O pistoleiro na Amazônia

O pistoleiro é uma das figuras mais marcantes e nocivas na abertura de frentes pioneiras. Não só na Amazônia, a maior das fronteiras terrestres do mundo, mas em todas elas, em outros lugares e em outros tempos. Na Amazônia, em particular, o pistoleiro ganhou uma proeminência especial. Talvez pelo tamanho dessa fronteira, pelas suas características físicas e pela maior atenção que a ela tem sido dada pela opinião pública, nacional e estrangeira, numa época de comunicações fáceis e intensas.

O pistoleiro de hoje se diferenciou muito da figura típica dos primeiros tempos de ocupação da Amazônia ou de uma de suas referências, o Oeste (ou Faroeste) dos Estados Unidos. Conhecia-se com facilidade a figura e sua ação era bem específica: intimidar desafetos ou adversários de quem o contratava, e, se isso não fosse suficiente, executá-los. Feito o serviço no local da contratação, voltava ao ponto de origem. O maior deles era o Maranhão, sobretudo em torno de Imperatriz e Açailândia, uma espécie de mercado informal da “pistolagem”.

Muitos pistoleiros em atividade se fixaram na Amazônia. Deixaram de ser apenas pistoleiros: quando não estão fazendo uso de suas armas, podem trabalhar em outras funções, principalmente como agricultores. Muitos deles não têm armas próprias: recebem as que vão usar daqueles que contratam seus serviços. São mais articulados, têm interesses paralelos ao da “pistolagem” e podem se descaracterizar dessa condição na sua rotina normal.

Essas novas condições podem ser a origem do novo modo de agir desses pistoleiros mais qualificados: eles são mais eficientes, audaciosos e cruéis. Sentem-se mais bem protegidos da identificação e prisão. Agem com mais selvageria para valorizar seu preço. É espantoso como são feitas as execuções: com uma grande quantidade de tiros, quando o assassinato é consumado com arma de fogo.

O pistoleiro solitário gosta de esgotar a munição da sua arma, cada vez mais sofisticada. Em grupo, cada um dos participantes quer deixar sua marca mortal na vítima. Os assassinatos de maior valor viraram massacre humano.

Já é hora de o poder público dar uma resposta à altura desse incremento da violência pela morte de aluguel. O primeiro passo deve ser dado pela inteligência policial: um levantamento completo e rigoroso de todos os casos de crime de encomenda por um grupo executivo capaz de dar conta dessa tarefa, com rapidez, competência e honestidade.

Feito o inventário, uma ação repressiva de qualidade sobre os pontos de maior concentração das execuções. Polícias civil, militar e federal acompanhadas por representantes dos ministérios públicos, estadual e federal. Uma força com poder de dissuasão e reação a eventuais resistências, mas orientada por duas diretrizes: identificar e, se possível, prender os pistoleiros onde eles se encontram; documentar com rigor e a maior exatidão possível esses locais para um diagnóstico da situação e a recomendação das medidas sociais necessárias para esvaziar a violência aí existente.

O final da expedição, sustentada no melhor aparato de logística proteção e transporte possível, capaz de assinalar a prioridade que o Estado dá ao assunto, seria culminado por uma audiência pública (ou mais de uma) com a participação das representações da sociedade que atuam em matérias de direitos humanos e violência.

Depois, talvez, seria o momento de realizar nova operação para identificar e punir os policiais, civis e militares, que agem como pistoleiros, com mais eficácia ainda, por se valerem do aparato estatal para cometer violências e crimes, isolados ou como milícias. Cortar na própria carne é mais difícil, porém, neste caso, mais importante.

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