Na Mira do Regis

A música brasileira vai mal? Você que pensa… – parte 4

Atendendo a mais uma infinidade de pedidos, aqui vai mais um capítulo desta série que pretende mostrar a você que, ao contrário do que diz a grande maioria das pessoas, a música brasileira continua tão rica quanto no passado - veja as matéria anteriores aqui, aqui e aqui. Para entender isto, basta apenas não ter preguiça em pesquisar e esquecer que TV e rádio são "propagadores de novidades".

Veja abaixo mais alguns exemplos de artistas que vem fazendo trabalhos muito interessantes em nosso País:

LUCAS SANTTANA
Este é um cara cujo som não oferece pistas fáceis para qualquer tipo de rotulação. Afinal de contas, como definir alguém que joga dentro de um mesmo caldeirão sonoro generosas porções de MPB, música eletrônica, ritmos africanos, dub jamaicano, funk, soul e o que mais você pensar? Além de ótimo instrumentista e compositor de mão cheia, este bom baiano acaba de mostrar em seu mais recente disco, O Deus que Devasta mas Também Cura, que é um arranjador de primeira grandeza.

FARIA & MORI
Capitaneado pelo compositor e multiinstrumentista paulista André Faria, este projeto revela uma sonoridade perfeita para um público pouco informado saber que é possível injetar timbres orgânicos em canções modernas sem parecer datado. Com referências que vão do saudoso "Clube da Esquina" até Yo La Tengo e Radiohed, o disco Outro Lugar não deve ser mantido em segredo apenas por indies 'descolados'. Ah, o tal "Mori" é apenas um 'amigo imaginário de infância' de André.

CARLOS PONTUAL
Alguns músicos não se contentam em apenas receber polpudos cheques todo mês por seus trabalhos como sideman de artistas famosos. Este foi um dos motivos que fez com que este talentoso guitarrista deixasse de lado seu trabalho ao lado de Nando Reis e investisse firme em uma carreia solo que já rendeu dois ótimos discos, Instrumental Social e Inventa Qualquer Coisa. Cada uma de suas composições nos deixa pensando nas saborosas implicações de uma pesquisa que não precisa ser tão exaustiva para descobrirmos um talento nato como ele.

BLUBELL
Não há como ouvir o disco Eu Sou do Tempo em que a Gente Se Telefonava sem sentir que nele há uma cantora/compositora de estilo próprio e até mesmo egoísta do ponto de vista criativo, já que ela não dá a mínima bola para as "tendências de mercado". Imagine o que isto significa quando, ao terminar a audição do referido álbum, você se depara com um punhado de canções que há muito tempo não o deixam embasbacado do começo ao fim.

Veja e ouça abaixo algumas belas canções deste pessoal...

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Sobre Regis Tadeu

Regis Tadeu é crítico musical, jurado do Programa Raul Gil, colunista/produtor/apresentador do portal do Yahoo, produtor/apresentador dos programas Rock Brazuca e Agente 93 na Rádio USP FM e foi Diretor de Redação/Editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo e Batera.

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