Tudo por dinheiro?

Fernanda Pompeu

combinado. Ter dinheiro no bolso, no banco, debaixo do colchão, no cofrinho de barro, na lata velha de biscoito é muito bom. Quando eu era criança, minha mãe me perguntava: "Você prefere ser feliz com dinheiro, ou feliz sem dinheiro?" Na época, não entendia a pergunta.

Hoje, com toda certeza, responderia: "Prefiro ser feliz com dinheiro." Podemos complicar a questão: você prefere ser feliz sem dinheiro, ou infeliz com dinheiro? Aí, ela fica mais difícil de responder e bem mais adulta também.

O dinheiro nunca traz infelicidade. É a forma de ganhá-lo que pode pôr você triste. Muitas pessoas no mundo inteiro aguentam chefes autoritários, colegas canalhas, rotinas enfadonhas, jornadas exaustivas, trabalhos sem-graça para garantir o dindin no fim do mês.

É injusto, mas é a realidade. Qualquer pesquisa demonstra que a maioria dos trabalhadores sentem frustração no trabalho que fazem. Para uma grande parcela, a redenção está na sonhada aposentadoria: "Aí então me verei livre para fazer o que sempre gostei."

Mas se você, que me lê neste post do Mente Aberta, for todavia jovem ou estiver pensando em trocar de carreira, vale a pena refletir uma, duas, sete vezes na relação entre profissão e dinheiro. Pois é temerário embarcar no conto de se dedicar a uma atividade apenas pela promessa da remuneração.

O melhor é raciocinar primeiro com o coração. Tentar fazer o que acredita que gosta, trabalhar naquilo em você que tem algum talento. É o que antigamente chamavam vocação. Você começa feliz. O dinheiro virá por competência sua e por um pouco de sorte.

certo. Competência depende da gente, sorte não. Mas se dedicando ao que ama, você garantirá dois terços da alegria. No entanto se pensando no dinheiro você se meter em uma atividade que desgosta - ou é que lhe indiferente - as chances de dar chabu aumentam.

Então a boa tacada é escolher a profissão por amor ao ofício. O resto o tempo revelará. Faço minhas as palavras do filósofo brasileiríssimo Barão de Itararé (1895-1971), vulgo Apparício Torelly, "O que se leva dessa vida é a vida que a gente leva."

iPhonografia: Detalhe da exposição "Soyez les bienvenus" de Fanny Bouyagui. Régine Ferrandis, de Paris.