Posts do blog de Walter Hupsel

  • A média, a mediana e a divisão do PIB (parte II)

    Na continuação do guest post de Roberto Pinho, o autor demonstra o porquê do PIB per capita não ser uma boa medida quando tratamos do coeficiente de GINI, que visa aferir, justamente a desigualdade social.

    Roberto de Pinho*

    Com aritmética simples, o índice de GINI possibilita a conversão do PIB per capita em PIB mediano, assumindo que a renda segue uma distribuição de Pareto. Por exemplo, o PIB per capita da Namíbia em 2011 era de US$ 6.326, no entanto, levando em consideração seu GINI de 0,64, o PIB mediano é de apenas US$ 2.392. Uma grande diferença.

    Agora vamos considerar a Ucrânia, com um PIB per capita equivalente ao da Namíbia em 2011, US$ 6.365. A Ucrânia tem um índice de GINI muito melhor, 0,26. Assim, o seu PIB mediano fica em torno de US$5,000, mais de duas vezes o calculado para a Namíbia. Esta diferença é muito mais consistente com a avaliação destes dois países segundo o índice de Desenvolvimento Humano (IDH), utilizado pela ONU, que coloca a Ucrânia e Namíbia,

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  • A média, a mediana e a divisão do PIB (Parte I)

    Um velho chavão deve ter sua validade. Dizem que a estatística é a arte de torcer (e distorcer) os números até que estes afirmem o que nós queremos. Para uma melhor aferição de políticas públicas, é necessário calibrar os instrumentos de mensuração, debatê-los, para que nossas variáveis e índices sirvam para descrever o fenômeno, e não distorcê-lo. Por esta razão, abro espaço para um guest post, de um amigo que se debruça fortemente sobre o tema.

    Se queremos medir ação, eficácia, precisamos de instrumentos que nos possibilitem esta mensuração. Instrumentos errados nos dão diagnósticos falsos, e assim falseiam a realidade.

    A média, a mediana e a divisão do PIB

    Roberto de Pinho *

    O Produto Interno Bruto (PIB) per capita é um indicador simples e eficiente, calculado por uma simples divisão do PIB pela população. Ele é usado correta e elegantemente em muitas ocasiões.

    No entanto, o PIB per capita não tem como fugir ao fato de que se trata de uma média aritmética com suas inerentes

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  • O não dito

    Não há adjetivo possível para qualificar a ação do DENARC (Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico), um órgão da Polícia Civil e, logo, diretamente ligado à Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP) ontem, 23, na cracolândia. Nenhuma palavra alcança o significado dela.

    Uma operação com dez viaturas da Polícia Civil entrou na cracolândia da velha e ineficaz maneira de sempre: usando de demonstração de força e violência. A SSP justificou tamanha barbárie afirmando que os policiais que ali estavam para prender um traficante (na verdade um “vapor”, aquele que distribui drogas a um pequeno número de consumidores, normalmente para sustentar o próprio vício) e foram agredidos pela população da cracolândia.

    Quase que imediatamente chegaram reforços que, com toda a civilidade e preparo para tal (lembram da estratégia "dor e sofrimento"?), debelaram a multidão com bombas de gás lacrimogênio e balas de borracha (que negam ter usado). No meio do fogo

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  • Mentes fechadas para quê?

    Há diversas maneiras de se fazer um juízo sobre políticas públicas. Inicialmente há a clivagem ideológica: quais são os problemas que cabem às políticas públicas tentarem resolver? Os mais liberais entendem que pouquíssimos podem ser os focos das políticas públicas, só aqueles que geram externalidades negativas, que impactam toda a sociedade e não apenas parte dela. Por isso, e aí depende do “grau” de liberalismo, são contrários ao combate à pobreza pelo Estado. Não seria papel dele agir neste sentido.

    A segunda maneira diz respeito à política. Se os recursos são escassos, devemos escolher quais são os problemas mais importantes e elencá-los em ordem de maneira que possamos atacar os que, para nós, são os mais relevantes.

    Definidos os dois passos, precisamos saber quais políticas públicas queremos, como devemos tratar seu objeto. Seria a questão que chamarei de ética-valorativa. Vemos um problema, entendemos que deve ser foco de uma política, e definimos como queremos agir. Os binômios

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  • Nós vamos invadir sua praia

    Há algumas semanas Rachel Sheherazade (daqueles comentaristas que fazem Bill O'Reilly parecer sensato e ponderado), uma âncora que anda por si, fez um comentário que descrevia bem a situação dos rolezinhos.

    “Os shoppings se popularizaram no Brasil porque se tornaram uma alternativa de compra e lazer para quem buscava se-gu-ran-ça. Pois foi exatamente a violência, o caos urbano que forçou o consumidor a abandonar o comércio de rua, as praças públicas, o cinema, teatros, restaurantes e migrar para espaços fechados, vigiados. Mas agora até esse refúgio foi violado. O que fazer? (...) devemos defender o direito dos arruaceiros de se reunir em locais privados, sem autorização, tocando o terror, afastando as famílias e intimidando os frequentadores? Ou só vamos tomar uma providência quando os arrastões migrarem das periferias para os shoppings de luxo? ”

    Por que a cito? Porque, como certo filósofo afirmou com toda a propriedade, se queremos entender as mudanças devemos prestar bastante

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  • É outubro, estúpido

    Ao contrário do que acreditam, começou o mais longo dos anos. O ano das eleições estaduais e federal, que na verdade já havia começado lá em 2013.

    Não sei precisar uma data, um evento específico que tenha, tal como os fogos de artifício, anunciado 2014. Alguma explosão que prenunciasse o ano vindouro, em contagem regressiva. Mas foi por ali, em meados de 2013 que o ano passado foi abortado e irrompido pela campanha eleitoral de 2014.

    Ano de eleição e de reeleição. Dilma concorre para reeleição, assim como o governador de São Paulo, Alckmin. Nas eleições passadas, em 2010, Dilma era um “poste” que tinha sua inércia em Lula, o então popular presidente.

    Agora é diferente. É ela contra ela mesma, contra sua gestão. Mas é extremamente difícil, diz a experiência, derrotar um candidato à reeleição. Não impossível, mas extremamente difícil.

    Neste cenário, duas ações se tornam táticas eleitorais: uma blitz contra o prefeito de São Paulo, que pode capitalizar votos importantes para o PT, tanto

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  • Chorumela ideológica

    (Queria escrever sobre o misterioso helicóptero de um deputado sem nome mas famoso que carregava meia tonelada de pasta base de cocaína e sobre o qual a mídia manteve um silêncio obsequioso digno de mosteiro. Mas isso vai ficar para uma próxima coluna. Hoje darei continuidade com o tema “custo Brasil”, tivemos na sexta feira passada o (já) famoso Black Friday, também apelidado de Black Fraude por estas paragens.)

    A festa das promoções nos Estados Unidos marca o calendário entre o Dia de Ação de Graça (uma importante data do comércio local) e o início do período de Natal.

    A ideia inicial da Black Friday era aproveitar o feriado (o dia posterior ao Thanksgiving é feriado em alguns estados) para limpar os estoques das lojas para se prepararem com novos produtos para a festa de consumo do Natal.

    Junção, portanto, de dois fatores que contribuem para o aumento das vendas. Feriado e troca de estoque.

    Com isso, a Black Friday se tornou a principal data de vendas dos Estados Unidos. Aqui não

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  • Custo Brasil

    O Playstation 4 já está à venda no Brasil pela bagatela de R$ 4.000. A Sony tentou explicar o preço usando manobras aritméticas que levavam em conta o preço já de venda do console nas lojas dos EUA (o que inclui o lucro da Sony, do comerciante, da distribuidora e os tributos).

    Como sempre, adestrados, muitos correram para culpar o Brasil, seus custos, seus tributos. A famosa expressão, bradada aos quatro cantos, do “custo Brasil”.

    Cerca de um mês atrás, a Hyundai baixou substantivamente o preço de seus carros. Em alguns casos, a redução chegou a 20%. Segundo a montadora, por efeito da concorrência eles decidiram “baixar ainda mais a taxa de lucro, que já era pequena”.

    O corte de até 20% no preço final do carro mostra, cabalmente, que a taxa de lucro das montadoras não é assim tão pequena como querem fazer crer. Se conseguem tamanha redução e ainda assim lucrar, é porque praticam taxa de lucro bastante altas.

    Para os mais atentos, isso não é novidade. Não são só nem os impostos e nem o

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  • Fim da novela.

    A novela do mensalão, que se arrastou por oito anos, teve seu capítulo final ontem de forma bastante melancólica, sem muita graça ou surpresa depois de ter sido rotulado de maior escândalo de corrupção da história brasileira.

    Leia mais:
    Aécio diz que respeita decisão de Barbosa sobre Genoino
    ABI critica ida de presos a Papuda e demora para o regime semiaberto
    Carvalho diz que recorreu a ministros do STF por Genoino
    Genoino poderá se tratar em casa ou no hospital

    Foi, de fato, o maior escândalo de corrupção, mas não a maior ou mais lesiva corrupção. Maior escândalo, o de mais repercussão. E, como sabemos, repercussão, repercutir, são os verbos mais usados nas assessorias de imprensa.

    Repercutiu muito, talvez até em demasia, tomou centenas de horas de nossa atenção, pautou o noticiário político por quase uma década. Isso é mais que suficiente para aceitarmos a veracidade do “maior escândalo”, nunca da maior corrupção.

    Estamos vendo, concomitante à prisão dos mensaleiros, a questão do desvio

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  • Metástase

    Um aluno meu preso pela polícia porque estava na manifestação na qual um coronel da PM foi espancado . Foi acusado de formação de quadrilha e tentativa de homicídio, sem provas ou sequer indícios. Estava lá sim, inclusive era um dos poucos que não escondiam o rosto.

    Foi preso em flagrante, o que, contrariamente ao que pensa o senso comum, não significa, necessariamente, ser pego “com a boca na botija”, mas apenas que foi detido, nas circunstâncias do ato criminoso, em situação que se faça presumir que seja o autor.

    Via de regra, quem alega o flagrante é a polícia. Ela pode fazer isso discricionariamente, não necessitando de indícios, provas nem sequer “atitude suspeita”, como na brilhante e atual crônica de Luis Fernando Veríssimo.

    Por estar na manifestação, Paulo Henrique Santos está, até hoje, no centro de detenção provisória. Sem provas ou indícios, ele teve um Habeas Corpus negado pelo juiz Alberto Anderson Filho, baseado única e exclusivamente no “flagrante” e nas acusações da

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