Orgulho Branco se defende: ‘Não somos racistas’

A estréia da coluna WandNews causou um bafafá danado. Os brancos orgulhosos se revoltaram com a eleição do “Choruminho da Semana”. E eu, como tenho um baita coração de manteiga, ofereci uma entrevista para os branquelos se explicarem.

Apesar de a todo o momento se declararem contra qualquer tipo de racismo, os integrantes do grupo “Orgulho Branco” apresentam posts polêmicos em sua página no Facebook:

Noruega, Suécia, Finlândia estão numa região fria pra caramba e estão entre os melhores países do mundo. O que os africanos fizeram nas terras deles?"

"O que seria do EUA, Brasil e Austrália se não fosse a colonização europeia? Estariam até hoje com as mesmas civilizações que acreditavam em Astrologia, ouviam velhos patéticos como se fossem poços de sabedoria e tinham um monte de superstições "

Também instigam debates curiosos: “Brancos são mais inteligentes que os negros

Ao entrar em contato com o grupo no Facebook, fui introduzido ao misterioso mundo do orgulho branco. Seus líderes se apresentam com pseudônimos curiosos como “Cavaleiro” e “Martialist”, segundo eles “por uma questão de segurança pessoal”.

Dentre as bandeiras do grupo, a principal é a preservação da pureza das raças. Acreditam na existência de um complô midiático mundial, que defende um multicultaralismo perverso e anti-natural. Veem com bom olhos a ideia de "voltar para a Europa e unificá-la em um só país" e ainda dariam "apoio para África e Ásia fazerem o mesmo

Foi o honorável membro "Cavaleiro" que se apresentou para a entrevista. Confira os principais trechos:

JW: Você só se relaciona com mulheres brancas?

Cavaleiro: Já me relacionei com garotas mestiças, pois cresci na Bahia e não havia brancas por perto. E como homem adolescente, senti a necessidade disso. Mais tarde, abandonei este habito. Hoje só me relaciono com garotas brancas. Além do mais, o relacionamento, mesmo com preservativos, pode dar origem a um filho e eu não estou disposto e ter uma família fora dos moldes mandados pelo meu objetivo de vida. Recomendo aos brancos que têm o objetivo de conservar sua raça, que façam igual. Quem não quiser, exerça sua liberdade.

JW: Vocês constantemente se apoiam no conceito de raça, que já foi enterrado pela ciência. Pesquisas genéticas indicam que as diferenças são tão ínfimas, que se tornou impossível - e inútil - categorizar seres humanos. O grupo não acredita nas descobertas da genética?

Cavaleiro: Na verdade, a mídia causa muita confusão com isso. Uma raça é um grupo de características específicas dentro de uma espécie. Embora todos os humanos sejam eficazes, cada um é eficiente em um dado habitat. Por questões políticas e demagógicas, não se fala mais nas raças e se cria o mito da igualdade.

JW: Na comunidade, um dos administradores do grupo escreveu: "ser a favor da miscigenação é de certa forma ser racista" - você pode explicar pra gente como funciona esse racismo miscigenatório?

Cavaleiro: Racismo é tentar subjugar uma raça à outra ou tentar o genocídio. Isso é racismo. Precisamos deixar claro que é bem diferente dizer que "odiamos" outro grupo. Não estou ciente dessa postagem, nem consigo encontra-la aqui.

JW: É no post chamado "Hitler - o Anti - racista", aliás, pode comentar o vídeo, querido?

Cavaleiro: É uma charge em que estão invertidos os papéis. Hitler se comporta como a nossa mídia atual e os judeus se comportam como nós, moderadores do “Orgulho de Ser Branco”. Isso ajuda a perceber racismo nas atitudes midiáticas.

JW: Eu assisti o vídeo, querido. Na verdade ele usa Hitler pra debochar dos defensores da miscigenação, do multiculturalismo e dos imigrantes. O que vocês têm contra tudo isso?

Cavaleiro: Somos a favor do direito individual de escolher se vai miscigenar o
próprio sangue. Liberdade sexual não é só a liberdade de escolher se miscigenar, mas também a liberdade de escolher não faze-lo.

JW: Muito interessante, querido. Agora vamos à pergunta do amigo
internauta Caio Hornstein (@clhornstein): "Como ter garantia que nossas cônjuges são do tipo 100% pura?"

Cavaleiro: Existem computadores capazes de mapear todo o genoma de um indivíduo em menos de 20 minutos, mas é muito caro. Contudo, existem alguns sites na internet sobre antropologia que exigem diferenças entre grupos humanos através de descrições em forma de textos e ilustrações computadorizadas. Ao estudar e conhecer os tipos antropológicos brancos, é possível, pela foto de parentes, sabermos se o indivíduo é puro. Em breve, começaremos a disponibilizaremos fotos de sites especializados para facilitar o reconhecimento de pessoas brancas reais, diferentes de mestiços de pele branca.

JW: Basicamente, então, a principal diferença entre o "Orgulho de Ser Branco" e os grupos racistas que promovem o ódio, é que vocês são da paz e tolerantes com outras etnias. Se houvesse uma grande manifestação em prol da pureza racial, a Klu Klux Klan seria os Black Blocs e vocês seriam a turminha do "sem violência"?

Cavaleiros: Grupos neonazistas e de quebra-quebra não nos representam. Pelo contrário, eles deturpam tudo e mais atrapalham do que ajudam. Eles mais prejudicam a nossa preservação, sujando nossa fama.

JW: Pra finalizar, olhe pra lente da verdade e responda: no fundo, bem lá no fundinho, todo essa conversinha tolerante não serve exclusivamente pra camuflar o racismo do grupo? Confessa pra gente, vai, querido...

Não mesmo. Não consideramos isso racismo. Racismo seria se prejudicássemos alguém.
Não vejo no que podemos prejudicar. Tenho amigos negros, me dou muito bem com eles.

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Cavaleiro ainda mandou um recado aos irmãos de cor: "Se afastem de grupos violentos que apenas nos sujam. Tenham pelo menos 3 filhos pois hoje somos menos de 8% da população mundial"

PS1: qualquer semelhança com os Cavaleiros da Klu Klux Klan ou do Zodíaco é mera coincidência.

PS2: Confira a íntegra da entrevista.