Liga de clubes: boa ou má ideia?

Fernando Vives
De Olho na Copa

O início do Campeonato Brasileiro sempre remete a velha questão da formação ou não de uma liga de clubes para tocar esta e outras competições nacionais.

Em março passado, uma reunião do presidente da CBF, José Maria Marin, com os dirigentes dos principais clubes definiu que a confederação segue organizando o Brasileirão. Os clubes de maior torcida do Rio de Janeiro e de São Paulo são contra a criação de uma liga de clubes brasileiros. Entre os integrantes da Série A, manifestaram-se a favor de uma nova liga nacional: Atlético-GO, Atlético-MG, Bahia, Figueirense, Grêmio, Portuguesa e Santos.

Há anos ouvimos que o modelo de ligas do futebol inglês é o que deve ser seguido. Por lá, o futebol local é tocado por uma liga formada pelos clubes da Inglaterra e de Gales desde 1992. A divisão principal é a Premier League, considerada o maior campeonato nacional de clubes do mundo. Essa liga de clubes controla até a quarta divisão do país - a partir daí, quem organiza é a federação inglesa.

Até 1991, o Campeonato Inglês era um festival de estádios defasados com hooligans bêbados nas arquibancadas. Era sinônimo de brigas e, muitas vezes, mortes. Com a criação da Premier League, a organização melhorou muito, os hooligans foram afastados dos campos e o futebol da Inglaterra ganhou o topo das ligas nacionais do planeta (e é bom lembrar que o afastamento dos hooligans provavelmente ocorreria com ou sem a formação da Premier League. Já era um assunto de importância de Estado).

Tendo em mente o que ocorre na Europa, quem defende a criação da uma liga nacional de clubes entende que este é o caminho para a modernização do futebol brasileiro. Os clubes seriam responsáveis pelo que eles mesmos disputam. À CBF caberia cuidar somente da seleção brasileira e das federações estaduais.

Eu particularmente não vejo a liga de clubes com tão bons olhos assim. É bom lembrar, com o aumento do poderio dos clubes europeus, passou a existir uma richa entre as federações nacionais do continente, que controlam as seleções, e os times. O futebol de seleção se esvaziou e os clubes passaram a ter poderes tão altos que o endividamente deles sofreu uma intervenção da Uefa, que estabeleceu um plano gradual para diminuição da dívida dos clubes. Se isso não ocorrer nos próximos anos (e já há uma programação para isso), há um risco de quebradeira generalizada.

Uma liga dessas, ao meu ver, joga a seleção nacional contra os clubes, e o torcedor gosta de ambos. Com o controle da federação nacional, esta passa a ser a fiadora do equilíbrio entre as duas partes.

O que seria fundamental, sem dúvida, é uma reformulação total da CBF, uma entidade que dá até vergonha de tão caduca.

E você, o que acha de uma possível liga nacional de clubes? Opine abaixo.