Aprenda a construir o seu próprio espantalho!

Acabou a Copa, as eleições se aproximam e você ainda não encontrou um bom discurso para usar contra aquele colega mais inteligente do que você e que não vai votar no mesmo candidato que o seu? Não se preocupe, aprenda agora mesmo a construir o seu próprio espantalho para usar em falácias na internet!

A falácia do espantalho é um método fácil e barato de ridicularizar a posição política (e também religiosa!, dentre outras) de alguém, sem a necessidade de usar qualquer tipo de argumentação mais elaborada. Não é preciso de noções de lógica nem segundo grau completo! Tudo o que você precisa é da sua imaginação.

Para aqueles que não conhecem, a falácia do espantalho consiste na criação de um personagem caricato e alienado com princípios dos quais você não compartilha. A vantagem de criar um espantalho é que você poderá preenchê-lo com pensamentos ridículos e frases absurdas e ainda sair por cima dizendo que a oposição é mais ou menos aquela que você inventou.

Quer se sair bem para cima do seu colega que leu mais livros do que você? Está cansado de compartilhar textos dos mesmos colunistas sorridentes de sempre? Então crie o seu próprio espantalho!

ESCOLHA UM ALVO

A primeira coisa que você deve fazer é escolher um alvo. Certifique-se de que está escolhendo uma posição ideológica com a qual tem bastante implicância. Se implica com o pensamento de ativistas do Greenpeace, por exemplo, crie o espantalho mais absurdo de um ativista do Greenpeace. Sim, você pode usar como referência um parente distante ou aquele amigo cujo avatar no Facebook é um olho nas cores da bandeira do Brasil.

SEPARE OS CLICHÊS

Junte todos clichês que você lembrar de cabeça sobre a posição ideológica que escolheu satirizar. Quanto mais absurdo e saturado o clichê, melhor. Se tiver dificuldade de se lembrar de frases clichês, imagine o espantalho esperando atendimento na fila do SUS que as frases lhe virão à cabeça. Segue exemplos de clichés: “bandido bom é bandido morto”, “não existe almoço grátis”, “compromisso em reparar uma dívida histórica”, “bons tempos da ditadura”, “direitos humanos para humanos direitos”, “representante da elite branca”, etc. Anote os clichês e separe.

CRIE O ESPANTALHO

Lembre-se de que o espantalho é um personagem caricato e alienado. Não é necessário qualquer esforço mental para aproximá-lo da realidade; pelo contrário, evite uma exatidão muito literal. Quanto mais exagerado, melhor o efeito. Se tiver dificuldade de imaginar um espantalho, invente um nome primeiro que o resto vem junto. Segue nomes de espantalhos que poderão servir de inspiração para você: Seu Paulão, Dona Moreirinha, Senhor Cuscuz, Juquinha, Maggie Cheung, Estrela Fascinante, Aldebaran de Touro, Doutor Alencar, Loretta, Alex da Locadora, Seu Fukushima, Claudete Troiano, etc.

CONTE A HISTÓRIA

Agora que você já tem um espantalho, use nele todos os clichês que havia separado anteriormente. Emende um clichê no outro que a história vai saindo.

Segue template de falácia do espantalho que você poderá usar: Há tempos que vivemos num país totalitário de [esquerda/direita]. Desde que [ex-presidente com quem tem implicância] assumiu o poder, o [comunismo/neoliberalismo] domina o debate nas escolas, no jornal e na [Globo/Globo]. Só não vê quem não quer. O perigo hoje é que essa [esquerda/ direita[caviar/coxinha]] continue atrapalhando as mudanças necessárias. Por isso são importantes movimentos como [a Marcha da Família/o MTST], que servem como um contraponto ao [marxismo cultural/status quo]. Chega, sabe. Pode me chamar de [Zizek/colunista da Veja] ou até de [Stalin/General Pinochet] se quiser, mas de vez em quando sinto uma falta [do stalinismo/da ditadura militar][; )/:~].

Por fim, acrescente uma imagem a gosto e sirva imediatamente.