Mente Aberta

Você vive sem chefe?

Uma das mudanças mais profundas que a internet causou ao mundo foi revolucionar as maneiras com as quais trabalhamos, aprendemos, ensinamos, nos relacionamos. Isso é óbvio. No entanto, o óbvio de tão óbvio passa muitas vezes despercebido.

A internet está afastando os intermediários. Está mandando aquele pessoal que ficava no meio das coisas para o Museu do Desuso. Isso fica muito claro quando fazemos uma compra online. Você escolhe o produto, preenche o cadastro, diz se é para presente, paga via cartão de crédito ou boleto bancário.

Fazemos a compra sem nos relacionar com o vendedor, o empacotador, o caixa, o bancário. Fenômeno parecido ocorre quando vamos pesquisar. Elaboramos a pergunta e analisamos sozinhos as respostas. Ou seja, a internet aumentou exponencialmente nosso poder de ação e de escolha.

De certa forma, a rede mundial transformou o usuário, o consumidor, o freguês, o internauta - ou qualquer nome que você queira dar - na estrela dos negócios. Tudo é planejado, executado, propagandeado para não desagradar essa estrela que, com as redes sociais, se tornou de primeira grandeza.

Eis o lado bom, fácil, cor de rosa da internet. Mas a perda de intermediários nos força a ser mais independentes e autônomos. Acabamos sem aquela pessoa que nos leva pela mão, que nos ajuda a decidir, ou mesmo sem aquela pessoa que diz o que a gente deve fazer.

No planeta do trabalho pós-internet, a figura do chefe perdeu importância e, em alguns lugares, até desapareceu. Quando digo chefe, falo daquele intermediário que vigiava se os subordinados estavam produzindo ou não. Se cumpriam os horários ou não.

Agora é o ponto eletrônico quem vigia os horários. É o resultado final quem demonstra se você trabalhou direitinho. Estamos mais livres! Mas, sempre tem um mas, ficamos mais sobrecarregados também. Pois era bem mais fácil enganar chefes do que levar na conversa máquinas e números.

Nunca foi tão verdadeiro o ditado popular: "Escreveu, não leu. O pau comeu". Ficar sem intermediários põe uma ponta em contato imediato com outra. Você diretamente com o consumidor. Você diretamente com o cliente. Você diretamente com o empregador. E assim vai.

O almoço a pagar por um mundo mais direto é o emagrecimento dos nossos estoques de desculpas. Vamos ficando sem ter a quem culpar. Se o nosso trabalho saiu ruim é porque não o fizemos tão bem. Aquele chefe babaca não está mais lá. Hoje, e pelo futuro infinito, é tudo com a gente mesmo.

* Foto: Régine Ferrandis, de Paris.

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Fernanda Pompeu

Cronista nas horas vagas e de trabalho. Melhor dito, uma webcronista. No blog Mente Aberta, do espaço "Inspire-se", ela procura incentivar os leitores a pensarem e agirem fora das caixinhas. Isso porque inspiração, criatividade, insights e respeito às diferenças precisam de oxigênio para prosperarem.

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