Cartas da Amazônia
  • No finalzinho de 1974 voltei de vez à Amazônia, onde nasci, depois de alguns anos vivendo entre o Rio e São Paulo. Retornei com um propósito: tentar mudar a forma de tratar a Amazônia no principal jornal brasileiro. Acertara com o dono de O Estado de S. Paulo, Júlio Mesquita Neto, a implantação da primeira sucursal verdadeiramente regional da empresa. Ela teria correspondentes instalados em seis capitais da Amazônia Legal, em mais duas cidades paraenses e a sede em Belém, com cinco pessoas.

    Não só pelo total de 13 integrantes e cobertura territorial plena, a sucursal seria inovadora por outro elemento: ela teria direito a enviar matérias em texto final para São Paulo, que respeitaria esse conteúdo. A sede podia definir a forma de aproveitamento e corrigir eventuais erros de redação das matérias, mas não mudá-las.

    Talvez assim se conseguisse corrigir o enfoque exótico do tratamento aos complexos temas amazônicos e ajudar a nação a se conscientizar da grandeza e peculiaridade da sua

    Saiba mais »de Vai-se a flor, fica o perfume
  • Em janeiro deste ano, os seus reservatórios já estavam em níveis baixos, mas a geração de energia nas hidrelétricas brasileiras cresceu 13,9% comparativamente ao mesmo mês de 2013, e 7,4% na relação com dezembro. Com as pequenas centrais (as PCHs), as hidrelétricas responderam por 80,9% da geração de energia no mês. Já a produção nas usinas térmicas neste janeiro caiu 10,7% em face de janeiro do ano passado; e se manteve quase no mesmo nível de dezembro de 2013, contribuindo com 17,8% da geração total de energia.

    As usinas eólicas, por sua vez, tiveram um desempenho 32,1% maior do que um ano antes, mas uma queda de 0,94% diante de dezembro de 2013. Sua participação na matriz energética continua pouco expressiva: é de 1,3%, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, fonte de todos esses dados.

    O que eles revelam: um governo totalmente desprevenido e temerário diante do que viria a acontecer logo em seguida, o risco da repetição do apagão de 2001, que continua

    Saiba mais »de A barragem do governo desmoronou
  • Trinta e três anos depois do fato, finalmente foi concluída a primeira apuração independente e legal sobre o atentado ao Riocentro, ocorrido em 30 de abril de 1981. Com base nas investigações que realizou durante os últimos dois anos, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro preparou denúncia contra os personagens da trama. Agora cabe à justiça federal decidir se, ao receber a denúncia, abrirá o processo para apurar os fatos, responsabilizando e punindo os réus ao fim da instrução em juízo.

    Para o MPF não se trata apenas de fato isolado, produto da demência e do totalitarismo de um punhado de homens extremados. O que está em causa é um plano orquestrado para impedir a retirada dos militares do poder, no qual permaneciam naquele momento por 17 anos, e impedir a volta da democracia ao Brasil;

    Um grupo de coronéis e generais do Exército, que se reuniam num bar da zona portuária do Rio, planejavam os atos de violência através dos quais pretendiam manter o estado de exceção imposto –

    Saiba mais »de Riocentro: heróis e vilões
  • Arthur Chioro, com menos de um mês no cargo de ministro da Saúde, já se imortalizou. Será lembrado para sempre como o autor de uma das frases mais debochadas da história da saúde pública no Brasil. Ele disse que o Mais Médicos é o “maior programa de provimento de médicos da história da humanidade”.

    O rompante pode ser comparado ao do deputado Francelino Pereira. No auge da ditadura militar, ele disse que o partido que presidia, a Arena (Aliança Renovadora Nacional), cuja passividade a fez merecer o título de “partido do sim, senhor”, era, na verdade, “o maior partido político do Ocidente”.

    O novo ministro de Dima Rousseff recorreu à grandiloquência para esconder a nudez do rei. Negou que a fuga de médicos cubanos, a insubmissão de um deles, Ramona Rodriguez, que entrou na justiça contra o programa, a iminência de uma ação do Ministério Público Trabalhista e as críticas políticas tivessem influído na decisão do governo de mudar a remuneração dos médicos cubanos.

    Eles recebiam, no

    Saiba mais »de O maior programa do mundo
  • O debate sobre a Amazônia costuma ser passional; por isso mesmo, desinformado, quase caricato. A recusa em saber antes de dizer está privando a sociedade brasileira de aprender uma grande e grave lição que a natureza lhe está oferecendo neste momento. O alerta vem do comportamento dos rios atingidos pela maior obra do homem nos domínios da maior bacia hidrográfica do planeta.

    Nenhum país sério, com sólida visão de futuro, permaneceria indiferente ao que ocorre em rios amazônicos modificados por enormes estruturas de concreto e aço lançadas sobre o seu leito. Dois dos maiores rios do mundo estão nessa condição: o Xingu, no Pará, onde ainda está sendo construída a maior hidrelétrica do mundo, e o Madeira, em Rondônia.

    A lição do Madeira é a mais expressiva e urgente. Primeiro porque é o afluente que despeja mais água (15% do total) e sedimentos (50%) para o Amazonas dentre todos os seus enormes afluentes. Em segundo lugar, por ser o único que já tem duas barragens de porte mundial em

    Saiba mais »de O homem age; a natureza reage
  • Em março do ano passado, através de um simples decreto, a presidente Dilma Rousseff violou o princípio federativo brasileiro. Ela eliminou a exigência, até então em vigor, de submeter à aprovação dos governadores dos Estados o uso em seu território da Força Nacional de Segurança Pública, criada pelo presidente Lula em 2004. E aplicou imediatamente a nova regra: determinou o deslocamento de tropa da FNS para o canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Foi a primeira intervenção federal desse tipo. Não teve a repercussão cabível à sua gravidade. Aliás, não teve repercussão alguma.

    Duas prorrogações foram promovidas para manter a tropa no canteiro de obras de grandes empreiteiras nacionais, que ali executam o maior empreendimento da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, no valor de 30 bilhões de reais. A última prorrogação foi adotada neste mês. O contingente da FNS permanece no local e nele continuará até pelo menos agosto, quando vence o prazo

    Saiba mais »de Belo Monte sob intervenção federal
  • O rio Madeira é o afluente do Amazonas, o maior rio do planeta com maior volume de água (e de sedimento). Ontem sua vazão passou de 51 milhões de litros de água por segundo. É a maior já registrada em 100 anos no posto de Porto Velho, a capital de Rondônia. Com 500 mil habitantes, a cidade é o local mais atingido pela elevação do rio, que está 18 metros acima do seu nível normal. Mais de duas mil famílias já tiveram que abandonar suas casas.

    Os danos, já avaliados em R$ 360 milhões, têm a dimensão dessa vasta bacia. Como consequência, o Estado do Acre, a oeste, ficou isolado por terra do restante do Brasil. Se o Madeira continua a ter o incremento das últimas semanas, o estado de alerta, que atingiu o nível 2, poderá chegar à etapa seguinte e final, o nível 3. Será uma tragédia.

    A esperança é de que o rio possa ter um refluxo. Parou de chover em parte das suas cabeceiras. Logo, essa estiagem (que pode ser interrompida) deverá influir sobre o curso do rio, diminuindo o seu volume. Mas os

    Saiba mais »de Tsunami na Amazônia
  • Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma mentiram sobre a hidrelétrica de Belo Monte, a maior obra pública em andamento no Brasil. Essa mentira não vem só. Ela é acompanhada por várias outras, desencadeadas – num intervalo de 13 anos – pelo mesmo detonador: sucessivas – e, às vezes, graves e súbitas – interrupções no fornecimento de energia, os temidos “apagões”.

    São acidentes, provocados pela natureza – sobretudo, os inefáveis raios, que caem no Brasil como em nenhum outro país, mas são multiplicados pela imaginação dos interessados nos seus supostos efeitos – ou pelo homem. Do erro, previsível e, por isso, passível de prevenção, resulta outro erro. Provavelmente mais grave.

    Áreas e populações cada vez maiores do país estão ameaçadas de ficar sem energia. Imediatamente é apresentada a solução: mais hidrelétricas para aproveitar o potencial da Amazônia, capaz de aumentar em 50% o parque energético nacional em atividade. Duas novas usinas já entraram em operação no rio Madeira, em

    Saiba mais »de O apagão da verdade
  • Em 2001 o apagão de energia coincidiu com ano eleitoral, tornando-se item importante no discurso dos candidatos. O fato foi soterrado pelas versões e a dimensão técnica pelo aproveitamento político. O PSDB, no governo, pagou caro. O PT, na oposição, faturou os dividendos. Lula se elegeu. FHC não fez o seu sucessor, que era José Serra.

    O fenômeno se repete neste ano, mas é bem provável que as lições do passado sejam deixadas de lado mais uma vez. Nesse caso, o “apagão” ficará permanentemente na agenda política sem que, com isso, sejam adotadas providências para que não invada o cotidiano dos cidadãos. O aproveitamento de uns infernizará outros – a esmagadora maioria, aliás.

    As falhas na linha de transmissão de energia entre Tocantins e Goiás levaram o blecaute a 11 Estados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste na tarde/noite de ontem. Só amanhã o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai dirigir uma reunião, na sua estranha sede (na bela cidade litorânea do Rio de Janeiro), para

    Saiba mais »de O rolo da energia em colapso

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Sobre Lúcio Flávio

Lúcio Flávio Pinto, 64, é jornalista desde 1966. Editor do "Jornal Pessoal", publicação quinzenal que circula em Belém do Pará desde 1987.

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