É show ou é fria – Março

Na Mira do Regis

Régis Tadeu comenta os shows do mês de março. Assista:


CHICO BUARQUE

1 a 25, de quinta a domingo HSBC Brasil — São Paulo

Há muito tempo afastado dos palcos, o outrora extraordinário compositor voltou a fazer shows para promover um disco não mais que razoável, Chico, lançado no ano passado. Mesmo assim, é um espetáculo que vale a pena ser visto pelo repertório antigo que ele certamente vai apresentar e pelos ótimos arranjos, sempre uma marca registrada de seu trabalho. A voz de Chico — que nunca foi lá estas coisas, mas que sempre caiu bem dentro de suas composições — continua a mesma, mas a banda que o acompanha, com destaque para o lendário baterista Wilson das Neves, é um show à parte.

EDUARDO COSTA

2 e 3 — Credicard Hall — São Paulo

Este cantor é mais um destes "sertanejos" a infestar o show business com músicas dor-de-corno e aquele romantismo piegas que só impressiona quem tem miolo mole. Deus do céu, quando este tipo de praga vai acabar?

RIO VERÃO FESTIVAL

3 Engenhão — Rio de Janeiro

Só mesmo alguém muito louco e desmiolado pode embarcar em uma "roubada" de porte grandioso como esta, que reúne ótimos grupos como Paralamas do Sucesso e Skank, e artistas que sempre fazem shows bacanas, como Marcelo D2, Daniela Mercury e Zeca Pagodinho. Em contrapartida, NX Zero e — Deus me livre! - Rebeldes também estão escalados pata testar a paciência de qualquer pessoa que tenha pelo menos três neurônios em bom funcionamento. Fique em casa...

HAIL!

4 - Blackmore Rock Bar São Paulo

Para quem não sabe, está é uma "banda cover de luxo", formada pelo vocalista Tim "Ripper" Owens (ex-Judas Priest e ex-mais um monte de bandas), Andreas Kisser, o baixista James LoMenzo (ex-Black Label Society) e o baterista Paul Bostaph (ex-Testament, ex-Slayer). No repertório dos caras estão manjadíssimos clássicos do heavy metal. Se você não for lá muito exigente e estiver a fim de se divertir sem compromisso, pode ser uma boa pedida.

DIMMU BORGIR

6 — Carioca Club — São Paulo

Divulgando seu mais recente álbum, o interessante Abrahadabra, o grupo norueguês de black metal vai mostrar como colocar idéias sinfônicas dentro do estilo com um raro senso melódico e harmônico. É uma pena que um show deste tipo não possa ter a presença constante de uma orquestra — que foi utilizada inclusive no álbum em questão. Para quem conhece o som do grupo, será um prato cheio; para quem não conhece, é uma boa pedida para derrubar certos preconceitos sonoros.

MORRISSEY (veja os comentários no vídeo)

7 - Pepsi on Stage Porto Alegre

9 - Fundição Progresso Rio de Janeiro

11 — Espaço das Américas — São Paulo

GRUFF RHYS

7 e 8 - Studio SP - São Paulo

10 - The Peppers Bar — Curitiba

Ainda integrante do ótimo grupo Super Fury Animals, o vocalista e multiinstrumentista vem ao Brasil mostrar sua carreira solo e seu mais recente trabalho, o razoável Hotel Shampoo. No primeiro show em São Paulo, ele vai tocar toca com John e Fernanda Takai, do Pato Fu. Eu iria por curiosidade...

LUIS MIGUEL (veja os comentários no vídeo)

8 e 9 — Credicard Hall — São Paulo

11 — Citibank Hall — Rio de Janeiro

TITÃS

8 a 10, 14 a 16 - SESC Belenzinho — São Paulo

Nestas apresentações, o grupo vai tocar na íntegra o álbum clássico Cabeça Dinossauro, de 1986. A nova formação do grupo, com quatro integrantes originais, começou meio claudicante em cima do palco, mas aos poucos deu uma "azeitada" e melhorou muito. Por isto, uma das bandas mais queridas da história do rock nacional merece sua atenção apenas porque recheia seu repertório com canções antigas, todas infinitamente superiores às terríveis composições de seu mais recente — e pior — disco, o abominável Sacos Plásticos. Torça para que nenhuma música nova seja incluída no espetáculo...

FOCUS

9 — Esopo — Belo Horizonte

10 — Teatro Municipal — Pouso Alegre (MG)

14 — Teatro Rival — Rio de Janeiro

15 — Bolshoi Pub Goiânia

16 — Pedreira (próximo ao SESI) - Votorantim (São Paulo)

17 — Carioca Club — São Paulo

Inacreditavelmente  na ativa, o grupo liderado pelo extraordinário tecladista/flautista/vocalista Thijs Van Leer continua a apresentar um repertório bacana, repleto de composições clássicas de seus áureos tempos nos anos 70 e o melhor: o lendário álbum Moving Waves na íntegra! Embora contando com um baixista e um guitarrista completamente insípidos em cima do palco, a banda traz como atrativo extra a presença de um dos integrantes de sua clássica formação do passado — o bom baterista Pierre Van der Linden — e a incrível semelhança entre Leer e o finado Chacrinha. Para quem nunca viu o grupo ao vivo, é um show recomendável.

SISTERS OF MERCY

10 Via Funchal São Paulo

Infelizmente, o outrora excelente grupo liderado pelo sorumbático e carismático vocalista Andrew Eldritch virou uma grande picaretagem. Ele não lança um disco desde 1990, toca algumas músicas — e fracas - novas apenas em certos shows e, muitas vezes, usa playbacks descaradamente - e nem estou me referindo a "Doktor Avalanche", a lendária bateria eletrônica que sempre usou nos palcos. Para piorar, todos os shows apresentam tamanha quantidade de gelo seco no palco que não dá sequer para ver quantos músicos — todos contratados - estão  tocando realmente. É uma decepção total!

MARCELO CAMELO (veja os comentários no vídeo)

9 Grande Teatro do SESC Palladium Belo Horizonte

10 Circo Voador Rio de Janeiro

BELO (veja os comentários no vídeo)

10 — Citibank Hall — Rio de Janeiro

23 — Credicard Hall — São Paulo

MARK FARNER

10 — Via Marquês São Paulo

11 — Bar Opinião Porto Alegre

13 Music Hall Belo Horizonte

O ex-guitarrista/vocalista do Grand Funk vem pela primeira vez ao Brasil e certamente vai apresentar um monte de hits de sua ex-banda. O problema é que ele, com o passar do tempo, passou a dar mais destaque às canções de sua fraca carreira solo. Vamos todos torcer para que ele resolva fazer um show diferente no Brasil e despejar clássicos do naipe de "We're an American Band", "Footstompin' Music" e "Shinin' On". Aí sim vai ser uma apresentação divertidíssima, ainda mais porque Farner continua com a mesmíssima voz do passado e tocando muita guitarra.

AIR SUPLY

14 — HSBC Brasil — São Paulo

Poucas coisas são tão asquerosas na história da música universal quanto os discos do Air Suply. Agora multiplique isto à enésima potência e você terá uma idéia do suplício que é assistir a um show desta dupla australiana, tão careta e cafona que faz o Agnaldo Timóteo parecer o Rob Zombie. Além da absurda quantidade de sacarose presente em suas terríveis canções - uma espécie de "Viagra ao contrário" -, a presença de palco dos dois manés deveria ser considerada como um crime contra a Humanidade. Não vá e impeça qualquer pessoa amiga de testemunhar esta bizarrice canastrona.

THE NAKED AND FAMOUS

15 Circo Voador — Rio de Janeiro

16 — Cine Joia — São Paulo

Nunca vi um show deste jovem grupo da Nova Zelândia, mas gosto muito do único álbum que eles gravaram, Passive Me, Agressive You, lançado em 2010. Bastante dançante — no melhor sentido da palavra -, o som da banda lembra uma mistura de Gossip com Ladytron. Pela qualidade de suas composições, vale a pena dar uma arriscada e, com sorte, apreciar uma ótima apresentação.

CREEDENCE CLEAWATER REVISITED

14 Teatro Positivo — Curitiba

18 — Citibank Hall — Rio de Janeiro

24 - Passarela Nego Querido — Florianópolis

25 — Credicard Hall — São Paulo

Quem teve a sorte em construir sua personalidade musical tendo as canções do Creedence Clearwater Revival como trilha sonora certamente tem uma memória afetiva muito presente em relação aos shows deste grupo, que conta com a presença de dois integrantes da banda original — o baixista Stu Cook e o baterista Doug Clifford. O repertório é aquele caminhão de hits de sempre, tudo tocado e cantado com eficiência e alegria. Se você não for "viúva do John Fogerty", assista sem susto...

ATARI TEENAGE RIOT

23 Cine Joia São Paulo (ATENÇÃO: SHOW TRANSFERIDO PARA 15 DE JUNHO!)

Caos sonoro à vista! O estímulo catártico das apresentações deste grupo alemão de techno hardcore industrial faz o seu cérebro ir para frente e para trás, em alternância com o seu corpo. Se você não tem medo de encarar novas experiências musicais, cedo vai perceber que os shows da banda são do tipo "ame ou deteste". Eu vou. E no seu lugar, eu iria também...

ANA CAROLINA

23 e 24 — Citibank Hall — Rio de Janeiro

Uma coisa é inegável: todo show de Ana Carolina tem canções bem executadas por músicos ultracompetentes. Outra coisa é inegável: a cantora está presa dentro de uma fórmula sonora da qual não consegue sair, nem mesmo a ponto de deixar de soar como uma versão roqueira da Simone. E é exatamente isso que você vai perceber nesta apresentação. Ah, e se prepare para inúmeros momentos de "vergonha alheia", propiciados por moçoilas lésbicas e desbocadas a gritar obscenidades para a cantora o tempo todo. Com o perdão do trocadilho, "um tremendo pé no saco".

AMON AMARTH

24 — Carioca Club São Paulo

Pode uma banda programar o seu death metal para receber belíssimas melodias? Não só pode, mas deve. E é exatamente isto que este espetacular quinteto sueco, que nunca fez um disco ruim sequer e que tem na qualidade de suas canções — quase todas inspiradas pela mitologia nórdica, mas sem babaquices — e na irrefutável habilidade dos músicos alguns trunfos inquestionáveis. Na boa: corre o risco de ser o melhor show de heavy metal do ano!

JELLO BIAFRA AND THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE

24 — Beco 203 — São Paulo

O lendário ex-líder do Dead Kennedys bota na estrada já há algum tempo sua nova banda, tão virulenta quanto a outra — a começar pelo nome — e faz shows simplesmente arrasadores. Carismático até o último fio de cabelo, Biafra ainda sempre brinda a plateia com clássicos de sua ex-banda. Aí o local vira um pandemônio indescritível. Não perca de jeito algum!

ICED EARTH

24 — Curitiba Master Hall — Curitiba

25 — Espaço Lux — São Bernardo do campo (SP)

27 — Bar Opinião — Porto Alegre

Se pretensão e arrogância fossem qualidades, o guitarrista Jon Schaffer seria o cara mais legal do mundo e a banda que lidera teria milhões de fãs. Como não são, o que resta é um grupo competente naquilo que toca, mas que não consegue emocionar ninguém com os repetidos clichês de heavy metal que entopem suas canções medíocres. Passe longe!

CHARLIE BROWN JR.

24 — Credicard Hall — São Paulo

Tão certo quanto o fato de que a banda não tem mais a relevância artística do passado — embora tenha voltado a tocar com 4/5 de sua formação mais conhecida, sem o baterista Pelado - é que o grupo ainda consegue empolgar quem tem menos de dezoito anos de idade e os saudosistas que só ouvem músicas que tocam nas rádios. Se você está incluído nestas categorias, vai se divertir a valer. Caso contrário...

ROGER WATERS (veja os comentários no vídeo)

25 Estádio beira-Rio Porto Alegre

29 Engenhão Rio de Janeiro

ZUCCHERO

26 — Teatro Bradesco — São Paulo

27 Teatro do Bourbon Country Porto Alegre

28 Vivo Rio — Rio de Janeiro

Não nego que tenho certa intolerância em relação à música que vem da Itália. Salvo raras exceções, é uma cantilena brega e romântica capaz de matar um diabético por excesso de sacarose. E uma delas é justamente este estupendo cantor, que volta ao Brasil para promover seu mais recente disco, Chocabeck, que traz as participações de Bono e Brian Wilson. O repertório de suas apresentações é muito bom — menos quando ele apela para "You Are So Beautiful", mas vamos dar um desconto para o cara, né? — e a banda de apoio é sempre bacana. Vale a pena ir!

GYPSY KINGS

27 e 28 — Credicard Hall — São Paulo

O quê? Este troço insuportável está de volta ao Brasil? Para mostrar composições tão "ciganas" e "flamencas" quanto a escalação da Seleção de Camarões nos anos 80? Para deleitar aquele público que usa blazer de botões dourados e vestidos acetinados? Deus me livre de indicar esta porcaria!!!


JOE COCKER (veja os comentários no vídeo)

27 Pepsi on Stage — Porto Alegre

29 Via Funchal — São Paulo

31 Chevrolet Hall — Belo Horizonte

ZECA PAGODINHO

30 e 31 — Credicard Hall — São Paulo

Podem falar o que quiser, mas quando o assunto é "samba de verdade", ninguém tem a autoridade de Zeca Pagodinho na atualidade. O cara é carismático, sabe botar aquela voz bêbada com perfeição dentro das ótimas composições que permeiam seu repertório, tem sempre uma banda de apoio consistente ao seu lado... E os shows são sempre divertidos justamente pela espontaneidade. Vá na boa...

LACUNA COIL, LAMB OF GOD & HATEBREED

31 Espaço Lux São Bernardo do Campo (SP)

Não é todo dia que aparecem no Brasil três representantes de vertentes tão diferentes do heavy metal em uma única apresentação. O metalcore dos americanos do Hatebreed vai servir de aperitivo interessante para a "porradaria" dos compatriotas do Lamb of God e para o metal com leves tintas góticas dos italianos do Lacuna Coil. Por conta de um cardápio tão variado e pela qualidade das bandas envolvidas, dá para recomendar um show destes...