Na Mira do Regis

Keane + Marilyn Manson + Garbage = três discos de merda

Pode parecer incrível para alguns, nem tanto para outros, mas continuo recebendo centenas de pedidos para emitir minhas opiniões sinceras a respeito de todos os discos que você possa imaginar.

Eu seria muito hipócrita se escrevesse que este tipo de coisa não deixa o espírito do tio Regis aqui muito feliz, mas preciso dizer que há alguns pedidos meio "sem noção" — o que posso dizer a respeito do novo disco do Justin Bieber além de que é uma enorme porcaria? — e outros ainda mais esquisitos, como um determinado disco de uma banda psicodélica do... Irã. Pensando bem, isto poderia render uma ótima matéria, mas vou pensar nisto depois...

Hoje resolvi selecionar alguns dos lançamentos mais pedidos pelos leitores para incluir nesta e em futuras edições de "sinceridade explícita", que foi termo empregado por uma leitora para definir minhas opiniões a respeito disto. Coincidentemente, três merdas inacreditáveis de grupos que têm em sua discografia discos muito bons.
Ah, e não deixe de clicar nas faixas citadas para ouvir as canções no respectivo CD e dar a sua opinião baseada naquilo que você ouviu e viu.

KEANE
Strangeland
(Universal)
Em seu quarto disco e agora como um quarteto — o baixista Jesse Quinn agora é um membro efetivo -, este grupo inglês continua a mostrar suas canções adocicadas, sempre apoiadas pelo competente piano de Tim Rice-Oxley, mas repletas de melodias óbvias e letras sem grandes arroubos poéticos na hora de cantar o sofrimento do amor. Para quem acompanha o pop britânico, é mais do mesmo.

Acompanhar cada faixa faz com que a gente se sinta prevenido em relação ao que vai acontecer na música seguinte. É como se o disco fosse o equivalente sonoro de uma fotonovela mal escrita. Para piorar, todas as canções trazem um insuportável mix daquilo que o U2 e o Coldplay têm de pior, seja a grandiloquência de isopor forçada, seja a entonação do vocalista Tom Chaplin, de um bom mocismo muito próximo do irritante.

É um álbum indicado somente para quem usa capinha de iPod em formato de bichinho de desenho animado.

MARILYN MANSON
Born Villain
(Hell/Cooking Vinyl - imp.)
Vamos combinar que já faz tempo que o sujeito é uma piada, tão assustador quanto um filhote de gato miando por um pires de leite. Por isto, é de se pensar que ele foi para o estúdio disposto a recuperar a criatividade e a capacidade de incomodar que tinha no passado.

Pois o esforço não deu em nada, já que este disco é um amontoado de letras melancólicas e depressivas, tudo embalado por um pacote sonoro mais fraco que sopa de albergue noturno. A presença de uma bateria eletrônica com timbres ridículos em todas as faixas esvaziou ainda mais a potência do disco.

O cara é tão picareta que não se fez de rogado e tentou recuperar o prestígio apostando novamente na inclusão de um cover teoricamente nada a ver — foi assim com "Sweet Dreams", do Eurythmics, no passado; é assim agora com "You're So Vain", da Carly Simon, com a participação do sempre esquisito Johnny Depp na guitarra -, que resultou em algo tão impactante quanto o estouro de um único grão de pipoca.

Com este disco, Marilyn Manson dá provas de que está na hora do cara arrumar um emprego normal...

GARBAGE
Not Your Kind of People
(Universal)
Embora nunca tenha oficialmente encerrado a sua carreira, o grupo liderado pela deliciosa vocalista Shirley Manson estava há sete anos sem gravar nada. Por isto, é inacreditável que depois de tanto tempo ela e seus companheiros tenham tido a coragem de lançar este troço.

O disco em nada traz a virulência e o equilíbrio entre a leveza melódica do pop e a consistência sônica roqueira que o quarteto sempre mostrou. Pelo contrário, a banda soa como se fosse um cruzamento do Aqua - é, aquela merda que cantava "Barbie Girl" — com alguma banda cover do Blondie.

Dá muita vergonha alheia ouvir verdadeiras atrocidades como "Blood for Poppies", "Automatic Systematic Habit" e "I Hate Love", entre tantas outras. Se ninguém aguenta mais ouvir as lamúrias de uma banda 'hypada' de Nova Iorque, imagine então de um grupo que pensa que o mundo se tornou uma grande "Disneylândia pseudodark" para mandar um lote de canções tão interessantes quanto presenciar uma doação de esperma em uma clínica de fertilização artificial.

Credo!

Ouça e veja abaixo algumas "pérolas" destes três discos horrorosos...

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Sobre Regis Tadeu

Regis Tadeu é crítico musical, jurado do Programa Raul Gil, colunista/produtor/apresentador do portal do Yahoo, produtor/apresentador dos programas Rock Brazuca e Agente 93 na Rádio USP FM e foi Diretor de Redação/Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera.

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