Blinken diz que ataques russos à rede de energia da Ucrânia não dividirão aliados de Kiev

Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, durante reunião da Otan em Bucareste

Por Humeyra Pamuk

BUCARESTE (Reuters) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, disse nesta quarta-feira que o presidente russo, Vladimir Putin, concentrou seu "fogo e ira" na população civil da Ucrânia, e alertou que a estratégia recente da Rússia, de atacar instalações de infraestrutura vitais no país, não conseguirá dividir os apoiadores da Ucrânia.

"Aquecimento, água, eletricidade... esses são os novos alvos do presidente Putin. Ele os está atingindo com força. Essa brutalização do povo ucraniano é bárbara", disse Blinken em entrevista coletiva em Bucareste, após dois dias de cúpula da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Blinken acusou Putin de tentar dividir a coalizão ocidental e forçá-la a abandonar a Ucrânia, congelando e deixando ucranianos famintos e elevando os custos de energia não apenas na Europa, mas em todo o mundo.

"Esta estratégia não funcionou e não funcionará. Continuaremos a provar que ele está errado. Isso é o que ouvi alto e claramente de todos os países aqui em Bucareste", acrescentou Blinken.

A Rússia tem realizado grandes ataques à infraestrutura de transmissão de eletricidade e aquecimento da Ucrânia quase semanalmente desde outubro, no que Kiev e seus aliados dizem ser uma campanha deliberada para prejudicar civis, e classificam como um crime de guerra.

Os Estados Unidos e os aliados ocidentais concentraram sua atenção em fornecer dinheiro à Ucrânia, bem como equipamentos relevantes para aumentar a resiliência energética de Kiev. Os recentes ataques da Rússia deixaram milhões de pessoas no escuro e sem aquecimento em meio a temperaturas abaixo de zero.

Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira 53 milhões de dólares para apoiar a compra de equipamentos de rede elétrica para a Ucrânia e entregá-los ao país com urgência, depois que o governo ucraniano disse que precisava de transformadores e geradores, além de sistemas de defesa aérea.

(Reportagem de Humeyra Pamuk; reportagem adicional de Doina Chiacu e Simon Lewis)