WandNews - 62 ª edição

E é com muita alegria e ousadia que trago a sua WandNews, a coluninha querida que vem abarrotada com os piores e o melhores momentos da semana.

Hoje temos a nova safra chorumesca do voleibol brasileiro, Aécio confessando que não merecia ser presidente, o ex-tenente que ameaçou matar Dilma, e um Wando Responde a um seguidor do astrólogo, vlogger e poeta Olavo de Carvalho.



CHORUMINHO

O Troféu Choruminho nunca foi tão disputado. O clima eleitoral foi intoxicado pela estupidez e pelo preconceito, gerando as condições de pressão e temperatura ideais para o florescimento dos nossos choruminhos. Nesse terreno inóspito, os melhores exemplares crescem com vigor e se reproduzem em larga escala, assustando as pessoas com um mínimo de bom senso. 

Campanhas eleitorais no Brasil nunca são tranquilas. Não estamos na Suécia. Ainda há muita pobreza e desigualdade social, os interesses são conflitantes e é natural que os ânimos se acirrem na hora de medir as forças políticas nas urnas. Mas, ao final do sufrágio, é hora de acalmar e desejar boa sorte pros vitoriosos. Afinal de contas, eles governarão para todos. 

Mas, como estamos carecas de saber, os produtores de chorumes não conhecem os limites do bom senso. Principalmente aqueles mais escolarizados, aqueles que se orgulham em ser pagadores de impostos e que criminalizam partidos políticos. O segmento que mais produziu pequenos chorumes nesse ressaca eleitoral foi o voleibol brasileiro. Jogadores da nossa seleção, revoltados com o resultado das urnas, se jogaram nas redes sociais pra destilar seu ódio:

Lucão Saatkamp, que já foi batizado nas redes sociais de Lucão Elétrico, gritou para o mundo que é um pagador de impostos. Ou seja, uma obrigação de todo e qualquer brasileiro é encarada por Lucão como um troféu de honradez. Curioso. Com toda essa cidadania estonteante, o jogador brasileiro xinga todo um partido político e calunia as mães daqueles que se incomodarem. Um sujeito fino.

Mas não foi só o Lucaço. Nalbert, outro grande ídolo do vôlei, ignorou os inúmeros casos de corrupção do partido do seu candidato favorito e ironizou eleitores de Dilma:

Parece que Nalbert inclusive recomeçou as aulas de inglês pra se exilar em algum país de gente honesta. Mas o mais provável é que, tal qual Lobão, o jogador irá desistir. É que ele é beneficiário de um projeto do Banco do Brasil que distribui R$1,5 milhão a atletas e ex-atletas. Ou seja, Nalbert recebe uma bolsa mensal do governo.

Depois de uma enxurrada de críticas, Nalbert se arrependeu, deletou os tweets e tentou consertar. De repente, tudo mudou. Depois de associar Dilma e o PT a “assaltantes”, o jogador voltou atrás e resolveu escrever uma mensagem carinhosa para a presidenta, inclusive com uma imagem que relembra o seu passado de jovem guerrilheira:

Então tá beleza, Nalbert. Esqueçamos o passado. O que passou, passou.

Mas os chorumes ofertados pelo voleibol brasileiro ainda não acabaram. A Sheilla Castro, outra orgulhosa pagadora de impostos, incorporou Odete Roittman e fez uma dura ameaça contra o Brasil e os brasileiros:

Ou seja, uma jogadora da seleção brasileira, que representa a nação no exterior, declara publicamente seu repúdio contra uma legítima decisão dos seus conterrâneos e ainda nos ameaça com a sua ausência.

Utilizando clichês do tempo da Guerra Fria, nossa ídola mostra uma enorme dificuldade em conviver com a decisão democrática da maioria do povo, o que chega a ser irônico, já que ela teme que o país vire uma ditadura cubana. 

Mas parece que o nosso vôlei tem salvação. Ana Moser, talvez a maior atleta brasileira do esporte de todos os tempos, apareceu pra colocar os pingos nos is e mostrou estar envergonhadíssima com os colegas:

Depois dessa magnífica enquadrada, Ana Moser reforçou seu pensamento em entrevista ao blog Olímpicos da Folha:

“Vi muitas manifestações pesadas de pessoas mais e menos populares, até que deparei com mensagens de atletas do voleibol e não resisti. Na minha visão o pessoal exagerou, não pensou antes de teclar. ‘Fair play’ acima de qualquer coisa, sem desmerecer o processo democrático. Me senti envergonhada com a falta de bom senso dos meus colegas. Afinal não é competição, é eleição. Não se trata de vestir a camisa de torcida, se toma ideologicamente um lado antes e, depois, são todos do mesmo lado, do lado do Brasil”

E é com essa aula de democracia da Tia Ana Moser que encerramos a seção mais nobre dessa coluna. 



BEIJO NO CORAÇÃO

O beijo no coração dessa semana vai para Aécio Neves, que foi pego de surpresa com a derrota nas urnas. Antes do resultado oficial, amigos e parentes já davam como certa a vitória tucana. É que, segundo informações de um amigo do candidato, Aécio havia aberto larga vantagem sobre Dilma. Uma fonte quente minha disse que até champanhes já haviam sido abertas, agregando valor ao camarote antes da hora. 

Mas nosso beijo no coração do tucano vai por outro motivo. No início do ano, Aécio também já contava com a vitória em Minas Gerais, seu reduto político. E a nossa fonte quente é a VEJA: 

Bom, se Aécio fez essa constatação e até a VEJA repercutiu, quem sou eu pra contrariá-lo? 

Mas faz parte. O negócio agora é juntar os cacos do camarote, reunir forças e se preparar para os debates com Lula em 2018. Quem sabe até lá, ele seja merecedor do cargo. 




IMAGEM WANDALIZADA

O cidadão que protagoniza a imagem de hoje já foi wandalizado pela própria natureza. A coisa é tão assustadora, que a imagem dispensa maiores comentários. Veja o que esse militar de bem, preocupado com o bem estar dos brasileiros e os rumos da nação, compartilhou em seu Facebook: 

É isso mesmo que vocês estão vendo. Um ex-tenente do exército brasileiro vestiu a farda, tirou uma foto segurando uma bala de fuzil, e escreveu que era um presentinho pra presidenta da República. O grande problema é que Renato não é um jogador de vôlei, mas um militar cuja função principal seria a de proteger o Estado brasileiro e a mandatária máxima da nação.  

O Ministério da Defesa jogou panos quentes e disse que não era uma bala de fuzil, mas um simulacro, um inofensivo chaveiro. Disse ainda que o caso não será investigado “por não se tratar de um crime militar”. 

Quer dizer, um ex-militar faz uma clara ameaça de morte à presidenta da República e o governo encara apenas como uma brincadeirinha inocente, um chaveirinho bobo. Com toda essa liberdade de expressão, inclusive para declarar o desejo de matar a presidenta da República, ainda tem gente preocupada com a “ditadura bolivariana” no Brasil. 



WANDO RESPONDE

No post "Os melhores vídeos da ressaca eleitoral", uma groupie do astrólogo, vlogger, poeta e caçador de ursos, Olavo de Carvalho, apareceu para lançar um desafio para este humilde blogueiro:

Olavão é mesmo um gênio. E a PEPSI deve ser petralha.

(Siga-me no Twitter: @JornalismoWando)