Alô, Los Hermanos! Vamos parar com esses "retornos" de araque?

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Assim como aconteceu – e ainda acontece – com o Jota Quest, o Los Hermanos fez um tremendo mal não só ao rock nacional, mas à música brasileira. Obviamente, seus integrantes não têm culpa de ambos os grupos servirem de inspiração para uma geração inteira de clones patéticos, sejam eles conhecidos - como o pavoroso Vanguart, que segue todos os mandamentos sonoros dos “barbudos” – ou apenas um dos milhares de grupelhos que não conseguiram sequer entrar em um circuito underground e que ficam lançando discos que ninguém vai ouvir, mas Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante são inapelavelmente culpados por celebrarem um modo de cantar em que afinação deixou de ser requisito de qualidade. Aí sim reside a maior tragédia que eles criaram. De uma hora para outra, soltar a voz de maneira mulambenta virou “arte”. Um absurdo!

Só que o Los Hermanos agora vem invertendo em escala nacional uma tendência que se observa lá fora já há algum tempo. No exterior, bandas anunciando falsas “turnês de despedidas”, nas quais ingressos acabam sendo disputados a tapas por fãs idiotizados ao longo de décadas de adoração estúpida. Faturam uma grana espetacular e somem por um tempo, até que retornam de modo triunfal, como se nada tivesse acontecido. Não é mesmo, Ozzy Osbourne, Kiss, The Who e Scorpions? Aqui no Brasil, o Los Hermanos faz o contrário: encerra as suas atividades e, de tempos em tempos, anuncia shows, cujos ingressos sãodisputados a tapa por fãs idiotizados ao longo de décadas de adoração estúpida. Ou seja, a história se repete como farsa.

A banda carioca se separou anos atrás, em 2007, com a famosa desculpa “recesso por tempo indeterminado”, um eufemismo para “não aguentamos mais tocar juntos, vamos cada um para o seu lado e um abraço”. Só que, de lá para cá, já se reuniram três vezes para fazer “showzinhos”, que nada mais é que um termo que minimiza uma considerável quantidade de apresentações pelo Brasil. E isto aconteceu mais uma vez agora, com a desculpa de comemorar os 450º aniversário da cidade do Rio de Janeiro. Nada disto! Os caras já agendaram uma turnê pelas principais capitais do Brasil até o final do ano.

Pode apostar: o golpe continuará a ser dado todo ano.

E quando escrevo “golpe”, é no sentido de iludir a quem destina devoção irrestrita a Camelo, Amarante e companhia. A mesma devoção que torna um show dos caras uma experiência de horror inenarrável, com as plateias berrando todas as letras de todas as canções. Eu mesmo já cheguei a sair de um show do Los Hermanos com vontade de despejar aço derretido em meus ouvidos só para ter alguns minutos de alívio…

A falcatrua envolve também toda a celebração que cada “retorno” envolve, com a cumplicidade de uma mídia que nada questiona, que baba para qualquer coisa que a dupla faça, tanto na banda quanto em suas respectivas – e péssimas – carreiras individuais.

Com exceção dos fãs retardados, sabemos que a banda acabou por conta de divergências musicais e pessoais entre Camelo e Amarante, que estas “voltas” nada têm de espontâneas, que o grupo nunca mais irá compor e gravar músicas inéditas, que não haverá novo disco, que depois destes shows cada um irá para o seu lado, tratar da vida e de suas respectivas carreiras. E sabemos que daqui um tempo o grupo irá se reunir novamente e o ciclo mentiroso recomeçará. E a imensa maioria finge que nada disto é verdade.

Lamento, mas estou fora deste “mundinho faz de conta”.

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