O mundo está no processo de transformação em uma esquete de Monty Python

Guy Franco
O mundo está no processo de transformação em uma esquete de Monty Python

No mundo todo, corre a notícia de que a Sony cancelou o lançamento do filme “A Entrevista”.

O motivo? Ora, atender ao pedido de um ditador, é claro.

No Reino Unido, a proposta é censurar uma lista de práticas sexuais em filmes pornográficos rodados no país. O Conselho Britânico de Censura a Filmes proibiu cenas de palmadas, chicotadas, ejaculação feminina, fisting e outros.

Brasil não fica atrás e corre para copiar as modas mais ridículas do primeiro mundo. O Ministério Público, a pedido da ONG Insod (Instituto de Inovação Social e Diversidade Cultural), recomenda que o zoológico de Belo Horizonte suspenda a escolha de nome de um gorila pelo público. Afinal, os nomes africanos disponíveis na votação contribuiria para a “perpetuação de uma opressão sistêmica e estrutural ao povo negro”. O que não explicam: o gorila é uma espécie das florestas africanas.

Não há lá diferença significativa entre os três tipos de brincadeiras apresentadas acima. Sinal dos tempos: o processo de transformação do mundo numa esquete de Monty Python do inferno está em andamento. A única diferença entre Kim Jong-un e esses movimentos sociais é que um não veste o manto da tolerância e assume o corte de cabelo ridículo. Acelera, meteoro de Pégasus!

O que se vende como combate à opressão está mais para desrespeito à inteligência humana. E aí sim caberia abrir um processo contra esses movimentos que nos tratam como macacos.

Logo, não duvido, maneiras de aplicar perfume serão censuradas em nome do combate à opressão. Prevejo manifestações contra os desodorantes. Dezenas de homens usando vestidos de chita enfiam a mão nas axilas no vão livre do Masp.

É pegadinha? Onde está a câmera? É real que chegamos ao ponto de levar a sério uma ONG que se ofende com o nome de um gorila? Mark Twain, Monteiro Lobato, Eça de Queiroz, Hitchcock e John Ford seriam impossíveis nesse mundo que querem construir hoje.

Com o tempo, você percebe que esses movimentos formam um batalhão moralista - serão as senhorinhas moralistas de amanhã. Hoje, formam um tribunal paralelo contra crimes que vão inventando na cabeça. Uma arrogância ainda maior em país onde se comete o maior número de assassinatos do mundo, por exemplo.


Com a melhor das intenções, esses movimentos alegam proteger as minorias da opressão. Mas quem nos protege deles? No final, só estão manchando a imagem de movimentos mais sérios.

Eu não me disponho a discutir com quem tem titica na cabeça. Minha preocupação é com quem dá ouvido a essa gente, com quem volta atrás e ainda pede desculpas. Mais vergonha do que desses movimentos, que decidem o que é melhor para mim, eu tenho daqueles que voltam atrás e ainda pedem desculpas. Sim, cientista da camiseta opressora e sexista, é do senhor mesmo que estou falando. Quem pede desculpas a essa gente demonstra o desprezo que tem pela liberdade, além de mostrar o quão covarde é.

Precisamos resistir à quintaseriezação do mundo. Começando por ignorar os palhaços complexados.

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