Bloco de Maia tenta evitar traições a Baleia Rossi

Natália Portinari
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Natália Portinari/Agência O Globo

BRASÍLIA - Após a escolha do nome de Baleia Rossi (MDB-SP) como candidato do bloco de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara dos Deputados, a próxima etapa é tentar evitar “fogo amigo” dentro do grupo. O candidato rival, Arthur Lira (PP-AL), tem aliados em partidos de todo o espectro ideológico.

Atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia deu endosso à escolha do nome de Baleia na última quarta-feira em detrimento de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que era o predileto da oposição. O bloco conta com 11 partidos (DEM, MDB, PSDB, PSL, Cidadania, PV, PT, PSB, PDT, Rede e PCdoB) e 268 deputados.

Apesar de os blocos serem importantes para determinar quem ficará com cargos na Mesa Diretora, eles não podem ser usados como uma prévia da eleição, que ocorre em fevereiro de 2021. Isso porque o voto é secreto, e os deputados são liberados por seus partidos. A vantagem numérica de Maia e Baleia não significa que o bloco deles terá um caminho fácil até a vitória.

As “traições” podem beneficiar Lira em diversos partidos. A ala governista do PSL, por exemplo, que consiste em no mínimo 12 deputados de 53, deve apoiar Arthur Lira caso a disputa se polarize entre ele e Baleia. Lira tem o apoio do presidente Jair Bolsonaro, que tem interferido a seu favor.

O bloco de Maia quase perdeu o apoio do PSL para Lira, mas o presidente da sigla, Luciano Bivar (PE), deu a palavra final e decidiu compor o grupo. Os bolsonaristas mantêm grupo separado dos demais deputados dentro do PSL.

No PSB também há apoio a Arthur Lira. Júlio Delgado (PSB-MG) alfinetou o MDB em sua rede social: “Como presidente nacional do MDB, o candidato Baleia Rossi deve determinar a imediata renúncia dos líderes do governo Bolsonaro no Congresso e no Senado, que são do seu partido. Se não fizer isso, a Câmara livre é só slogan de campanha”.

Articulação com PSB

O PSB é um dos partidos que integram o bloco, mas Delgado é um dos cerca de 15 deputados do PSB que apoiavam o endosso a Lira, e não ao bloco capitaneado por Maia. O partido é liderado por Alessandro Molon (RJ), que apoiou a adesão à frente ampla de partidos de esquerda e centro.

Baleia e Maia viajaram a Pernambuco para se encontrar com o governador do estado, Paulo Câmara (PSB), e tentar aparar as arestas dentro do partido. Aliados de Baleia ouvidos pelo GLOBO esperam que Câmara intervenha em prol de Maia e acalme os ânimos dentro do PSB.

Parte das “traições” é explicada também pelos apelos do Planalto em prol de Lira. O governo atua com força na negociação de cargos e emendas em troca de apoio por seu candidato. Segundo interlocutores, essa iniciativa tem envolvido até partidos de oposição.

No PSDB, partido do núcleo duro de Rodrigo Maia, há também uma fração de deputados que apoia Lira. São aqueles ligados a Aécio Neves (PSDB-MG), oito de 31. O PSDB governista tentou assumir a liderança do partido recentemente, mas não teve sucesso por ser minoria.

Lira procurou o PT esta semana e tentou agir para que a sigla apoiasse Aguinaldo Ribeiro ou decidisse por candidatura própria, posição defendida por quase metade da bancada e pela presidente do partido, Gleisi Hoffmann (PR). Lira tentou explorar a divisão existente entre os petistas, que rechaçam Baleia pelo fato de o MDB ter tido papel central no impeachment de Dilma Rousseff. A ideia é dividir o bloco de Maia aproveitando que Dilma e Fernando Haddad criticaram o apoio a Baleia Rossi.