Cinco ótimos álbuns revitalizam a música brasileira

r-tadeu
Na Mira do Regis

Não sei muito bem o motivo, mas elegi esta semana como a abertura da “temporada para ouvir artistas nacionais em 2015”. Desde segunda feira venho ouvindo apenas trabalhos recentes de cantores e bandas brasileiras, com resultados que vão do patético ao sublime. É claro que de tempos em tempos colocarei minhas impressões a respeito deles neste espaço.

Por que não começar então com alguns trabalhos realmente muito bons? Então vamos a eles…

FALCÃO - Sucessão de Sucessos que se Sucedem Sucessivamente Sem Cessar

Que ele é um dos artistas mais escrachados, sarcásticos e inteligentes da música brasileira, disto não há dúvida. Só que agora o gigante cearense se superou com este álbum, uma coleção de barbaridades hilariantes e muito bem sacadas. Que outro adorável maluco usaria a mitológica “Smoke on the Water”, do Deep Purple, para fazer “Fumando Numa Quenga”? Ou homenagear Bob Dylan em “Lasque a Rola em Tonha”? Ou cunhar um hit com o título “Você é a Letra X da Palavra Love”, que rendeu o primeiro “videoclipe selfie” do Brasil?

ROGÉRIO SKYLAB – Melancolia e Carnaval

Maluco, grosseiro, politicamente incorreto, completamente “chupeta”, falastrão, excêntrico, punheteiro, imprevisível, gênio incompreendido, provocador… Qualquer que seja o adjetivo que você use para definir este cidadão é muito pouco para dimensionar o quão surpreendente é este ótimo álbum, o segundo de uma trilogia– o primeiro é Abismo e Carnaval, de 2012 -, no qual ele apresenta vários sambas de sua autoria, todos muito bem arranjados em sua simplicidade e com belos versos. E ainda tem a participação de Jards Macalé, Rômulo Fróes e a Velha Guarda da Mangueira. É um álbum surpreendentemente belo!

THAÍDE

Uma das figuras mais dignas da história do hip hop nacional, ele lançou recentemente um single com duas boas canções. A primeira é “Malandragem é Viver”, mais roqueira, com a participação do Pump Killa, enquanto a segunda é “Respeito é Pra Quem?”, junto com Arnaldo Tifu, DJ Spaiq e o mesmo Pump Kill:

VALDIR VERONA & RAFAEL DE BONI - Duo de Viola e Acordeon

Figura bastante conhecida no meio musical gaúcho, este violonista/violeiro de Caxias do Sul é um dos mais incansáveis batalhadores da perpetuação da música instrumental daquele Estado para as novas gerações. O álbum anterior dos dois, Encontro das Águas (2007), já beirava o sublime, e ele teve a manha de repetir o mesmo grau de qualidade neste trabalho mais recente, repetindo a parceria com o talentoso acordeonista De Boni. De quebra, ainda mostro um vídeo em que a dupla recebeu o auxílio luxuoso de Yamandu Costa: 

ADRIANO GRINEBERG - Blues for Africa

Talentosíssimo tecladista com especialização em blues, neste trabalho ele voltou sua atenção para os sons africanos e obteve um resultado excepcional e instigante para quem gosta de sonoridades que fogem do usual. O alto astral do disco tem como bom exemplo o que se ouve em “Syahamba”, uma homenagem a Nelson Mandela, e na versão ao vivo para “Kumbaya”.