Blinken pede à América Central que defenda a democracia para aliviar imigração

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O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, chega a San José (Costa Rica) em 1º de junho de 2021

O Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, pediu nesta terça-feira (1º) que a América Central defenda a democracia e combata a corrupção para lutar contra as "raízes" do fluxo de migrantes para os Estados Unidos, em um momento em que as tensões com certos países complicam a tarefa de Washington.

“Bons governos são cruciais para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades. No entanto, nos reunimos em um momento em que a democracia e os direitos humanos são minados em muitas partes da região”, declarou Blinken após se reunir na Costa Rica com o presidente Carlos Alvarado.

"Vemos isso na erosão da independência do judiciário, na repressão da mídia independente e de organizações não governamentais, na proibição de oponentes políticos e na retrocesso na luta contra a corrupção", acrescentou o secretário de Estado de Joe Biden.

"Esta é uma das razões pelas quais as pessoas deixam suas casas. Elas não confiam em seus governos", havia dito mais cedo Julie Chung, diretora para as Américas do Departamento de Estado dos EUA.

Os comentários de Blinken ocorrem em um momento em que Washington intensifica suas críticas ao presidente de El Salvador, Nayib Bukele, por minar a independência do Judiciário, após a destituição pelo Congresso de um grupo de magistrados e do procurador-geral.

Os EUA também criticam o presidente Daniel Ortega, da Nicarágua, apontado por organizações de direitos humanos por tentar tirar seus oponentes da disputa pelo quarto mandato consecutivo.

- Eleições imparciais -

“Que os funcionários públicos sejam responsáveis e protejam os direitos dos cidadãos, que tenham eleições livres e justas e que não usem seu poder para punir seus críticos e que todos continuemos a trabalhar para melhorar a vida das pessoas de maneiras concretas”, continuou Blinken.

O secretário de Estado americano exortou a América Central a se comprometer, independentemente de serem politicamente orientados de centro, direita ou esquerda, a trabalhar para renovar seus sistemas democráticos e "pensar primeiro em melhorar a vida das pessoas".

“Entendemos como a democracia pode ser frágil. Em nosso país também tivemos problemas há alguns anos. Mas a experiência ressaltou a importância de fortalecer as instituições e as normas que salvaguardam a democracia”, acrescentou.

Para sua primeira visita à América Latina, Blinken optou por viajar a San José, onde se reúnem os chanceleres dos países membros do Sistema de Integração Centro-Americana (Sica): Costa Rica, Belize, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, República Dominicana e El Salvador, além de representantes do México.

Durante a visita, Blinken elogiou o "exemplo" da Costa Rica, que acaba de ingressar na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O presidente Alvarado destacou a “relação de valores comuns” com os Estados Unidos como “democracia, direitos humanos e progresso voltado para as pessoas, por acreditar no multilateralismo como a forma pela qual os países deste mundo da globalização podem conviver em paz".

- Compromisso com a imigração -

No centro dessa viagem de dois dias está a complicada questão da migração, uma dor de cabeça para o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

"O que queremos ouvir de nossos parceiros é um compromisso compartilhado de abordar, conosco, as causas básicas" da "imigração ilegal", disse Antony Blinken em uma entrevista coletiva ao lado do presidente Alvarado.

“O que leva as pessoas a deixar tudo o que conhecem, sua casa, sua família, sua comunidade, sua cultura, sua língua, é porque sentem que não têm outra opção”, acrescentou.

Ao chegar à Casa Branca em janeiro, Biden teve que lidar rapidamente com um grande fluxo de migrantes da América Central na fronteira com o México. Os opositores republicanos acusam o presidente democrata, que prometeu uma política de imigração mais "humana", de ter criado um efeito de atração ao país e agora negar a existência de uma crise.

Biden confiou à sua vice-presidente, Kamala Harris, esse tema de alto risco. Por enquanto, ela prometeu uma ação global contra as "causas profundas" da chegada de migrantes, sem entrar em detalhes, antes de uma primeira viagem ao México e à Guatemala marcada para a próxima semana.

E para materializar seu desejo de enfrentar o problema "na raiz", anunciou um apoio de 4 bilhões de dólares ao longo de quatro anos para ajudar o desenvolvimento de Honduras, Guatemala e El Salvador, conhecido como Triângulo Norte da América Central.

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