O que te inspira

Fernanda Pompeu
Fernanda Pompeu


As musas, na mitologia grega, eram nove entidades com poder de inspirar artistas, alquimistas e poetas. Também inspiravam trabalhadores comuns, desde que apaixonados. Faz sentido. É quando criamos e amamos que mais esbanjamos inspiração.

Tenho uma amiga que jura que suas melhores ideias vêm quando  está debaixo do chuveiro, com a condição que a água caia quente. Meu pai conta que caminhando teve grandes insights. Já minha mãe costuma dizer que são as flores em sua varanda que iluminam seus fazeres.

E quem não teve um amor como inspiração? Muita gente inspirada por uma paixão escreveu versos, grafitou muros, tirou fotografias, arranhou violões, batucou latas, desenhou corações, viu o sol na lua, cantarolou ou tirou partido do silêncio.

Mas - vida real, preto no branco - nem sempre estamos apaixonados. Nem sempre há uma musa caridosa a soprar notas encantadas. Muitas vezes o que temos como companhia é o trânsito morrinha, o metrô lotado, o ridículo salário.

Então como fazer para seguir inspirado? Como proceder quando a musa tira férias? Ou está de licença-maternidade? No dia a dia, somos instigados a desempenhar, buscar soluções, e ser criativos. Isso é o que exigem de nós e também o que exigimos dos outros.

Exemplos, você precisa concluir um trabalho ao mesmo tempo satisfatório e num prazo apertado. O nome dessa musa é necessidade. Ou ninguém está cobrando, nem esperando nada. Mas você quer mostrar seu potencial e valor. O nome dessa musa é vontade.

Necessidade e vontade são musas populares da maior parte das coisas legais que realizamos na vida. Duvida? Pergunte a quem já trabalhou bastante. Melhor ainda, pergunte para dentro de si mesmo. Confira em quantas ocasiões a precisão, em outras o desejo, levaram você a um resultado acima do esperado.

Moral da história: quando a musa não aparece, a gente tem que inventar uma. Pular miudinho, como diz o pessoal mais antigo. E fixar na porta da geladeira o aviso - tão célebre que ninguém lembra mais do seu autor - : "Todo bom trabalho tem 5% de inspiração e 95% de transpiração".

* iPhonografia: Régine Ferrandis, de Paris