Deu apagão? Aproveite!

Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu
5 de julho de 2012

Tem dia que nem craque de futebol, desses que ganham milhões, consegue desempenhar. Ele entra em campo todo pimpão e faz um jogo apagado. Não importa se na camisa está escrito Messi, Iniesta, Cristiano Ronaldo ou Neymar. Simplesmente acontece.

Às vezes esta blogueira disciplinada e esforçada, que neste exato momento conversa com você, fica olhando para o teclado sem descobrir que letra pressionar. Igual deve suceder quando a melhor cozinheira da mundo embatuca na frente de um banal omelete.

O nome desse evento é apagão criativo. De repente, é como se toda experiência - quilômetros rodados, gols marcados, milhões de palavras digitadas, milhares de boletos carimbados, sacos e sacos de arroz cozinhados - não ajudasse em nada.

Existe também quem chame isso de "deu branco". Quando a mente se detém em tudo que foge da tarefa a ser feita. Aí navegamos por sites irrelevantes, procuramos marchinhas de velhíssimos carnavais no You Tube. Entramos sem parar no Face, escrevemos 140 caracteres ininteligíveis no twitter.  E, a parte pior, sentimos angústia.

Até descobrirmos que na verdade o apagão criativo nada tem de negativo. Aliás ele pode ser muito produtivo. Imaginemos que o apagão é uma espécie de ponto morto do cérebro, essa fantástica fábrica cognitiva. Ora, é preciso passar pelo ponto morto para engatar as marchas.

Da próxima vez que o apagão vier até você, deixe o trabalho e vá ao cinema. Ou vá tomar um expressinho na padoca da esquina e troque alguma prosa com a caixa. Ou simplesmente derrame seu olhar pela janela: observe os carros, os passantes, as cores dos guarda-chuvas caso despenque um temporal.

Pode anotar: muitas respostas e soluções surgem em um instante de distração da mente e relaxamento do espírito. A desconcentração é também ferramenta. Quando você deixa de pensar na bola, muitas vezes, ela aparece na sua frente e você faz o gol.

Eu sei. Há cliente, líder, chefe, patroa fingindo não compreender isso. Acham que você está fazendo corpo mole. Aí é a  oportunidade de você ser criativo e mostrar para ele ou ela que seus dedos não estão trabalhando, mas a sua mente está perto de engatar uma quinta.

* Foto: Régine Ferrandis, de Paris.