Os amigos e os inimigos do PSOL

Depois de fazer um mea-culpa sobre sua relação com black blocs, o PSOL teve também que correr para apagar o incêndio causado pela presepada de um de seus quadros. Pra quem ainda não sabe, um político psolista declarou recentemente ser a favor de uma intervenção militar no Brasil. A declaração foi feita - claro! - no Facebook, o habitat natural dos adeptos da Marcha da Família com Deus Pela Liberdade:

Esse foi Lobão Elétrico Toninho da Elétrica, ex-candidato a prefeito de Cubatão-SP pelo PSOL - o partido do esquerdismo ostentação. Mais uma vez, a sigla teve que emitir nota para se defender e tratou o episódio como uma"opinião equivocada e individual".

Mas os psolistas parecem não cansar de dar trabalho para seus dirigentes. Essa semana, em entrevista para Mônica Bergamo, Plínio de Arruda Sampaio falou sobre política, religão, malandragem, fofocas e amigos reaças. Como não poderia deixar de ser, o grande Plínio nos brindou com bons momentos de sinceridade. Assim como nos debates e no Twitter, o comunista velho de guerra soltou o verbo e falou o que pensa.

Vamos aos comentários pouco republicanos que esse tradicional paulista quatrocentão fez sobre amigos e adversários políticos:

(inseri hashtags para ilustrar a fase tuiteira de Plínio)

Marina da Silva
"uma fofoqueira habilidosa, ultra-ambiciosa; se o Eduardo bobear, ela sai candidata" - #MarinaFofoquêraRecalcada

Lula
"é uma figura admirável, sujeito malandrão, ótimo de coração, mas um desastre como presidente" - #LulaMalandroDoBem

José Serra
"Objetivamente, ele é um governante melhor do que a Dilma e os demais. Ele é meio reacionário e violento, mas competente. Pessoalmente, é uma simpatia, um cara simples" - #SerraSimplicidade&Simpatia

Geraldo Alckmin
"é um governador meio reaça, mas um homem correto". Aqui, Plínio vai além ao dizer que põe"a mão no fogo" pelo governador e garante que o escândalo do cartel do metrô "não vai passar nem perto"dele - #GeraldoReaçaPorémHonesto

Randolfe Rodrigues
"novinho, mas craque pra burro"
"precisa partir para o ataque, até com ofensas morais. Se não for agressivo no debate em um partido pequeno, os eleitores esquecem você" - #RandolfeNovinhoVidaLoka

A franqueza de Plínio destoa da dissimulação padronizada dos políticos e é o que faz ele ser tão querido pelos mais jovens. Mas também destoa do craque-revelação do partido, o Randolfe.

O PSOL, que nasceu a partir da insatisfação de petistas com as alianças conservadoras do PT, vai ter que rebolar pra explicar algumas relações políticas do seu novo candidato. Randolfe mantém uma bela e duradoura amizade política com José Sarney no Amapá. Em 2010, numa disputa pelo governo local contra uma chapa PT/PSB, Randolfe e o PSOL integraram um projeto eleitoral capitaneado por Sarney e apoiaram um candidato de direita, numa mega coligação com PTB/PSDC/PCB/PRTB/PMN/PTC/PRP. Isso pra não falar que Randolfe utilizou a mesmíssima estrutura política-partidária para se eleger ao Senado.

Mas Randolfe gosta mesmo de fazer amigos. Seu novo aliado no Amapá chama-se Jorge Amanajás, denunciado pelo INCRA por grilagem. Em um site de militantes psolistas, Jorge é definido assim:

Tudo fica ainda mais interessante quando relembramos o discurso de Randolfe no final do ano passado, quando foi eleito o candidato do PSOL para a presidência da República:

Na mesma ocasião, o candidato foi bastante aplaudido pelos militantes ao citar um trecho do hino da Internacional Comunista: “paz entre nós e guerra aos inimigos!”

Faltou especificar melhor quem são os inimigos.

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