Secretário de Estado dos EUA diz que até agora não houve pedido do Brasil sobre ataques em Brasília

Forças de segurança durante ataque de bolsonaristas às sedes dos Três Poderes em Brasília

Por Humeyra Pamuk

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos não receberam qualquere pedido específico do Brasil sobre a invasão das sedes dos Três Poderes em Brasília por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, nesta quarta-feira.

"Não recebemos nenhuma solicitação específica das autoridades brasileiras. Claro, se e quando recebermos, trabalharemos rapidamente para responder", disse Blinken, falando em entrevista coletiva no Departamento de Estado.

Bolsonaro viajou para a Flórida dois dias antes de seu mandato terminar em 1º de janeiro, sem ter reconhecido cabalmente a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição de 30 de outubro e após ter levantado dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas.

No domingo, apoiadores de Bolsonaro que pedem um golpe contra Lula invadiram o Palácio do Planalto, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), no pior ataque às instituições do país em décadas.

Depois que apoiadores do ex-presidente dos EUA Donald Trump invadiram o Capitólio há dois anos, o presidente democrata Joe Biden agora enfrenta uma pressão crescente para remover Bolsonaro de seu exílio autoimposto em Orlando, na Flórida.

Mas Blinken se recusou a comentar o caso específico de Bolsonaro. "No que diz respeito aos indivíduos, estamos falando agora de pessoas que são cidadãos privados... Não é apropriado comentarmos sobre a situação do visto de qualquer indivíduo", disse.

Bolsonaro disse que voltará ao Brasil mais cedo do que o planejado por motivos médicos, após ter sido hospitalizado por um quadro de obstrução intestinal.

Ele enfrenta várias investigações no STF e seu futuro nos Estados Unidos, para onde viajou com visto concedido a chefes de Estado, diplomatas e outros funcionários do governo, está em discussão.

O porta-voz do Departamento de Estado, Ned Price, disse na segunda-feira que qualquer pessoa nos Estados Unidos com um visto A-1 que não esteja mais envolvido em funções oficiais deve deixar o país dentro de 30 dias ou solicitar uma mudança de status de imigração. Price disse que não poderia comentar sobre a situação do visto de um indivíduo específico, mas que estava falando em termos gerais sobre as regras de visto.

Blinken repetiu que Washington apoia a democracia brasileira e suas instituições. "O presidente terá a oportunidade de conversar direta e estreitamente com o presidente Lula quando ele visitar Washington no início de fevereiro", acrescentou Blinken.

(Reportagem de Humeyra Pamuk e Eric Beech em Washington)