Reportagem 3 por 4
  • Depois que tanta gente falou, escreveu, vociferou e cantou sobre os rolezinhos, agora é a hora de digerir o acontecimento entre aqueles diretamente envolvidos nele: o jovens de periferia. Eles são muitos e nem todos entenderam o que era aquela galera andando pelos shoppings enquanto os lojistas e seguranças entravam em pânico. Para investigar as origens e sentidos do acontecimento, a jovem Maria Nascimento Santana saiu em busca de rolezeiros e outros jovens que olham o acontecimento de lugares diferentes.

    Recém formada do ensino médio numa escola pública de Taboão da Serra, zona sul da grande São Paulo, ela faz parte da Énois, um grupo que trabalha educação e comunicação com jovens da periferia. A Énois organizou um debate no Itaú Cultural no dia 11 de fevereiro com rolezeiros e jovens de toda a cidade. Depois de suas andanças, Maria foi a mediadora do debate. Como convidada especial do blog essa semana, ela escreve sobre suas dúvidas, angústias e sobre o que aprendeu sobre o rolezinho

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  • Raphaela Laet, também conhecida como Queen B , é uma das musas dos jovens fãs de jogos na Internet no Brasil. Aos 20 anos, ela é craque no League of Legends, o jogo online mais pop do mundo, com 27 milhões de jogadores por dia. Além disso, é loira e tem cabelos compridos que ganham mexas de cores diversas ao longo do ano, corpo cheio de curvas, quase dois metros de altura quando sobre saltos (ou seja, sempre), sua maquiagem costuma ser caprichadíssima e ela desfila num guarda-roupas de peças minúsculas (a foto acima foi tirada em um raro momento em que ela posava para o ensaio de um amigo). Sua imagem jogando ao vivo League of Legends já chegou a 11 mil espectadores em uma só partida. Os selfies de Rapha, como é chamada pela família, com quem mora em Guarulhos, têm centenas de curtidas e dezenas de comentários no Facebook. A página criada em setembro já tem quase 5 mil seguidores.

    “Queen”. “Diva”. “Linda. “Musa”. “Eu quero ser vc”. “Eu quero vc”. São algumas das frases que se

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  • “Em momentos de polarização da luta, a trincheira só tem 2 lados. É preciso escolher o seu!”. Com essas palavras, Vivian Mendes encerrou o relato em sua página no Facebook sobre o que aconteceu na noite do último sábado, dia 25, depois de passar pela traumática experiência da violência policial no protesto “Sem Direitos, Não vai ter Copa”. Ela foi uma das pessoas que buscaram refúgio no Hotel Linson, na Rua Augusta. O grupo foi encurralado e agredido física e verbalmente pela Tropa de Choque dentro do saguão antes de ser levado à delegacia para “averiguação”.

    Vivian escreveu essas palavras ainda inflamada pelas imagens que vira horas antes: o estudante Vinícius Duarte sendo espancado com cassetete, chutes e socos na sua frente. Ele perdeu três dentes, teve traumatismo no maxilar, ficou com um coágulo na cabeça e terá que passar por cirurgia para refazer a arcada dentária, além de uma plástica no nariz. Vivian testemunhou toda a agressão e pediu várias vezes para os policiais pararem,

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  • A foto da publicitária Renata da Paz com uma atadura sobre o olho chegou estampada no jornal e ficou grudada na mente do artista plástico e professor Alex Frechette. A matéria anunciava que a jovem perdera a visão do olho esquerdo devido a uma bomba lançada em sua direção pela Tropa de Choque da Polícia Militar do Rio durante manifestação no centro da cidade em 20 de junho de 2013. A Justiça constatou que Renata fora atingida por um fragmento de granada.

    A primeira vez que Alex participou de uma manifestação foi em 2011, em ato dos professores da rede pública. Em junho de 2013, foi um dos milhares que se sentiram movidos pelo espírito dos protestos que pararam mais de cem cidades pelo Brasil. Como muitos, Alex saiu às ruas. Como outros tantos, chocou-se com a reação violenta do estado, que usou o aparato militar para reprimir os manifestantes. Como poucos, decidiu fazer algo a respeito.

    A imagem da jovem atingida no olho foi a primeira da série “Manifestações Diárias”: retratos de

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  • O medo de Pedro

    Na noite anterior ao dia em que daria entrevista para este blog, o jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, 27 anos, sonhou que a polícia invadia a sua casa. Seis meses depois, ainda é difícil falar sobre o que aconteceu na noite do dia 11 de Junho de 2013, quando ele foi espancado por seis policiais enquanto cobria os protestos contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo. Nenhuma narrativa é capaz de descrever a brutalidade gratuita que ele sofreu da Polícia Militar melhor do que as imagens abaixo, gravadas por alguém que registrava o protesto da janela. A violência começa no segundo 0:40.

    Pedro andara do centro até a Avenida Paulista fazendo anotações para o Portal Aprendiz, onde ele trabalha como repórter. Perto do Masp, ele encontrara sua namorada e uma amiga. Alarmados com a violência ao redor, o grupo tentava ir embora quando a namorada e sua amiga, assustadas, decidiram se refugiar na guarita de um prédio. No início do vídeo, é possível ver Pedro voltando para falar com elas

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  • Foto: Sérgio Silva em autorretrato

    O tiro furou o olho que acabara de focar um grupo de policiais da Tropa de Choque disparando balas de borracha contra manifestantes. O fotógrafo Sergio Silva conferia a imagem na sua câmera durante a cobertura do protesto no centro de São Paulo na noite do dia 13 de junho quando sentiu o impacto. “Não tive tempo para pensar, a única chance que eu tinha era fugir para não ser atingido duas vezes. Quando senti o tamanho da dor e percebi a quantidade de sangue que escorria, soube que estava cego”. Assustado com a dor e os disparos que não cessavam, foi levado pela correria da multidão até que trombou com um manifestante e professor da rede pública que viu a gravidade do ferimento e lhe amparou até um hospital.

    Como Sérgio, mais de 15 jornalistas foram atingidos naquela noite. Um fotógrafo da Folha de São Paulo que foi alvejado três vezes viu a origem dos tiros e declarou: “o policial mirou em mim e atirou”.

    O caso de Sérgio foi o mais grave, pois ele perdeu a visão do olho esquerdo e,

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  • Finalmente. Rafael Braga Vieira, o morador de rua condenado por portar Pinho Sol perto de um protesto, foi ouvido e pôde contar a sua versão dos fatos. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL/RJ) foi até a prisão onde ele está desde junho para gravar o depoimento. Rafael contou que, na noite em que foi preso, voltou para a casa abandonada onde morava no centro do Rio de Janeiro depois de passar o dia colhendo latinhas. Lá encontrou duas garrafas lacradas: uma de cloro, outra de Pinho Sol. Ele decidiu dar as garrafas para sua tia, que mora em um casarão próximo. “Peguei pra dar pra ela, ela podia vender... Quando saí, me chamaram e já chegaram metendo a borracha”. Rafael foi abordado pelos policiais, que o viram com duas garrafas na mão, e foi levado para a delegacia, onde ficou detido por um tempo até que voltou a ver as garrafas. Dessa vez, a de Pinho Sol estava aberta e com um pano na boca.

    “Nunca ouvi falar desse negócio de coquetel molotov na minha vida. Não sei nem que é esse

    Saiba mais »de Morador de rua condenado por “porte de Pinho Sol” conta sua versão
  • Mais de cinco meses depois de ter sido preso por portar água sanitária e Pinho Sol perto de um protesto no centro do Rio de Janeiro, o morador de rua Rafael Braga Vieira recebeu a primeira visita na sexta-feira passada, dia 6, no complexo penitenciário de Japeri. Só então ficou sabendo da notícia que circulava há três dias pelos jornais de todo o país: fora condenado a 5 anos em regime fechado pelo “crime”.

    A visita era a advogada Raphaela Lopes, do instituto Defensores de Direitos Humanos, que assumiu a sua defesa e vai recorrer. Rafael estava cabisbaixo, amedrontado e ficou perplexo com a condenação. Depois do encontro, a advogada reforçou sua tese: a polícia e a justiça ignoraram direitos e princípios básicos pelo fato de Rafael ser morador de rua, pobre e negro – uma pessoa sem defesa ou rede de apoio.

    Rafael Braga Vieira no momento de sua prisão Foto: Rio na Rua

    O exemplo mais gritante é a imagem de sua prisão: Rafael foi algemado pelos pés, uma prática de humilhação que deveria estar banida das penitenciárias do país. “Até o uso de algemas

    Saiba mais »de Quem é Rafael Braga Vieira – em busca da resposta
  • A notícia circulou ontem por todos os portais: morador de rua preso durante protestos no Rio de Janeiro foi condenado a cinco anos em regime fechado. Rafael Braga Vieira foi preso no dia 20 de junho ao sair de uma loja abandonada no centro do Rio com uma garrafa de água sanitária, um Pinho Sol e uma vassoura.

    Ele tem 26 anos, é morador de rua, negro, catador de latinhas e foi condenado por roubo duas vezes, penas que já cumpriu. Isso é tudo o que sabemos sobre Rafael.

    Até agora não vimos uma foto ou entrevista com ele, com seus amigos, ou qualquer pessoa que possa nos trazer mais informações sobre Rafael. O que ele tem a dizer sobre a sua prisão? Ele estava na manifestação? Onde ele ía como o material de limpeza? Como foi tratado nos cinco meses que ficou esperando o julgamento no complexo presidiário de Japeri?

    O que sabemos são fragmentos de registros oficiais. Segundo matéria da revista Carta Capital, ele disse em depoimento que foi preso quando saia da loja abandonada onde morava

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  • - Que lixo foi isso? Eu não expliquei o que era para fazer?
    - Explicou.
    - Preciso explicar de novo?
    - Não.
    - Então por que fizeram essa merda?
    - Nós decidimos junto.
    - Como assim? Vocês estragaram tudo, as fotos estão um lixo.

    O diálogo foi gravado escondido, quase sem imagens. Vemos apenas flashes do rosto assustado de Alexandra Shevchenko, a Sasha. Ainda com a tinta do protesto no peito, ela arregala os olhos, sua feição é de medo. A voz que cobra explicações é de um homem, ele começa em tom grave e vai elevando a voz até gritar. A cena é parte do chocante documentário Ukreine is not a Brothel (A Ucrânia não é um bordel), um mergulho nos bastidores do polêmico movimento Femen.

    O filme revela como as lindas ucranianas que exibem os seios para protestar contra o sistema patriarcal viviam submetidas aos comandos de um homem autoritário. Victor Svyatski, que se auto-intitulava o “pai do novo feminismo”, foi desmascarado pela cineasta australiana Kitty Green, que morou 14 meses no

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Sobre Ana Aranha

Ana Aranha é repórter apaixonada pelo ofício de contar histórias. Trabalhou na revista "Época", na agência "Pública" e colaborou para diversos veículos, como o jornal inglês "The Guardian". Tem 11 prêmios de jornalismo. Para este blog, conta as histórias de quem vive o cotidiano da notícia, mas nem sempre ganha as páginas dos jornais.

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