De onde elas vêm?

Fernanda Pompeu

Tanto este computador que uso para escrever quanto esse que você está usando para ler têm um passado. Uma história de experimentos, erros, acertos, evoluções. Há muita gente, viva e morta, que suou conhecimento para essa tecnologia chegar até nós.

Cientistas, técnicos, engenheiros, matemáticos, empresários, entre inputs outros, cruzaram vários caminhos para que eu e você pudéssemos nos relacionar instantaneamente a distância. Pudéssemos fazer dessa ferramenta eletrônica uma oportunidade de diálogo.

Eles e elas erraram para burro! E por fim acertaram na mosca! Todo grande sucesso, antes de sê-lo, teve uma quantidade enorme de erros. Uma lição que a ciência nos dá: só se acerta depois de muito tentar, só se encontra depois de exaustivamente procurar.

Bruce Alberts, bioquímico e professor emérito da Universidade da Califórnia, em entrevista à revista Pesquisa Fapesp, afirma que o fracasso é parte do jogo da ciência. E pessoas bem-sucedidas são as que aprendem com os erros. Bruce conclui: "Quando nos tornamos mais velhos, ficamos mais sábios porque já erramos muito".

Tenho para mim que a dupla erro-acerto não tem a ver apenas com a ciência, mas com a vida em sentido amplo. O cotidiano é puro experimento mesmo para os mais experientes. Errar no sal do arroz até acertar a pitada direitinho.

Errar no amor até compreender o que a parceira ou o parceiro realmente necessita e deseja. Parece que o universo é uma questão de ajuste. Um desafio até esbarrar com o tom preciso, com a harmonia desvelada.

Mas, cara-pálida, como fazer tudo isso? Não sou tão velha a ponto de ter a resposta. Não errei tudo que tinha para errar. Mas - como na ciência - uma boa dica é descobrir de onde as coisas vêm. E como elas caminharam do passado ao presente.

é uma vertigem constatar que a maioria das coisas do universo tiveram seu início muito antes dos nossos pais, avós e bisavós terem nascido. Por exemplo, a ânsia pela informação e a vontade de nos comunicarmos.

Informação e comunicação são da Idade da Pedra e, só depois de infinitos erros e acertos, pousaram nos nossos computadores. Para avançarmos ainda mais, a pergunta continua sendo: onde podemos melhorar?

iPhonografia: Régine Ferrandis, de Paris.