Dez perguntas para Marina Silva

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Confirmada como candidata do PSB à Presidência no lugar de Eduardo Campos, morto há uma semana em um desastre aéreo, em Santos (SP), Marina Silva dá início à sua campanha, a partir desta quarta-feira 20, com uma série de perguntas sobre como se comportará à frente da chapa da qual até a semana passada era coadjuvante. Como resumiu o novo presidente do partido, Roberto Amaral, antes ela era a grande eleitora de Campos. Hoje é o contrário, e isso muda tudo, ou quase tudo, na estratégia de uma candidatura que se reinicia após uma série de reviravoltas – da tentativa frustrada de criar a sua própria legenda, a Rede Sustentabilidade, ao abrigo em uma sigla da qual desponta agora como a principal liderança.

Nesta posição, não são as semelhanças com Eduardo Campos que estarão em evidência, mas as suas diferenças, que ela deverá amainar para levar adiante o projeto pavimentado nos últimos meses pelo ex-governador de Pernambuco.

Com chances reais de vencer a disputa, segundo o último Datafolha, Marina Silva terá cerca de dois meses para sinalizar como pretende conciliar seu histórico de militância com este projeto.
Abaixo, listo dez (entre muitos outros) pontos que a ex-senadora deve se confrontar e tentar esclarecer até outubro para não afugentar os eleitores que hoje manifestam a disposição em apoiá-la.
 
PSDB x PT: Nem a favor nem contra?

Em 2010, Marina Silva anunciou o desejo de contar, em um eventual governo, com os melhores quadros do PT e do PSDB. Em 2014 a candidata não aceitou aparecer em fotos ao lado do governador Geraldo Alckmin (PSDB), de quem o PSB é aliado em São Paulo. Ao que parece, PSB e a Rede Sustentabilidade têm ideias distintas sobre quem são os melhores quadros dessas legendas. Como este atrito se resolveria em uma gestão supostamente aberta a neoaliados? Ou essa abertura se resumiria a PPS, PHS, PPL, PRP e PSL, partidos integrantes da coligação em torno de Marina?
 
PSB x Rede

Em uma eventual vitória nas urnas pelo PSB, o que aconteceria com a Rede Sustentabilidade? Marina e seus aliados continuariam a batalha para viabilizar o partido ou ele seria definitivamente incorporado ao PSB? Em outras palavras: de quem será o governo, de uma legenda oficialmente inexistente ou da legenda que lhe deu abrigo?
 
Direitos humanos e "humanos direitos"

No ano passado, a ex-senadora causou polêmica ao sair em defesa de Marco Feliciano, deputado homofóbico do PSC que acabara de assumir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Para a candidata, o líder religioso não tinha histórico de militância nem capacidade para assumir o posto, mas sofria preconceito em razão de sua religião. No governo Dilma, no entanto, as iniciativas de combate à homofobia, como o (assim chamado) “kit gay”, foram barradas após pressão justamente de grupos religiosos. Marina acerta quando diz que o Brasil é um Estado Laico, e não ateu – portanto, deve garantir a liberdade de crença, e de não crença, a seus cidadãos. Mas, caso eleita, como ela pretende arbitrar estes conflitos inevitáveis?
 
Lei antiterrorismo x Desmilitarização

Boa parte dos manifestantes que foram às ruas em junho de 2013 vê em Marina Silva uma opção política viável a “tudo isso que está aí”. Um ano depois, duas bandeiras de natureza distintas surgiram em decorrência das mobilizações. Um, de reação, é o apelo de determinadas forças políticas para criminalizar os atos e endurecer as penas para manifestantes, que poderiam ser enquadrados como “terroristas”. Outro, de iniciativa popular, é a campanha pela desmilitarização da polícia, acostumada a confundir, com armas letais e não letais, manifestantes com inimigo. Em sua campanha, a candidata precisará deixar claro o que pensa desses dois projetos.
 
Os bagres e as hidrelétricas

Um dos motivos da saída de Marina Silva do governo Lula foi o embate sobre a construção de hidrelétricas. Alvo de deboche ao ser chamada de “ministra dos bagres”, por cobrar contrapartidas ambientais às usinas de Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, Marina não poupou críticas às obras ao deixar o Ministério do Meio Ambiente. Como muitos compromissos não foram cumpridos, ela chegou a afirmar que as obras seriam paralisadas sob a sua gestão. A ex-senadora já afirmou também que o Brasil é refém das hidrelétricas e defendeu a paralisação das obras em Belo Monte, no Pará, devido aos questionamentos sociais e ambientais relativos ao empreendimento. Caso eleita, a conclusão da usina cairá em seu colo. O que ela pretende fazer? Libertar o “refém” ou dar continuidade ao projeto?

Fim das termelétricas?

Marina Silva e a Rede Sustentabilidade são assumidamente contrários à geração de energia via usina nuclear. Em caso de vitória nas urnas, esta posição representaria o fim das atividades das usinas já existentes? E em relação aos projetos em andamento?  
 
Petrobras e a “obsessão” por combustíveis fósseis

Em artigo recente, a ex-senadora afirmou que o Brasil pagava caro pela falta de planejamento energético e pela “obsessão” por combustíveis fósseis. De que maneira a crítica a essa “obsessão” altera, em um eventual governo Marina, o papel da Petrobras como a principal indutora de investimentos do País nos anos Lula e Dilma. Como conciliar esta “obsessão” à necessidade de expansão dos combustíveis renováveis? O que diz a candidata sobre as medidas de incentivo à indústria automobilística, como a redução do IPI, para alavancar as vendas de carro no País? Ou existe alguma intenção de impedir a ampliação da frota de veículos em detrimento da ampliação dos espaços públicos? (Em tempo: a candidata vai manter a promessa de Passe Livre defendida por Eduardo Campos?)
 
Código Florestal x Código Agrário

Em 2012, Marina afirmou que a provação do novo Código Florestal, mesmo com os vetos da presidente Dilma Rousseff, significava a revogação de “mais de 20 anos de esforço de regulação e governança ambiental” no País. “Temos um Código Florestal que não é mais florestal, é um ‘Código Agrário’. O que está sendo avaliado é uma caixa de Pandora, com todas as maldades”, criticou ela em 2012. Em seu eventual governo, o projeto seria objeto de nova análise? Haveria um segundo Código Florestal para substituir o Código Agrário?
 
O Brasil e o aquecimento global

Em 2015 será realizada, em Paris, a Cop21, a mais importante conferência internacional sobre mudanças climáticas desde Kyoto. Dali deve sair um acordo, para entrar em vigor em 2020, sobre ações efetivas de combate ao aquecimento global. Cada país dirá qual a sua contribuição para evitar um aumento médio da temperatura de 2ºC ainda neste século. Qual será o protagonismo do Brasil nesta conferência? Com uma líder ambientalista no poder, o País aceitará cortar na própria carne ou repetirá o discurso de “responsabilidade histórica” sobre as grandes potências, as maiores responsáveis pela devastação e poluição do meio ambiente desde a revolução industrial?
 
O vice dos transgênicos

Candidato a vice na chapa de Marina, o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) é um dos principais defensores da liberação do plantio de soja transgênica no País, tema que causa arrepio aos ambientalistas. Caso seja eleita, qual posição deve prevalecer no Planalto em relação ao assunto?

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