WandNews - 78ª edição

E é com muita alegria e ousadia que anuncio a chegada da sua WandNews, a coluninha que vem recheada com os melhores chorumes e fofuras da semana.

Hoje temos mais um choruminho da série #BoimateNews da revista VEJA, a empresa mais lucrativa do Brasil que não paga o almoço daoos funcionários, o boato do confisco da poupança, e um Wando Responde comentarista de portal que revelou meu passado secreto.

CHORUMINHO

Eu já estava quase fechando a lista de assuntos pra essa WandNews quando a VEJA BRASÍLIA despejou um caminhão de chorumes na porta da redação. É que o jornalista Ulisses Campbell nos brindou com uma daquelas reportagens que matam de orgulho o Jornalismo Wando. 

Antes de apresentar o grande vencedor dessa semana, vamos voltar ao passado pra relembrar um outro choruminho da mesma estirpe. Em 2005, o “jornalista” Ucho Haddad publicou esse grande furo de reportagem:

FESTA DE ARROMBA - Quem pensa que a lama fétida que emerge das entranhas do poder acabou, engana-se. Tido como um dos mais badalados DJ’s do universo, Tiësto, que cobra cachês de US$ 30 mil para cima e foi responsável pela sonorização da abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, tem em sua agenda uma apresentação marcada para a Granja do Torto, mais precisamente em 11 de outubro.                            

Considerando que o presidente Lula é adepto de música sertaneja e pagode, e que a viagem de Tiësto a Brasília não será por simpatia ao presidente Lula ou algo parecido, tudo indica que se trata de mais uma farra dos primeiros-filhos, que o trabalhador brasileiro terá de financiar. É a mais nova barbárie consumista do presidente Lula, o defensor do povo e dos trabalhadores.

Em negrito destaco o rigor que permeou o trabalho de apuração do jornalista. A conclusão de que essa seria “a mais nova barbárie consumista do presidente” partiu de uma única fonte: a agenda de um DJ. Só que, na realidade, o show de Tiesto não aconteceria numa das residências oficiais do presidente, mas numa casa de shows de Brasília também chamada Granja do Torto. Ou seja, a tal festa do Lulinha jamais existiu. Mas a parte mais sensacional da história é o fato de Ucho se apresentar como “jornalista investigativo”.

Dessa vez, a família de Lula esteve envolvida em outro conto de ostentação bastante parecido. Em uma reportagem também investigativa, a VEJA BRASÍLIA noticiou:

A história é fantástica! Um sobrinho do Lula, de três anos, ganhará uma mega festa em Brasília com mais de 180 crianças convidadas. Os detalhes “apurados” pela VEJA BRASÍLIA tornam tudo ainda mais interessante: o alto montante foi pago em dinheiro vivo, cada convidado ganhou um IPad e foi agraciado com um vídeo de um jogador do Flamengo fazendo o convite para a festa de arromba. Com o carimbo VEJA de credibilidade, a notícia se espalhou com a ajuda da convicção dos seus leitores: 

Aí o chorume criou asas, teve milhares de compartilhamentos no Facebook e deixou muita gente revoltada com a audácia do ex-metalúrgico de São Bernardo. Mesmo sabendo que o ex-presidente ganha até meio milhão por palestra, muitos ficam desconfortáveis com sua prosperidade financeira, como parece ser o caso da VEJA e parte dos seus leitores.

O Instituto Lula correu para tentar conter o estrago provocado pelo jornalismo investigativo da revista:

Em sua edição do último sábado, 14 de fevereiro, o jornalista Ulisses Campbell publicou nota onde afirma que Thiago, que seria sobrinho do ex-presidente Lula, terá uma festa de aniversário de três anos com custo de 220 mil reais e Ipads de presente para os convidados. Lula não tem nenhum sobrinho com este nome residindo em Brasília.

Lamentamos que a revista publique informações falsas sem sequer checar a informação e que perfis da internet, como os do vlogueiro Felipe Neto, o da apócrifo Folha Política, e o do site Implicante, entre outras pessoas e veículos de boa e má fé, repliquem tal absurdo.

Apenas este ano já foram divulgados boatos sobre a volta do câncer do ex-presidente, a sua suposta morte e agora a festa de um falso sobrinho, entre outros casos de mentiras, boatos e mau jornalismo.

Quem é do ramo do chorume sabe: o desmentido nunca tem a mesma força e essa história estará presente nas rodas de conversas “talvez para sempre”.

Então ficamos assim: Lula é bilionário segundo a Forbes, promove festas nababescas para seu sobrinho de três anos e já morreu com um câncer no pâncreas. Já seu filho é proprietário de uma fazenda de R$47 milhões, comprou um jato de US$ 50 milhões, é dono da Friboi e promove baladas na Granja do Torto.  E VEJA faz um jornalismo de primeiríssima qualidade. 

BEIJO NO CORAÇÃO 

O Grupo JBS, proprietário da marca Friboi, é o maior produtor de carne bovina do mundo. É também um dos maiores financiadores de campanhas políticas do país, disputando os primeiros lugares de doadores com Itaú, Bradesco, Camargo Correia, Odebrecht, OAS e outros bancos e empreiteiras. 

Mas parece que o sucesso da Friboi não se repete no relacionamento com seus funcionários. Em ótima reportagem de Conceição Lemes para o Viomundo, fomos informados que a empresa tem sido um retumbante fracasso no que diz respeito ao cumprimento dos direitos trabalhistas:

"Por exemplo, descumprimento da pausa de 20 minutos a cada 1h40min em ambientes frios. Falta de locais adequados para o intervalo de recuperação térmica dos trabalhadores expostos à temperaturas extremamente frias para o corpo humano (entre 5o C e -15o C). Excesso de jornadas de trabalho;  há registros de até 12 horas seguidas. Infração de normas de saúde e segurança dos trabalhadores."

Mês passado, a funcionária Andreia Pires foi demitida por justa causa, apesar da estabilidade de emprego garantida por lei até setembro de 2015 por ser membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). Andreia contesta a justificativa da Friboi e diz que o motivo foi outro. 

Indignada com o fato da empresa passar a cobrar as refeições dos seus trabalhadores, a funcionária criou um abaixo-assinado contra a medida.

Sim, a Friboi, uma empresa cujo lucro líquido cresceu 400% no último trimestre de 2014 em relação ao mesmo trimestre de 2013, cobra as refeições de seus funcionários. O abaixo-assinado já contava com 200 assinaturas quando Andreia foi demitida. 

Essa gigante frigorífica, que compra empresas concorrentes, que investe milhões nas campanhas políticas do PT e do PSDB, e que recebe benefícios estratosféricos do BNDES, parece não querer compartilhar esse sucesso com seus funcionários. Não quer pagar nem o almoço!

O trabalho em frigoríficos é bastante pesado, o índice de acidentes de trabalhos é altíssimo e a pressão para aumentar a produção é constante.

Só no ano passado, a Friboi/JBS foi condenada quatro vezes por irregularidades trabalhistas, tendo que pagar R$ 8 milhões em indenizações. Uma pechincha pra quem lucra na casa dos bilhões. Parece que tem valido a pena.

Resta saber se Roberto Carlos e Tony Ramos tiveram que pagar o almoço quando foram gravar as propagandas da empresa. Afinal de contas, não existe almoço grátis pra quem presta serviço pra Friboi. 

PS: Assista abaixo ao trailer do documentário “Carne é osso”, que mostra as péssimas condições de trabalho nos grandes frigoríficos brasileiros.

IMAGEM WANDALIZADA 

Mais um boato agitou o Brasil na última semana. Mas, dessa vez, o boato teve consequências sérias e deixou muita gente desesperada. Foi no Whatsapp, a rede social que oferece as condições de pressão e temperatura ideais para a proliferação do chorume, que o boato nasceu. Vejamos essa belezura:

É incrível como a boataria ganha força em tempos de vida em rede. Este “comunicado oficial” da Caixa contém diversos erros de ortografia, nenhuma pontuação e nenhuma lógica.  

Quem é a “Federção dos Bancos do Estado Brasileiro”? Ela simplesmente não existe. Existe a FEBRABAN (Federação Brasileira de Bancos), que é uma entidade representativa privada e jamais teria condições de congelar as poupanças. A coisa não para por aí. Quem assina o comunicado é a “Gerência Nacional do Brasil”, uma gerência da qual nunca se ouviu falar, ainda mais pelo fato de ser “nacional do Brasil”.

Mas, a gente sabe, nada disso representa um empecilho pra o bom chorume virar verdade. Com o pânico instaurado, outros incrementos surgiram pra fortalecer o boato. Assistam ao vídeo:

Agora temos uma imagem e um áudio. A gravação do telefonema revela que “um gerente de banco dos EUA, que é irmão de um deputado no Brasil” alertou que haverá o tal confisco. O mais incrível é que o apresentador do áudio, que mora nos EUA, considerou desimportante apurar a informação que poderia causar pânico na população:

"Um amigo me mandou um áudio. E eu não perguntei pra ele de onde veio, porque não interessa!"

"Pode ser verdade, pode ser mentira, não sei. O que eu sei é que eu estou passando pra vocês."

Ou seja, o importante mesmo é repassar, curtir e compartilhar o boato. 

Até uma reportagem do G1 foi forjada para conferir credibilidade à mentira:

Pronto! Agora temos uma imagem, um áudio, uma reportagem de um grande portal e milhares de pessoas preocupadas com o confisco de suas poupanças.

O governo emitiu comunicado negando e informou que colocará a Polícia Federal pra investigar o boato. Mas, como já falei, a força do desmentido nunca é a mesma e até hoje há muita gente querendo tirar o dinheiro da poupança temendo o confisco. 

Numa época em que o impeachment está em pauta, nada como associar Dilma a Collor e colocar uma pulga atrás da orelha do povo. 

WANDO RESPONDE

Na última WandNews, um cândido comentarista de portal apareceu pra revelar meu passado secreto:

(Siga-me no Twitter: @JornalismoWando)