Habitat
  • Desde que começaram a ser implementadas, as ciclovias de SãoPaulo têm despertado reações diversas na cidade. Há motoristas que se irritampor ter de fato perdido espaço no trânsito, há os que se incomodam, mas que compreendem e apoiam a ação, e há ainda os que, diretamente beneficiados ou não, desejam realmente que o paradigma da mobilidade na cidade de São Paulo seja transformado. Pesquisas de opinião indicam, no entanto, que a maioria da população apoia a iniciativa.

    Na semana passada, porém, a Justiça determinou a paralisação das obras cicloviárias da cidade – com exceção da ciclovia da Avenida Paulista –, atendendo a pedido do Ministério Público. Cicloativistas e organizações da sociedade civil imediatamente se mobilizaram, realizando protestos e divulgando carta na qual repudiam a medida.

    Ainda que o MP tenha razão em alguns dos motivos que expõe, acredito que a paralisação das obras seja um equívoco. Vejamos: a promotora Camila Mansour tem razão quando afirma que muitas das

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  • Desde 2005, já foram realizadas dez edições da “Virada Cultural” em São Paulo, oferecendo 24 horas ininterruptas de programação cultural, com espetáculos de música, dança, teatro, exposições, concertos, exibição de filmes, entre outras atrações, gratuitas, para todos os paulistanos.

    A Virada Cultural cumpriu um papel importante no atual movimento de apropriação da cidade por seus moradores. Ocupando as praças e ruas do centro, ajudou a reestabelecer um elo – simbólico e real – dos cidadãos com o espaço público e, mais particularmente, com o velho e belo centro da cidade. Sendo festa aberta e pública, a Virada contribuiu ainda para construir um ethos de cidade também como espaço de encontro e festa, historicamente esmagado pela São Paulo máquina de produção que não pode parar.

    Entretanto, cabe a pergunta: dez anos depois, e em tempos difíceis de contenção de gastos e cortes nos orçamentos – a Virada Cultural significa um investimento altíssimo, de cerca de R$ 14 milhões –, será que não

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  • Na semana passada, dia 19 de fevereiro, o arquiteto Severiano Porto completou 85 anos. Nascido em Minas Gerais, viveu grande parte de sua vida entre o Rio de Janeiro, onde se formou arquiteto nos anos 1950, e Manaus, onde desenvolveu as grandes obras que o projetaram internacionalmente e que o levaram a ser conhecido como “o arquitetoda Amazônia”.

    Nesses tempos de uma arquitetura de linguagem internacional padronizada, sem qualquer vínculo com os lugares onde os projetos são implementados, em que muitas vezes não conseguimos identificar se estamos em Miami, no meio do deserto em Dubai ou nos manguezais da Cidade do Panamá, a obra de Severiano Porto merece ser lembrada porque é justamente o oposto disso: uma arquitetura com fortes elementos regionais, relacionados à cultura ribeirinha, e ao mesmo tempo com linguagem modernista e técnica contemporânea.

    A madeira, por exemplo, é um material que tem forte presença nas obras do arquiteto. Imagine que hoje, em plena Amazônia, a Caixa proíbe

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    Já se foi o tempo em que São Paulo ficava vazia e tranquila no período do carnaval. Há algunsanos, o carnaval da cidade está mudando, graças à presença de muitos blocos nas ruas, arrastando cada vez mais gente pra brincadeira… A expectativa é que, até o final de fevereiro, 2 milhões de pessoas participem do carnaval de rua paulistano, já que este ano foram mais de 300 os blocos cadastrados.

    Diante desse expressivo crescimento, muitos desafios são colocados para a prefeitura, que desde o ano passado decidiu entrar para apoiar e organizar a festa. Como garantir infraestrutura, segurança, banheiros, limpeza, agentes de trânsito, atendimento médico, divulgação, entre tantos outros requisitos para que o carnaval ocupe as ruas com muita folia e o menor transtorno possível?

    Uma das polêmicas que sempre cercam a festa é a questão dos patrocinadores. Agora que o carnaval de rua de São Paulo começa a crescer, essa questão vai aparecer cada vez mais. Porque, claro, quando você junta muita gente

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  • Área de 25 mil m2 quadrados na Rua Augusta (Foto: Estadão Conteúdo)Área de 25 mil m2 quadrados na Rua Augusta (Foto: Estadão Conteúdo)Há quase duas semanas, o Movimento Parque Augusta ocupa o terreno entre as ruas Augusta e Caio Prado, no bairro da Consolação, reivindicando sua reabertura (o acesso está oficialmente fechado desde dezembro de 2013) e transformação em parque público, sem torres, com gestão popular. Enquanto isso, na última terça-feira (27), a imprensa noticiou que foi aprovado, no Conpresp (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo), o projeto das construtoras Cyrela e Setin que prevê a construção de três torres na área.

    A aprovação do Conpresp é necessária porque parte do terreno é ocupada por um bosque de mata atlântica e edificações remanescentes do antigo Colégio Des Oiseaux e foi tombada pelo órgão em 2004. Porém, a aprovação é uma entre as muitas etapas que os proprietários precisam cumprir para aprovar definitivamente o projeto. Segue viva, portanto, a discussão sobre a implementação exclusiva, sem torres, de um parque naquela área.

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  • Em mais um dia de pane elétrica na cidade de São Paulo, quando 800 mil casas ficaram sem luz, a concessionária de energia Eletropaulo culpa as árvores – e os bombeiros – pelo atraso no restabelecimento da normalidade. Nesta quarta-feira, mais de 300 mil casas ainda estavam sem energia. O enredo é conhecido dos paulistanos: temporais de verão, árvores caídas, postes e fios derrubados. Acaba a luz. O trânsito fica caótico. Imediatamente começa a discussão sobre culpados e soluções.

    Sem sombra de dúvida, a forma como hoje é distribuída a energia, assim como os cabos das redes de telecomunicações, é totalmente inadequada. Postes compartilhados por centenas de fios pendurados e gambiarras atravessando as ruas não apenas são uma agressão à paisagem, mas também conformam um sistema totalmente inseguro para a eficiência da atividade numa metrópole.

    Ou a culpa é mesmo das árvores, que estão no meio do caminho, atrapalhando a distribuição da energia e o trânsito? Se “a culpa é das árvores”,

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  • Obras da literatura brasileira proporcionam uma boa viagem (Foto: ThinkStock)Obras da literatura brasileira proporcionam uma boa viagem (Foto: ThinkStock)Véspera de natal, um novo ano chegando e… como sempre, o que todo mundo quer mesmo nessa época do ano é férias e descanso: relaxar na praia, visitar parentes no interior, conhecer outras cidades e países… Tudo isso, porém, tem seus inconvenientes: trânsito infernal nas estradas para o litoral e interior, passagens áreas e hospedagens caríssimas, aeroportos sempre lotados…

    Mas existem outras maneiras de viajar e descansar sem precisar passar por tanto transtorno, nem gastar dinheiro. Em casa, confortavelmente acomodado em uma boa rede ou no sofá, no parque ou na praça, sob a sombra de uma árvore, podemos percorrer ruas, becos e segredos das cidades… sem stress de aeroporto, nem estradas lotadas.

    Muitas obras da literatura brasileira têm como personagem as cidades. Assim, em Dona flor e seus dois maridos, de Jorge Amado, para além da história de amor, emerge a cidade de Salvador de meados do século XX, uma cidade que certamente já não existe, mas que revive nas páginas do livro. Com

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  • SP promete ampliar oferta de ônibus da meia-noite às 4h (Foto: Estadão Conteúdo)SP promete ampliar oferta de ônibus da meia-noite às 4h (Foto: Estadão Conteúdo)Quem estuda à noite ou trabalha em shoppings, supermercados ou outros estabelecimentos que encerram suas atividades bem tarde, frequentemente precisa “correr pra não perder o último ônibus”, ou, pior… esperar até amanhecer para voltar para casa.  Muitos, assim, ficam dependentes do carro particular, ou de taxis, opção pouco viável em função do custo, no cotidiano…

    Muitas grandes cidades do mundo já contam com sistemas de transporte público que funcionam de madrugada. Em Londres, as linhas noturnas acompanham os trajetos do metrô, saindo da Praça Trafalgar. Em Barcelona, os ônibus da madrugada funcionam da 23h às 6h e, de sábado para domingo, não há interrupção na operação do metrô. Em Paris, um sistema noturno opera das 00h30 às 5h30 e, em Medellín, 65 linhas funcionam das 22h às 4h. Em Nova York o metrô não para, mas reduz o número de estações que ficam abertas.

    Em São Paulo, o metrô fecha e apenas 98 linhas de ônibus operam de madrugada. Mas a Prefeitura já anunciou que, a partir do

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  • ReproduçãoReprodução

    Desde o mês passado, está acontecendo em São Paulo o processo de revisão da lei do zoneamento. Com as novas regras gerais definidas pra cidade no novo Plano Diretor, o momento agora é de pensar exatamente que usos são permitidos ou proibidos em cada região da cidade e de que forma as construções poderão ocupar os terrenos.

    Uma das propostas apresentadas pela Prefeitura é a limitação do lote máximo em 10 mil m². Isso quer dizer que NENHUM empreendimento na  cidade poderá mais ocupar um terreno de mais de 10 mil m². Hoje temos condomínios, shoppings, templos e hipermercados gigantes, que ocupam lotes bem maiores que este.

    Por que 10 mil m²? De onde saiu esse número? Este é, em geral, o tamanho de um quarteirão na maior parte da cidade de São Paulo. E empreendimentos que ocupam mais de um quarteirão (alguns chegam a ocupar quatro!) interrompem a cidade, atrapalhando a mobilidade das pessoas e, geralmente, matando as ruas ao redor, pois muitas vezes estes espaços, além de enormes, são

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  • Preocupado com as repercussões eleitorais, para o seu partido, da grave crise da água em São Paulo e na tentativa de desqualificar qualquer crítica a seu governo em relação ao tema, o governador Geraldo Alckmin enviou uma “dura” carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, queixando-se das análises e condutas da relatora especial da ONU para o direito à água, Catarina de Albuquerque, que visitou o Brasil em missão oficial no final do ano passado.

    Alckmin questiona declarações feitas pela relatora à Folha de S. Paulo, em agosto deste ano, ocasião na qual esteve novamente no país, em visita não oficial, a convite da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental e de outras instituições, para participar de debates e aulas sobre o tema de sua especialidade – o direito humano à água.

    Irritado com as posições da relatora, que questiona a atuação da Sabesp em relação à garantia deste direito para a população de São Paulo, o

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(99 artigos)

Raquel Rolnik

Arquiteta e urbanista especializada em planejamento e gestão da terra urbana. É professora da FAUUSP e Relatora Especial para o Direito à Moradia do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Foi diretora de Planejamento da Cidade de São Paulo (1989-1992), Secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades (2003-2007), e Coordenadora de Urbanismo do Instituto Pólis (1997-2002). Prestou consultoria a governos, organizações não governamentais e agências internacionais, como UN-Habitat, em política urbana e habitacional. É autora dos livros “A Cidade e a Lei” e “O que é Cidade”, além de vários artigos e publicações sobre a questão urbana. Colabora com o portal Yahoo, onde tem uma coluna quinzenal, e mantém o blog da Raquel Rolnik, onde escreve regularmente sobre questões urbanas.

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