Posts do blog de Dudu Tsuda

  • Guitar Hero: Uma filosofia de Vida

    Para os mais novos, o nome do jogo que revolucionou suas vidas. Para os desinformados, um personagem de algum filme B dos anos 80? Para as groupies, sexo, drogas e rock 'n roll, não exatamente nesta ordem. Para as namoradas e esposas, um irresistível presente de grego herdado de muitos pecados cometidos em gerações passadas. Para nós músicos, uma filosofia de vida.

    O Guitar Hero brasileiro é um sujeito simples, avesso às plumas e paetes, sereno, extremamente focado em seu instrumento. Talvez por isso, apresente leves toques de autismo e insanidade em sua genialidade indiscutível.

    Ser dionisíaco por definição, pensa em linhas sinuosas e esparsas, parece ter mais fluência nos dedos do que nas palavras. Nos palcos, brilha com muita elegância, sem fazer força. Tem a nobreza em sua alma e, inconscientemente, sabe disso.

    Desponta nos discos de bandas, compositores e cantores de sua geração, podendo permanecer décadas imprimindo sua assinatura musical. Imortalizado em gravações clássicas, Saiba mais »de Guitar Hero: Uma filosofia de Vida

  • Laetitia Sadier

    Laetitia Sadier conquista os mais improváveis desconhecidosSeu nome e seu histórico musical dispensam grandes apresentações. Herdeira nata de uma tradição em experimentalismos sonoros nos 19 anos de existência de sua banda Stereo Lab, Sadier nos mostrou suas músicas com muita elegância, a mesma competência, e uma fragilidade que a engrandece ainda mais.

    Ao ouvir suas canções podemos perceber que a intrigante e inovadora lógica harmônica das canções do Stereo Lab seguem presente em suas veias. Modulações tonais que sempre renderam a unicidade do mundo 'Stereo Lab' de se fazer música, encontram lugar em seu disco com arranjos mais simplicicados, e letras mais pessoais.

    Laetitia Sadier - Ceci Est Le Coeur


    Mais intimista? O disco nem tanto. O show voz e guitarra, muito. Sua proficiência vocal fica muito clara no espaço que se estabelece entre palco e plateia, um silêncio rico de detalhes e nuances, que talvez não fossem percebidos num concerto em banda.

    Chega, pega sua guitarra e canta. Ocupa todo o teatro com suas inebriantes melodias e a

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  • Espaço público: Ocupai-vos!

    Dia de finados, quarta-feira, sol intenso. Última apresentação do espetáculo Macumba Antropofágica do Teatro Oficina. Um programa nada usual, mas perfeito para um dia desses.

    A longa fila mostra o talento brasileiro em fazer tudo no último dia, na última hora. Quantas temporadas não obtiveram a glória em seu derradeiro suspiro? Com Zé Celso não haveria de ser diferente. Exceto por um simples motivo: a casa esteve lotava durante toda a sua estada.

    Na tripulação, duas queridas amigas primas entre si, Tulipa Ruiz e Layla Ruiz. Contato local, Ciça Luchesi. Positivo e operante, marchamos em cirandas pelos arredores do teatro.

    Sim, senhoras e senhores! A peça tem seu início numa viagem para outras épocas, mas num mesmo espaço. Tempo de Cacilda Becker, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral. Cacilda, por que não passarmos em frente de sua casa?

    Macumba Antropofágica: Tarsila e Oswald


    Encontros casuais remontaram a sensações nostálgicas de uma boemia que por ali encheu seus copos de cerveja. Junio

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  • Outras Danças

    Aos ávidos por boa e diversificada programação cultural, a partir do dia 1º de novembro acontece em São Paulo a 4ª edição do festival Contemporâneo de Dança. Contando com artistas de diversos países e artistas brasileiros de diversos estados, o festival promete um vistoso cardápio de espetáculos, oficinas criativas e palestras.

    "Buscamos trazer artistas bem contemporâneos, bem experimentais e com uma corporeidade própria, que expandem o entendimento do que pode ser dança", explica Adriana Grechi, coreógrafa e diretora artística do Festival Contemporâneo de Dança.

    “AATABA" Cia Anania - Taoufiq Izeddiou



    Uma iniciativa não só interessante do ponto vista artístico, mas essencial do ponto de vista político. Mesmo imersos numa modalidade artística experimental por natureza, há sempre a turma do lado B (C e D)  que compõe, na maior parte das vezes, o eixo de vanguarda em pesquisa e linguagem, fundamental para cena como um todo.

    "Trazemos artistas internacionais que dificilmente viriam para o Saiba mais »de Outras Danças

  • Ao vivo, na telona: Performance audiovisual experimental pede passagem

    Alguém já ouviu falar do termo Live Cinema? Ou ao menos, ao folhear os guias de cultura, já se deparou com tal terminologia associada a um festival, em meados de setembro? Para os novatos no assunto, Live Cinema é o termo usado para denominar performances audiovisuais, onde imagens e sons são processados e realizados o vivo de diferentes formas.

    Na verdade, é  apenas um termo, já que as apresentações do gênero têm características pouco padronizadas. Diferente do seu irmão mais velho, o cinema, no restrito circuito de Live Cinema paulistano, não há padrões pré-estabelecidos de infraestrutura tecnológica e equipamentos audiovisuais, muito menos de tipos de narrativa a serem desenvolvidos.

    Os artistas levam ao palco computadores portáteis, câmeras, projetores, sistemas de luz, sensores, instrumentos musicais, dispositivos eletrônicos de fabricação caseira - os famosos circuit bends - , bugigangas, brinquedos e até máquinas e eletrodomésticos. E suas criações, apesar de

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  • Gatos em chão de asfalto quente

    Poucos animais na face da Terra se encontram em posição tão ambiguamente privilegiada quanto os gatos. Ora venerados como deuses de uma rica cultura pagã, ora idolatrados na forma de estátuas da mais preciosa pedra, ora amados como verdadeiros entes queridos, ora castigados como o pior dos bodes expiatórios.

    Como pobres meninas ricas, sofrem da carga semântica que carregam em sua macia e luxuriosa  pelagem, atraindo paixão e ódio na mesma intensidade. Ódio da incompreensão, da mais repugnante ignorância, que revela o que há de mais baixo e covarde nos seres humanos, sua incrível capacidade violência para com os 'mais fracos'.

    Um pequeno e singelo livro me chama cada vez a atenção para estes bichos tão misteriosos. Vivenciando a mesma experiência de descoberta que, nada mais nada menos, Willian Burroughs relatou em seu livro O Gato por Dentro, venho aqui atestar a nobreza destas criaturas que iluminam e iluminaram a sensibilidade humana durante séculos.

    Palavras não traduzem

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