Mente Aberta
  • Sempre me fascinou a imagem da encruzilhada. No fundo não se trata de uma imagem, mas de uma concretude! Qual o caminho a caminhar é questão que nos envolve da infância à velhice. O curioso - e gracioso - é que nunca estamos 100% seguros da trilha, picada, atalho que pegamos.

    Aquele que se casou com Maria, não se casou com Arlete. Quem viveu uma vida com o Marcus, abriu mão de uma existência com o Eduardo. Para ser engenheira, ela sufocou a carreira de desenhista. Pela carteira assinada, ele abandonou o violoncelo. Para se sentir mais livre, ela deixou o emprego promissor.

    Caminhos! Melhor, decisões. A poeta Cecília Meireles (1901-1964) traduz a encruzilhada das decisões nos seus deliciosos versos: "Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo e vivo escolhendo o dia inteiro! Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo."

    As dúvidas do poema dizem respeito ao universo infantil. Doce, anel,

    Saiba mais »de Para aonde mesmo?
  • No finalzinho do século passado, eu dava aulas de roteiro para vídeo e Tv em uma instituição séria e eficiente. Gostava do ambiente e fazia meu trabalho com amor. Um bom casamento entre mim e os gestores. A coisa começou a azedar quando essa escola decidiu chamar os alunos de clientes. Notem bem, não trocaram aluno por educando e nem por aprendiz, dois substantivos simpáticos.

    Cresci com a ideia de que cliente é aquele que paga e, por conta de abrir a carteira, sempre tem razão. E que o pessoal de trás do balcão deve sempre satisfazê-lo. Fiquei me perguntando: a partir de agora, o aluno sempre terá a última palavra? Como eu poderei desagradá-lo, ou mesmo repreendê-lo, quando ele não fizer a lição de casa?

    Será que estou me tornando casmurra como o Bentinho velho do Machado de Assis? De qualquer forma, não sou mais professora de nada. Não tenho clientes. Mas tenho leitores. Gente que espontaneamente lê uma ou outra crônica saída das teclas do meu Mac. Alguns, entre os leitores, se dão

    Saiba mais »de Leitor também precisa ser bom
  • para nós, e para os outros também, há uma série de situações, frases, comportamentos que mais prejudicam do que ajudam. Eles são a turma do contra. Bombeiros do corta-entusiasmo, corta-iniciativa. Fiz uma pequena lista de sete pecados estorvantes:

    Papo terno e gravata
    Quando a formalidade e as reticências disfarçam a falta de conteúdo. As mensagens do contrato, aviso, relatório, e-mail vêm de tal maneira emboladas que a gente não entende nada. Elas são feitas para isso mesmo.

    Você fará a diferença
    Como? Ninguém faz a diferença sozinho. Contratam você esperando criatividade e novidade. Mas a empresa segue na mesma pasmaceira. Todos esperam que você seja uma espécie de abajur, ligou na tomada a lâmpada acende.

    O mundo mudou
    Maneira elegante de desconsiderar sua opinião. É como dizer: "Olha, sua ideia até que é boa, se estivéssemos no século XX." Mas como o mundo muda sempre, você vai para a casa com a sua proposta sem saber porque ela não serve.

    Cadê a foto?
    Essa é para redatores,

    Saiba mais »de Pedrinhas no sapato
  • Heleieth Saffioti (1934-2010), professora, socióloga e escritora feminista, era uma educadora 24h. Aliás, como costumam ser os educadores apaixonados e apaixonantes. Numa entrevista dada a mim, em 2005, ela contou que tentava educar quem cruzasse o seu caminho. Por exemplo, disse que educou o marido, o renomado químico e físico Waldemar Saffioti. Logo ao se casar ela passou o recado: "Na minha vida, mando eu." Parece que teve sucesso pois, segundo ela, "ele se tornou um homem feminista, capaz de respeitar e admirar a minha autonomia."

    A professora deu a entrevista para que eu pudesse fazer o seu perfil. Ele foi publicado no livro Brasileiras Guerreiras da Paz, coordenado por Clara Charf e escrito por mim, Patrícia Negrão e Carla Rodrigues. A conversa aconteceu no apartamento de Heleieth, cuja varanda dava para as copas das frondosas árvores da Praça da República, em Sampa. Eu fiquei maravilhada com a vista e a verve da socióloga.

    pelas tantas, ela declarou que também adorava

    Saiba mais »de A professora, a bituca e a lição
  • Não existe um só relógio para o tempo. Se para uma pessoa oitenta anos é praticamente toda sua vida, para a História oito décadas é muito pouco. Para a internet é o contrário: o que aconteceu ontem tem cheiro de século passado, o que acontecerá amanhã tem cara de hoje.

    Blogs se popularizaram, no Brasil, lá por 2001. Se o blog fosse uma pessoa seria um menor de idade. Inimputável. Para o tempo histórico, ele ainda não mereceria registro e reflexão. Mas a comunicação digital, entre mil e três provocações, também veio para bagunçar o coreto de Cronos - o deus grego da Agricultura e, portanto, do tempo.

    O fato é que eles cresceram e criaram a blogosfera. Há tantos blogs quanto blogueiros. Duas são as principais críticas feitas a eles. A primeira diz que os blogs são espelhos de Narciso - mito grego que se apaixona pela própria imagem. Ou seja, blogs seriam jardins de egos. A segunda crítica desqualifica os blogueiros, uma vez que qualquer um - sem título ou carteirinha - pode escrever um.

    Saiba mais »de Escreva seu blog
  • Concordo. A palavra diversidade de tão escrita, pronunciada e repetida corre o risco de ver seu significado passar batido. Desapercebidas vão se tornando todas as palavras-conceito usadas à exaustão. Lá são: cidadania, sustentabilidade, conectividade, CPI, mobilidade e complete a lista com tantas outras que você lê no jornal, no blog, no livro. Ou ouve no rádio e na TV.

    Mas não é porque diversidade virou arroz de festa, recurso de marketing de marcas, que se tornou desimportante. Ao contrário, o conceito anda amadurecendo. Se antes, diversidade era botar uma criança negra e outra japonesa ao lado de um bando de branquinhos numa propaganda, hoje a gente quer muito mais do que isso.

    Entendemos que diversidade é o conjunto de pontos de vista, características, identidades, sonhos nascidos de fontes distintas umas das outras. É colaboração, pois aporta novos olhares para uma mesma situação ou questão. Por exemplo, o Conselho de Segurança da ONU - composto por Estados Unidos, China, França,

    Saiba mais »de Regue sua árvore
  • Não consigo contar quantas chuvas desabaram, quantas pedras rolaram, quantos pedágios paguei, quantos tomates comi, quantas pessoas amei, quantas detestei, quantas palavras escrevi nos últimos cinquenta anos. Meio século não é continha à toa. Mas trago na memória fresquinho o Golpe Militar ocorrido há exatas cincos décadas.

    Lembro com precisão do mês de abril de 1964. Eu tinha oito anos, quando um delegado de polícia e soldados do exército invadiram a minha casa e arrastaram preso meu pai. Foi a primeira vez que vi papai chorar. A segunda foi no enterro da minha avó. A terceira e última foi em novembro de 2013, quando ele concluiu que estava morrendo.

    É evidente que na época nada entendi. Meu pai não era ladrão, não era corrupto, não tinha matado ninguém. Só depois descobri o motivo da prisão: ele era um brasileiro, como tantos outros, que tinha ideias políticas muito firmes. No caso dele, era um sindicalista bancário e comunista de coração e carteirinha.

    Para os militares e civis que

    Saiba mais »de Golpe eterno
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    Inveja não mata. Pois se matasse, eu não estaria aqui escrevendo para você. Mas que inveja dá um prazerzinho, lá isso dá. Sempre invejei o pessoal que é capaz de registrar, comentar, recriar as coisas do mundo com lápis, pincel ou programas de computador. Gente que tem os dedos de ave, gente que colore a imaginação.

    Mas a mim coube o preto e branco das palavras. O suor de escorregar frases no parágrafo. A dura estiva de ter como instrumento a língua e, dia após dia, arar um conteúdo que seja profundo e sedutor ao mesmo tempo. Sobra-me a incômoda sensação de que por mais que faça ainda estarei devendo.

    Bem diferente da turma que trabalha com imagens! Pois o público sempre gosta. Vejamos: uma postagem no Facebook terá mais curtidas se vier bem acompanhada por uma ilustração, ou fotografia. Um blog ganhará seguidores quanto mais figuras tiver. Porque as pessoas adoram olhar imagens.

    olhar para letras? Elas têm que fazer muito sentido. Trazer alguma verdade ou mentira que transporte

    Saiba mais »de Quero ser pintora
  • Esta crônica é dedicada preferencialmente aos nascidos na era digital. Aqueles que quase nunca - ou nunca mesmo - manusearam folhas de um jornal. De tão distantes, talvez nem os percebam nas bancas de jornal. Estas, aliás, também estão se transformando em varejo de balas, energéticos, chaveiros e mil quinquilharias coloridas.

    Outro dia uma amiga, nascida na era analógica, pediu que eu prestasse atenção nas mãos da garotada. Ela disse: "Repare como os dedos são frágeis, finos, compridos. Deve ser de tanto tocar e teclar. Polegares mutantes." Descontando a ironia da amiga, alguma verdade ronda aí.

    Eu sei que a garotada, como seus antepassados, continua vidrada em informações. O verbo googar, em breve, constará do indispensável VOLP - Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, editado sob responsabilidade de acadêmicos que tomam chá vestidos em fardões com detalhes dourados.

    Mas um jornal não é mero suporte - feito de papel e tinta. Nasceu e cresceu coroando uma tremenda conquista: a

    Saiba mais »de Muito além de embrulhar o peixe
  • Pode reparar, as pessoas narram mais sucessos do que fracassos. Falam dos trabalhos bem-sucedidos, silenciam sobre os malogrados. Preferem lembrar do excelente negócio e esquecer de uma transação deletéria. Talvez porque associamos o fracasso à coisa ruim e o sucesso à coisa boa.

    É como se nos envergonhássemos das situações em que fomos burros, ou passados para trás. No entanto toda biografia, até as dos que nasceram anteontem, apresenta doses consideráveis de erros e autoenganos. Quantas vezes me senti capaz e não fui. Outras, farejei oportunidades que deram em becos. Houve projetos em que acreditei entender tudo e no final não havia compreendido nada.

    Ao ler entrevistas com empresários muito ricos, com celebridades do mundo das artes, com prêmios Nobéis, fico sempre aguardando o momento em que eles falarão do que não deu certo, de uma visão equivocada, de um tiro n´água. Em geral, elas e eles não revelam. É tudo sucesso!

    Mas, de repente, acontece de alguém ser mais sério e sincero.

    Saiba mais »de Adivinhe quem não veio

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SOBRE O INSPIRE-SE

"Inspire-se" é um projeto que traz a você o que de melhor acontece no mundo e mostra o lado bom da vida. Aqui é o lugar para encontrar aquelas notícias especiais, que fazem seu dia valer a pena.


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Fernanda Pompeu

Cronista nas horas vagas e de trabalho. Melhor dito, uma webcronista. No blog Mente Aberta, do espaço "Inspire-se", ela procura incentivar os leitores a pensarem e agirem fora das caixinhas. Isso porque inspiração, criatividade, insights e respeito às diferenças precisam de oxigênio para prosperarem.

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