Toca pra 2016

Mente Aberta

Será que a esperança é exclusiva da raça humana? Cães idosos têm fé em recuperar forças? Pássaros engaiolados acreditam que um dia seus donos devolverão suas asas? Difícil saber, pois não falamos a linguagem dos bichos, nem eles a nossa. A esperança também faz parte da frase eleita a dama dos clichês. Aquela que diz ser ela a última que morre. Então fiz uma lista de esperanças para este Mente Aberta de virada de ano. Compartilho:

1 Amor
Com todos os seres vivos. Com os objetos emocionais também. Por exemplo, com aquela fotografia em que seu bisavó ou bisavó aparecem no cantinho. Preserve as raízes e a árvore crescerá.

2 Amor
Não apenas com o que imaginamos no futuro. Mas com o passado pessoal e coletivo. Homenageie o que foi bom. Relembre os fatos negativos para não repeti-los. Os mortos não desaparecem. Os mortos queridos caminham ao nosso lado. Não os espante.

3 Amor
Ao seu trabalho. Ele não é só meio de ganhar a vida. É fundamentalmente colaboração. Não importam o título ou ofício. Há péssimos cirurgiões e excelentes balconistas, há artistas ruins e costureiras magistrais. Ponha na cabeça que aparência é apenas aparência. É a casca da fruta.

4 Amor
Aos que envelhecem. Aos que perdem a memória. Aos que perdem a linguagem. Aos que perdem a alegria. Aos que perdem a esperança. Mais compaixão, empatia, reconhecimento.

5 Amor
Esse é difícil, mas não impossível. Se não dá para amar, dá para respeitar os que pensam diferente. Veem a vida por outros ângulos. Tentam a felicidade de jeitos estranhos aos nossos. Falam outras línguas, praticam outros gestos.

6 Amor
Aos animais. Os domesticados e os selvagens. Abra mão do poder da crueldade. O planeta e a vida não são privilégios nossos. Tudo está interligado. Tudo é uno. Umbigos se comunicam numa dança infinda.

7 Amor
À impermanência. Nada fica o tempo todo no mesmo lugar. Até mesmo o lugar se modifica. Você hoje é distinto do você ontem e amanhã será outro. A Fernanda que conclui esta crônica é diferente da Fernanda que a começou.

8 Amor
Aos meus leitores e leitoras - os constantes e ocasionais. Sem vocês não existiria a escritora. Aproveito para noticiar que em janeiro de 2016 faremos uma pausa no Blog Mente Aberta. Espero pelo reencontro.

imagem: Régine Ferrandis