Putz
  • E não é que PC Siqueira tem razão

    Se você desconfia que a cobertura da velha mídia sobre a onda de protestos tem algo de “Selo Bino de Cilada”, aqui vai um vídeo muito bom e didático de PC Siqueira e companhia. Pois é, PC Siqueira é didático. Prova de que estamos nuns dias bem loucos. Tomara que ajude a moçada que "acordou" e saiu de bueiros do Facebook a querer e se acostumar com a luz do dia.

  • Stayin’ alive

    Se havia dúvida de que São Paulo corre o risco de ser entregue a “vândalos e baderneiros”, ela virou fumaça quando a Tropa de Choque da PM tocou o terror na quinta-feira. O pior dia de violência desde o início das manifestações fez a pauta extrapolar o protesto contra o aumento das tarifas de ônibus. A repressão conseguiu despertar algo próximo de uma Primavera do Busão. O que está em jogo agora é o direito de ir às ruas sem levar porrada.

    A megamanifestação que se espera nesta segunda-feira foi convocada pela própria estupidez da PM e por quem manda nela, com uma forcinha da imprensa tradicional, flagrada em desconexão com a realidade e com o interresse do público. Basta lembrar que a quinta do terror amanheceu com os editoriais dos dois principais jornais da província pedindo para a PM simplesmente sentar o dedo na galera. Terminou com jornalistas entre as vítimas preferenciais da truculência policial –afinal, a tropa entende o recado, mas não lê editorial. A solução do governo de

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  • Um debate oportuno?

    A cada crime bárbaro cometido por alguém abaixo de 18 anos ressurge a campanha pelo rebaixamento da idade penal, como a que inunda agora o Facebook e torna indigesto o café na padaria, a mais tradicional instituição paulista.

    Se dependesse do paulistano, a maioridade penal no Brasil seria reduzida para 16 anos. É o que mostra pesquisa Datafolha. Segundo o levantamento, 93% dos moradores da capital paulista aprovam a ideia. Outros 6% são contra, e 1% não soube responder.

    A pesquisa escancara uma revolta compreensível, em circustância de grande comoção diante de um assassinato brutal. Também abre caminho para o oportunismo com o qual se lançou o governador Geraldo Alckmin ao despachar para o Congresso Nacional projeto que propõe alterações no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

    Às vésperas de ano eleitoral, Alckmin busca um atalho para atenuar a sensação de insegurança em São Paulo, onde o crime recrudesce e a violência policial corre solta, sobretudo nos últimos três anos. Dos

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  • Um papa pra chamar de seu

    É um alívio o papa não ser brasileiro. Essa proximidade com o despachante número um da divindade nos faria entrar num modo “arquivo confidencial” por tempo indefinido. Parentes, amigos de infância, colegas... Todo mundo no Faustão a lembrar o garotinho travesso de bom coração. Fora isso, alguém imagina o que seria aturar a família de um papa? Talvez algo tipo Ronaldinho Gaúcho e Assis. Que inferno.

    Ainda assim, foi divertido imaginar o dia seguinte. Principalmente, pensar no que seria a capa do Zero Hora, já que o gaúcho dom Odilo Scherer dividia a liderança dos papáveis. Um arrebatamento de megalomania gaudéria seria o mínimo. Mas aí veio um argentino, e com ele a melhor manchete, no Olé: “A mão de Deus. Maradona, Messi... e agora Jorge Mario Bergoglio, eleito novo papa.” Os vizinhos superam qualquer expectativa em megalomania.

    Mas como a capital do Brasil é Buenos Aires, dá quase no mesmo, e o Vaticano sapecou o papa Francisco com o recado do que parece ser a fase dois de uma

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  • Quem paga a conta?

    Nada poderia ser mais útil ao projeto que traz a militante cubana Yoani Sánchez ao Brasil do que as demonstrações de intolerância que a recepcionaram em Feira de Santana (BA). Serviu-se ali um prato cheio a quem difunde o discurso de crescente ameaça à liberdade de expressão no país.

    Mas força a barra quem vê como uma atitude antidemocrática o protesto de grupos esquerdistas contra a militante cubana, por mais toscos que sejam. Antidemocrático seria impedir a manifestação – exagerada, é verdade – desse povo, capaz de tirar do sério até mesmo Eduardo Suplicy (PT-SP). A blogueira inclusive chegou a considerar o protesto como sinal de liberdade.

    O que chama mesmo a atenção é a cobertura do tour nos principais veículos da mídia brasileira. É pouco se disser que há exagero. Sabemos de todos os passos de Yoani, mas nem uma linha sobre quem financia o rolê. Não é uma pergunta trivial para quem foi convertida em porta-estandarte da liberdade de expressão no continente.

    Yoani não é uma

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  • Foi mal…

    Não há preconceito racial no Brasil. Tudo não passa de mal-entendido... Esta é a resposta padrão de quem é pego em uma das incontáveis cenas cotidiadas de discriminação, evidência de legado brasileiríssimo: o racismo velado.

    Em São Paulo, a maternidade Santa Joana publica em seu site informações aos futuros pais. Em um dos textos, há dicas para mães que querem alisar os cabelos crespos da filhas: “Muitas crianças nascem com os cabelos crespos ou rebeldes demais. Com a adesão cada vez maior às técnicas de alisamento, algumas mães recorrem a essas alternativas para deixarem as crianças mais bonitas.” Isso, você leu “mais bonitas”. E o que são cabelos “rebeldes demais”? Com a repercussão da história, o hospital retirou o post do ar.

    Em Campinas (SP), policiais da PM que atuam em bairro nobre cumprem a determinação de abordar “indivíduos em atitude suspeita, em especial os de cor parda e negra”. A orientação consta de ordem de serviço assinada pelo comandante do batalhão, e se tornou

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  • Acuados

    Danilo Gentili é um precursor de uma nova legião de humoristas, do tipo que ilumina mesmo o caminho, com uma tocha na mão, rumo à Idade Média. Tem um humor incendiário, sim, mas não o do pega geral, um coquetel molotov iconoclasta para queimar tudo que está aí. Sua fogueira é contra bruxas.

    No twitter, sapecou esta: “E esse dado da Ong Gay aí que '1 gay é morto a cada 26 hs'? 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém aí come meu cú [sic] hj? Só por segurança.” Que sacada. Afinal, quantos héteros estão por aí acuados, indefesos, só porque são héteros? Bem politicamente incorreto, nénão? Não, é só preconceito mesmo.

    Talvez as críticas à “piada” estejam levando a coisa a sério demais. Até porque não é um preconceito qualquer. É o preconceito moleque, o preconceito arte, com ginga de mimimi maroto. Tão inocente que, se o drible falha, cai para cavar um penaltizinho. “Vocês não sabem brincar”, grita na área do "politicamente incorreto", esse refúgio do pobre branco hétero indefeso.

    Capaz

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  • Catiripapo

    Ted Boy Marino, morto na última quinta-feira (27), era o Brasil lúdico no talo, sem vergonha de rir de si mesmo numa encenação debochada da luta do cavalheirismo contra a vilania nos ringues de "telecatch". Uma encenação à vera, coletiva, doida. A plateia atingia loucura tão simulada quanto o embate sem nuances entre o bem e o mal. Marmelada? Jamais,  a não ser que os malvados triunfassem — uma vitória breve, pois o bem sempre ganha no roteiro.

    Perdemos muito desse humor ingênuo, quase infantil, sempre dosado com alguma sacanagem. Sexo, no fim das contas, é lúdico. A mistura de "telecatch", com Trapalhões e pornochanchada foi o auge disso na cultura ultrapop brasileira. O italiano Ted Boy esteve no meio dessa zona, o que faz da sua morte algo ainda mais triste. Longe de ser saudosista, mas encaretamos. Estamos nos levamos muito a sério.

    O "telecatch" está em extinção, enquanto o MMA se torna o espetáculo de maior crescimento no país. A galera quer a coisa real, pancada pra valer. Sai o

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  • Tocando em frente

    Circulam na internet imagens do senador Aécio Neves cambaleante, de fala enrolada e dando gorjeta de R$ 100 aos garçons do Cervantes, tradicional fim de noite de Copacabana. A primeira reação é de total incredulidade. Como assim um mineiro distribuindo dinheiro desse jeito? Mas Aécio é um menino do Rio...

    A fama de pegador e baladeiro é endossada por entusiastas e detratores do senador tucano. E é a vida privada de Aécio que se sobressai sempre que seu nome é apresentado como eventual candidato do PSDB ao Planalto. Aécio é quase um príncipe Harry amanhã.

    Se depois dos chopinhos a mais, ele entrou num táxi ou foi de carona para casa, não fez nada de mal. Não repete o mau exemplo do ano passado, quando teve a carteira de habilitação apreendida numa blitz da Operação Lei Seca, também na noite carioca, e se recusou a passar pelo teste do bafômetro.

    A autenticidade do vídeo ainda não foi confirmada. Mas já foi retirado e postado inúmeras vezes no YouTube, o repositório global da vergonha

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  • Calças quadradas

    Sempre ingênuo, Bob Esponja continua alheio aos boatos sobre sua orientação sexual, mesmo dez anos depois de as especulações se tornarem assunto na mídia dos EUA, onde volta e meia é acusado por grupos conservadores de fazer propaganda homossexual. Agora, uma comissão nacional da Ucrânia sobre assuntos para a defesa da moral concluiu que, de tão gay, ele chega a ser "uma ameaça real para as crianças".

    "Tirar do armário" um personagem de desenho animado não é uma tarefa qualquer. Exige dedicação e vocação enorme para fiscal de fiofó. É gente que não brinca em serviço. Aliás, não sabe brincar. A obsessão pelo roxinho fez de Tinky Winky (Teletubbies) e Barney os primeiros alvos da falta de foco de quem "só pensa naquilo".

    Para os críticos, o "problema" do Bob Esponja é ser muito alegrinho. Talvez o incômodo seja o fato de o desenho representar os gêneros fora do que se convencionou como padrão na TV. Bob Esponja é um sujeito sensível e meigo, enquanto a esquilo Sandy, a figura feminina da

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