e de romper o ciclo de violência que custou tantas vidas".

De 10 a 21 de maio, 254 palestinos morreram por bombardeios aéreos israelenses na Faixa de Gaza, entre eles combatentes e 66 crianças, segundo as autoridades locais.

Em Israel, o lançamento de foguetes de Gaza matou 12 pessoas, entre elas uma criança, uma adolescente e um soldado, segundo a polícia.

- Potência regional -

Primeiro país árabe a assinar um tratado de paz com Israel em 1979, o Egito mantém relações tanto com Israel quanto com o Hamas, um movimento islamita considerado "terrorista" por Israel, pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Presentes em ambos os lados do conflito, os mediadores egípcios trabalham para consolidar um cessar-fogo que não inclui pré-condições para o fim das hostilidades, nem estabelece algum plano para a reconstrução de Gaza.

Com sua mediação, o Egito pretende recuperar seu histórico papel regional. O cessar-fogo de sexta-feira é uma vitória diplomática para o governo de Al-Sissi, mais acostumado a receber críticas pela situação dos direitos humanos em seu país.

Na semana passada, o Egito enviou ajuda médica e alimentos para a Faixa de Gaza, por meio da passagem fronteiriça de Rafah. Também prometeu destinar US$ 500 milhões em ajuda para a reconstrução de Gaza.

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